quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Você sabe delegar?


Nenhum administrador, diretor, gerente ou supervisor é uma ilha. O sucesso de toda e qualquer liderança reside no aproveitamento de times e equipes compostos por pessoas diferentes, trabalhando com um conjunto de objetivos e metas compartilhadas.

Nenhuma empresa será suficientemente rápida se seus colaboradores tenderem a centralizar e a fazer tudo por si mesmo.

A ''não delegação'' é uma âncora muito pesada para toda e qualquer empresa, uma ''âncora'' que frequentemente termina afundando a embarcação. Delegar não é apenas eleger alguém a quem você passará determinada tarefa ou missão. Delegar não é livrar-se de algo transferindo este algo para alguém.

Delegar é fazer as coisas acontecerem através de outras pessoas.

Ao delegar precisamos fornecer às pessoas:

1. Uma direção, um norte: para que saibam para onde ir.

2. A autoridade, o aval: para que tenham o poder de prosseguir.

3. Os meios e as condições necessárias: para que possam concluir o que lhes foi solicitado.

Uma das características mais importantes na avaliação da alta performance para cargos de decisão e liderança consiste justamente em verificar se o profissional em questão consegue fazer as coisas acontecerem através do trabalho de outras pessoas!

A incapacidade de delegar é um atalho para ser desligado de qualquer participação relevante dentro de uma empresa. Se você não delega ações importantes para seus colaboradores está incorrendo em graves erros:

a) Perdendo a oportunidade de testar o desempenho deles, não sabendo com quem contar diante dos maiores desafios.

b) Acostumando seus colaboradores a viverem dentro de uma zona de conforto. Qualquer solicitação adicional sua passa a ser percebida como ''excesso'' ou ''abuso'' e recebida com insatisfação.

c) Minando suas possibilidades de promoção, porque não delegando, você não prepara alguém para substituí-lo e decreta sua permanência no mesmo cargo, na mesma função, frequentemente no mesmo patamar de remuneração (a competência da delegação está diretamente relacionada com o nível de remuneração dos profissionais no mundo corporativo. Quem delega melhor, ganha melhor).

Não aprender a delegar é jogar contra si mesmo. Não delegar bem é sabotar a própria carreira! Delegue com excelência, agilize resultados e cresça em sua carreira.
Para delegar melhor:

1. Compreenda o seu verdadeiro papel na empresa ou organização. Por exemplo, se você é um empresário deve dedicar-se à estratégia e à construção do futuro e não a outras atividades rotineiras e tarefeiras que pode e deve delegar.

2. Dedique-se a fazer aquilo que é realmente de sua competência e que não pode ou não deve ser realizado por outro profissional.

3. Aplique o melhor de sua expertise na área da sua expertise.

4. Entenda que quando você delega, você está aguardando pelos resultados! Os caminhos utilizados por outros profissionais para obtê-los não necessariamente serão semelhantes aos seus. Desde que sejam éticos, caminhos diferentes são bem-vindos se alcançam os resultados desejados.

5. Delegar implica colaboração, acompanhamento e feedback. Quando você delega, a ação está só começando, não terminando.

6. Escolha a pessoa certa para a tarefa certa. Muitas pessoas com tendência centralizadora desistem de delegar porque em tentativas anteriores escolheram a pessoa errada para a tarefa e obtiveram frustração com a tentativa. Como tudo na vida, se você delegar mal, vai dar errado!

7. Quando você não tem o hábito de delegar, comece aos poucos. Delegue primeiro pequenas tarefas, conheça a performance das pessoas a quem você está delegando e vá subindo o grau de responsabilidade das tarefas delegadas até ficar somente com aquilo que deve caber essencialmente à sua competência!

8. Assim como você, as pessoas não acertam sempre. Lembre-se disso! Aproveite os erros e enganos para treinar as pessoas para desempenhar melhor suas atribuições.

