sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O sapo e a rosa

“Era uma vez uma rosa muito bonita, que se sentia envaidecida por saber que era a mais linda do jardim. Mas, a rosa começou a se incomodar por perceber que as pessoas somente a observavam de longe.

Acabou se dando conta de que, ao seu lado, sempre havia um sapo grande, e que esta era a razão pela qual ninguém se aproximava dela.

Indignada diante da descoberta, ordenou ao sapo que se afastasse dela imediatamente.

O sapo, muito humildemente, disse: – Está bem, se é assim que você quer…

Algum tempo depois o sapo passou por onde estava a rosa, e se surpreendeu ao vê-la murcha, sem folhas nem pétalas. Penalizado, disse a ela:

- Que coisa horrível, o que aconteceu com você?

A rosa, triste, respondeu:

- É que, desde que você foi embora, as formigas me comeram dia a dia, e agora nunca mais voltarei a ser o que era. Só agora eu sei que quando você estava por aqui, comia todas as formigas que se aproximavam de mim. Por isso eu era a mais bonita do jardim…”

Em virtude do meu trabalho, estou muito acostumado a ver equipes formadas por indivíduos muito talentosos, mas que, juntos não conseguem fazer grandes coisas.

E, na maioria das vezes, percebo que na origem dos problemas de trabalho em equipe está a vaidade das pessoas.

Sem se darem conta de que a vaidade e a arrogância nada mais são do que a manifestação da insegurança, essas pessoas acabam desvalorizando os outros, acreditando que são superiores ou que realizam um trabalho melhor ou mais importante.

Não se atentam para o fato de que tudo possui interdependência, que tudo está integrado e que nada acontece dentro de uma empresa sem a participação de outras pessoas.

Tenho visto muitas empresas mudando os layouts de seus escritórios. Derrubando paredes com o propósito de aproximar as pessoas. O problema é que essas obras de arquitetura de nada adiantam se as barreiras humanas não forem derrubadas antes.

Não adianta as mesas ficarem próximas, se os corações continuarem distantes.

Por isso, um dos maiores desafios atuais dos líderes é conseguir formar equipes de pessoas talentosas que sejam capazes de trabalhar em time.

A pergunta é: como um líder pode administrar as vaidades e os egos?

Creio que não exista uma fórmula pronta, mas acredito que algumas coisas podem ajudar bastante:

- Atribuir maior valor às conquistas do time do que às individuais.

- Fortalecer o sentido de missão e da importância de todos para o alcance dos objetivos.

- Criar uma cultura de feedbacks e de conversas “olho no olho”.

- Valorizar o trabalho em equipe como forma de alcançar a excelência.

- Promover atividades que oportunizem e facilitem a integração.

E, acima de tudo isso, ser o próprio exemplo.

Afinal, quem quer ou quem precisa de um “Líder Pavão”, aquele que quer brilhar mais do que os outros líderes, mais do que a sua equipe e mais do que a própria empresa?

Com a disponibilidade das informações e com o acesso rápido ao conhecimento, as diferenças técnicas entre os profissionais está cada vez menor. O que faz a diferença é a atitude das pessoas.

Por isso, cada vez mais, o exercício da humildade é uma questão de sobrevivência profissional.

Afinal, as empresas já sabem que não há como criar engajamento e sinergia em equipes onde o líder atua como a bela rosa, incapaz de perceber que quem sustenta a sua posição majestosa são os sapos à sua volta.

Ser bom, ser belo e ser indispensável, sem perder a simplicidade, eis aí um bom desafio…




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