9. Reconheça sempre que alguém fizer um bom trabalho, especialmente quando suas expectativas forem superadas e o resultado for, até mesmo, superior ao que você teria obtido na realização da tarefa. Se você estiver cercado pela equipe correta isso deve ocorrer com certa frequência.

10. Aprenda com as pessoas a delegar melhor, quando elas falham, além de dizerem algo sobre si mesmas elas estão dizendo muito sobre a liderança que delegou a tarefa.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Trabalhar ou divertir-se

Miquel Bonet

Possivelmente, uma das utopias mais usadas nas palestras sobre a motivação dos funcionários seja aquela de desfrutar trabalhando. Já me perdoaram, mas isso é impossível porque a simples palavra de trabalho, do latim tripaliare, ou seja, algo relacionado à tortura, nos desanima ao escutá-la; somos um país que em vez de vamos trabalhar, dizemos “tenho” que trabalhar.

O tema está na semântica da linguagem; por isso, é preciso mudar a palavra, que é mais fácil e econômico, se optamos por fazer algo que é o que mais gostamos e, ainda por cima, pagam por isso, estamos no caminho certo.
Imagine que a você lhe paguem para estar na cama às nove da manhã, por aguentar a barra de um bar, por olhar vitrines ou ir ao cinema; por aí está o caminho.

E um exemplo muito claro deste paradigma está no futebol, não se estranhe, já verá, mesmo que não juraria que todos os que lhe dão a bola, o fazem divertindo-se.

Como professor de comunicação, eu gostaria de ler as emoções no rosto das outras pessoas, sobretudo o que chamamos de comunicação não verbal, ou seja, a autêntica forma de comunicar-se porque é espontânea. Já sabemos que os gestos, inclusive as formas, chegam mais longe do que as palavras.
Então, convido vocês a serem espectadores, observem as pessoas e procurem sorrisos, a máxima expressão de que estão se sentindo bem, se mostram em seus rostos mexendo pelos menos 17 músculos e, se alguém confirmar esta ideia, será um gênio do futebol chamado Ronaldinho Gaúcho, sempre rindo ou pelo menos sorrindo.

Entender o trabalho a partir deste conceito que evidencia aceitação, motivação, prazer individual, profissionalismo e, inclusive, ternura, é o ideal de todo empresário, claro que melhor tenha algo a ver com o que ganha. Em meus mais de 40 anos de trabalho, tenho visto muita gente rica, mas aborrecida.

Nós gostamos de gente alegre, daquelas pessoas que demonstram que gostam do que fazem porque, no fundo, em nosso desejo impossível de ser aceito e ter sucesso com todos, queremos ser mimados e que, atrás do pedido de algo, venha um muito obrigado junto com um sorriso.

Não gostamos das pessoas tristes porque nos contagiam. E mesmo que nem sempre aceitemos as pessoas alegres porque em alguns momentos depressivos nos refletem as nossas limitações, pelo menos nos ajudam a entender que talvez nem todos sejam bons, mas não se paga nada para ser simpático.

Pena que nem todos podem se clonar em pessoas tão alegres como o Ronaldinho, mesmo que lhe déssemos a pior bola e nossa conta corrente apenas tivesse o justo.

Mas se tivéssemos que explorar no bosque dos desejos de qualquer empresário, descobriríamos que todos procuram trabalhadores competentes e se não aparecem, que tenham a capacidade e a atitude para aprendê-las, que tenham habilidades naturais, especialmente recursos, autonomia, comunicação, se possível uma boa inteligência emocional e compromisso, apesar de que o melhor valor agregado é ter alguém que sorria enquanto trabalha.

Tradução
Luciana Alves
Tradutora Técnica Inglês/Espanhol/Português

Referência: http://www.arearh.com/empleo/trabajar_divertirse.htm

Fonte: http://site.suamente.com.br/trabalhar-ou-divertir-se/

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Companhias latino-americanas falham na gestão da inovação

A maior parte dos dirigentes latino-americanos está ciente de que é preciso inovar tanto na questão técnica e nos produtos quanto na parte administrativa para manter a competitividade nas suas empresas e os bons resultados alcançados nos últimos anos.

Embora os líderes tenham essa consciência, são poucos os que afirmam que suas companhias possuem um departamento ou um executivo responsável pela gestão da inovação. No Brasil, por exemplo, apenas 33% disseram que suas organizações têm alguém que se ocupe exclusivamente com esse assunto.

A conclusão faz parte de uma pesquisa realizada pela IE Business School com 316 dirigentes e empresários da América Latina. O levantamento mostra que 91% deles colocam o tema inovação como prioritário nos próximos cinco anos, mas apenas 55% consideram que suas empresas fomentam e valorizam esse tipo de iniciativas.

Por outro lado, ter um gestor especificamente para a área é um sinal de que a empresa trata o assunto de forma efetiva. "Isso quer dizer que existem recursos direcionados para a inovação. Embora isso não garanta processos bem-sucedidos, ter um responsável aumenta a possibilidade de êxito", afirma Fernando Fontes, diretor da escola para a América Latina.

Para Fontes, a melhor forma de o Brasil manter a prosperidade alcançada recentemente é se preocupar com a competitividade. "Se não existirem mudanças e melhoras nos sistemas de produção e na maneira como se administram os recursos, o crescimento do país será restrito", diz. Toda a região, segundo o diretor, precisa inovar para aumentar seu valor agregado. "A América Latina tem crescido, em parte, por conta da exportação de matérias primas para a Ásia. Isso pode ser um risco e um fator limitante no futuro", diz.

Na opinião do diretor, as companhias precisam investir na mudança de processos para gerar produtos de melhor qualidade e com margens maiores. "Desse modo, elas poderão diminuir a dependência da China, EUA e Europa."

Stela Campos | De São Paulo


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Fim à Obsolescência

Com toda a evolução tecnológica que vivemos, vemo-nos frequentemente buscando o modelo mais novo dos aparelhos eletrônicos que costumamos usar, ou o software mais atualizado para equipar nossas máquinas. Os carros estão cada vez mais confortáveis e municiados, praticamente não faltam nem falar. Aliás, os celulares, aparelhinho indispensável para a maioria da população, fazem tantas coisas que alguns brincam: além de todas as funcionalidades, eles também fazem ligações! É impressionante a satisfação que muitos de nós sentimos (principalmente as gerações ávidas por tecnologia) quando compramos um equipamento novo, mais moderno que o antigo ou que o do colega. Não é por menos, hoje em dia ninguém quer parecer obsoleto. E o mesmo ocorre com outras coisas, não só com a tecnologia. A moda é um bom exemplo. Por mais que as roupas se reinventem e se assemelhem às utilizadas há décadas, ainda assim elas parecerão novas e, para não ficarmos ultrapassados, tentaremos sempre “estar por dentro” do que o mundo tem oferecido. 

E por que não trazer essa sensação de obsolescência ao mundo corporativo? Só de escrever essa pergunta, já me veio à mente uma porção de exemplos de coisas que podem se tornar obsoletas. Estudos, modelos de trabalho, padrões de atividades, formas de abordagens junto à cliente etc. Junto com todas as evoluções, sejam tecnológicas ou não, evoluem também as nossas exigências diante do mundo. E, como num efeito dominó, atualizam-se as formas de nos satisfazer, através de novos produtos, maior competitividade, fortalecimento na abordagem para segurar o consumidor e por ai vai. Cada caso é um caso, mas o que pretendo demonstrar é que, assim como nós nos tornamos mais exigentes, as coisas em nossa volta também evoluem, inclusive, as cobranças em cima de nós mesmos. 

É por isso que acredito que não haja forma melhor se manter em dia, do que estudar, estudar e estudar. E, quando digo estudar, refiro-me a constante atualização junto às informações cruzadas diariamente, através de jornais, revistas, internet, bate papos etc. Quando nos deparamos, em uma conversa informal, com um assunto do qual desconhecemos, já damos sinal de obsolescência. Afinal, como você pode não saber daquele assunto que está estampado em todos os jornais?

O mesmo acontece com mudanças nos modelos tradicionais de trabalho. São os modismos. Sabe aquele novo modelo de gestão utilizado por quase todos, mas que você desconhece? Como sobreviver no mundo dos negócios, sem dominar boa parte das invenções que surgem a todo o momento? Cursos e mais cursos que preenchem as cadeiras nas milhões de faculdades, assuntos que os jornalistas criam a partir de insights e que acabam virando moda, ou, até mesmo, alguma nova mania no meio virtual que facilita a nossa vida dentro das empresas. Por exemplo, o twitter, hoje em dia, é um canal de comunicação utilizado por muitas empresas e profissionais, e é muito estranho ouvirmos sobre alguém que não o utilize. É como se essas pessoas estivessem obsoletas.

Infelizmente não há uma regra para estar definitivamente a par de tudo que nos rodeia. Pelo contrário, infelizmente, acredito ser quase impossível estar ciente de tudo que acontece no mundo. Porém, uma coisa é fato. Quanto mais se estuda e lê sobre as novidades, mais você entende até o que você ainda não soube. Ficou confuso? Pois, perceba que uma coisa é continuação da outra. Se você está em constante atualização, quando algo novo surge é como se não fosse tão novidade pra você. E para conseguir esse respaldo intelectual não é tão difícil assim. Basta estar predisposto a ler muito e entender que nunca terminamos de estudar. Já citei isso anteriormente e sei que não sou o único a propagar essa informação. Mas, às vezes, fico espantado ao ver que tem muita gente fechada em seus “mundos”, sem dar importância aos acontecimentos, às evoluções e às renovações. São pessoas alienadas que consideram suas carreiras suficientemente boas, ao ponto de não precisarem de nada mais. Quanta ilusão! Lido com isso diariamente e percebo que os salários estão cada vez mais generosos.

Como dizer, então, que faltam vagas no mercado? Imagine! Existem vagas sobrando, o que faltam são pessoas capacitadas para preenchê-las. 
Acredito que, nesse caso, entram duas questões: planejamento e disciplina. Planejar o destino de sua carreira, definindo quais cursos ou informações serão necessários para atingir seu ápice. E disciplina para ler muito. Se for preciso, inclusive, estipule um horário do dia que será destinado exclusivamente para você bisbilhotar os jornais do mundo todo. E não se culpe por esse tempo, afinal, não é um tempo perdido, pelo contrário. É um tempo de dedicação a você mesmo para que não se torne uma pessoa obsoleta.

DICAS:
• Tente se adaptar às novas tecnologias. Quanto mais aceitá-las e usá-las a seu favor, melhor pra você;
• Aceite as mudanças. Por mais que você seja contra elas, elas existem e você não pode fazer muita coisa a não ser acompanhá-las;
• Cuide de seus conhecimentos. Saber um pouco de tudo é o caminho para o sucesso. Mas não se esqueça, é fundamental que o seu segmento você conheça muito mais do que o básico;
• Não saia mais da “escola”. Estude sempre. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Trate sua Carreira como um Negócio

Ouvi recentemente de um empresário catarinense que não vivemos apenas uma “época de mudanças”, mas sim uma “mudança de época”. Isso exige uma nova forma de pensar sobre a vida e o trabalho. A carreira tradicional acabou. Não fique esperando que a empresa onde trabalha planeje a sua. Quer fazer de sua carreira um sucesso? Trate-a como um negócio, em vez de como uma sucessão de cargos que pretende acumular ao longo da sua vida útil.

Você provavelmente sabe muito bem cuidar dos projetos da empresa onde trabalha. Seja pelo menos tão bom ao gerenciar o seu projeto de vida e carreira. Você já deve ter preparado algum tipo de business plan para um novo produto, um negócio ou um mercado que sua empresa está analisando. Ou já deve ter assistido a apresentação de algum desses planos preparado por um colega. Se ainda não o é, você deve estar almejando um dia ser o presidente da empresa. Ou sonhando que um headhunter o recrute para ser o diretor-executivo de uma unidade de negócios ou até mesmo de outra empresa. Mas, lembre-se, você já é o presidente da sua vida, o empreendimento mais importante que pode imaginar. Chegou a hora de preparar o business plan mais importante de todos o negócios com os quais já se envolveu até hoje: o da sua carreira.

Mas, como fazer?

O primeiro passo é mudar sua forma de pensar. Pense como um empreendedor, saia da zona de conforto que você construiu para si nos últimos anos. A década na qual vivemos hoje será lembrada no futuro como o início de uma revolução imperceptível, o momento em que um grande número de pessoas reassumiu as rédeas de seu destino, que havia sido de certa forma delegado à empresa, ao governo, à Igreja e a outras instituições.

No passado nos acomodamos com a tentativa das empresas de traçar os planos de carreira de seus funcionários. Mas isso não é mais possível, esse mundo acabou. O ritmo alucinante de mudanças no qual vivemos impede as empresas de fazerem planos de carreira de longo prazo. Uma simples razão: será que algumas dessas carreiras na ladeira organizacional ainda existirão daqui a 10 anos?

Se você tem tido sucesso e se acostumou a pensar e a fazer as coisas de uma forma nos últimos anos, saiba que o sucesso do passado não garante seu futuro. E que o maior inimigo do sucesso é o próprio sucesso que acaba fazendo-nos acomodar. Não acredite que “devagar, e sempre, a gente chega lá”. Hoje em dia, devagar não se chega a lugar algum e quem espera nunca alcança. Ou pode chegar tarde demais quando as oportunidades viraram a realidade de quem chegou mais rápido que você.

Outra forma de pensar que pode ajudar muito seu posicionamento estratégico no mercado de trabalho: as opções que você tem não se limitam aos competidores da empresa onde trabalha. Muita gente quando pensa no mercado de trabalho se limita a pensar apenas na concorrência. Amplie seus horizontes. Pense em toda a cadeia do negócio. As oportunidades podem estar nos distribuidores dos produtos de sua empresa; ou em algum fornecedor estratégico, em algum parceiro. Ou pense em montar sua própria empresa para prestar serviços para o atual empregador.

Você já pensou onde quer chegar daqui a três anos, em 2010? E em 2015? Sim, isso mesmo, você já tem visualizado o futuro que gostaria de inventar? Identifique onde você quer chegar com clareza pois fica difícil definir uma estratégia quando não temos clara a métrica do nosso sucesso. E curiosamente a maioria das pessoas gasta a maior parte do seu tempo pensando no passado, de onde veio, as dificuldades que enfrentou, se vangloriando dos acertos que teve. Outra grande parte do tempo também é usada em justificar onde está, o seu presente, os desafios que vive, as metas a alcançar até o final do ano. E acaba dedicando pouquíssimo tempo a pensar onde deseja chegar, a inventar seu futuro, a sonhar de olhos abertos com os pés no chão. Perceba que o importante não é de onde você veio, nem onde está, mas onde você quer chegar !

Vamos lá, mexa-se! Prepare um plano para sua carreira e trate-a como um negócio. Pense como um empreendedor. Evite se colocar como um empregado que pensa na seqüência de cargos que pretende acumular ao longo do tempo.

Artigo de César Souza

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Qual o segredo da felicidade?

Estive na semana passada em Salvador, palestrando para a ABRH BA e acabei conhecendo muitas pessoas interessantes. Dentre elas, fui apresentado a um profissional de 65 anos, cuja carreira foi construída na área de manutenção de máquinas. Alberto é um italiano que veio ainda criança para o Brasil. Em seus primeiros anos de vida profissional, Alberto conseguiu um emprego num importante jornal do Sul do país, onde fazia manutenção de máquinas. Sem estudos, o jovem conhecia o mercado de trabalho, lubrificando, consertando e ajustando todos os equipamentos que faziam aquele jornal rodar. 

Mesmo sendo um emprego simples, Alberto gostava muito do que fazia e sabia da importância do seu trabalho para aquela organização. Não hesitava em fazer cursos intensivos que pudessem lhe dar conhecimentos suficientes para se atualizar junto com o desenvolvimento tecnológico pelo qual o mundo veio passando nos últimos anos. Após dez anos de casa, o jornal acabou passando por uma crise e se viu obrigado a cortar alguns colaboradores. O gerente de RH da época gostava tanto de Alberto, que não achava justo demiti-lo sem auxiliá-lo numa recolocação. Com isso, indicou-lhe para a área de manutenção de um jornal da Bahia. Alberto me contou que esse gerente, inclusive, fez uma carta de recomendação na época, onde explanava com muitos adjetivos positivos a eficiência de seu trabalho. 

No novo jornal e na nova cidade, Alberto percebeu que as coisas só poderiam melhorar. Apesar de no princípio achar todas essas mudanças muito drásticas, em pouco tempo o profissional entendeu que tudo o que havia acontecido, tinha ocorrido da melhor forma possível. Muito religioso, chegou a me dizer: “Deus escreveu certo por linhas tortas”. No antigo jornal, Alberto era só mais um no meio de tantos. Já no novo jornal ele era praticamente único. Fazia de tudo um pouco e, com isso, foi aprendendo novas atividades. Seus dias eram corridos, cansativos, porém muito gratificantes. 

Numa cidade praiana, o operador de manutenção descobriu os prazeres de ter o mar ao lado de casa. Segundo ele, desenvolveu uma rotina onde fazia questão de visitar a praia diariamente, mesmo que fosse para ficar alguns minutos olhando as ondas quebrarem na beira da praia. De acordo com ele, seu emprego era simples, porém sua vida melhorava a cada dia. Com o passar de muitos anos, seu salário foi aumentando cada vez mais e ele foi construindo um patrimônio muito bom. Sua posição na empresa também melhorou, mas ele continuava atuando como operador. 

Ao longo de quase meio século, Alberto se casou quatro vezes, teve nove filhos e já ia para décimo quinto neto. Mesmo com uma família numerosa, sempre foi presente na criação de todos os filhos, inclusive com boas pensões. E, curiosamente, mesmo assim formou um patrimônio admirável. Hoje, Alberto mora numa casa muito bonita (sem muitos luxos, mas muito bonita), à beira mar. Entre um sorriso de satisfação, ele me relatou que seu dia começa com um mergulho no mar, café da manhã com a família reunida e a leitura do jornal onde trabalha. 

Além de uma bela casa, fez questão de concluir o sonho da compra de um barco para pescar nos fins de semana. Se perguntado, faz questão de responder que sente o maior orgulho do que fez durante toda a vida. Há dois anos de se aposentar, Alberto recebeu uma promoção à Gerente de Manutenção. Segundo ele, seu negócio nunca foi mandar nas pessoas, e sim operar. Não nega que um aumento no salário, nas vésperas de se aposentar é muito bom. Porém, confessa que sente saudade do tempo em que colocava as mãos na massa efetivamente. 

Fiquei contagiado com o entusiasmo de Alberto. Ele, sem dúvida, é um exemplo clássico de alguém que nunca viu seu cargo simples como empecilho para a realização de seus sonhos. Pelo contrário, soube aproveitar tudo que tinha a sua volta para construir uma vida feliz. E, mesmo passando por três separações, viu isso como forma de aprender com os erros que cometeu nas relações anteriores, e de construir, desta vez, uma relação muito mais saudável e feliz. 


terça-feira, 12 de agosto de 2014

O engajamento entre empresa e colaborador

Considerando a realidade das empresas de hoje, é possível falar de vários aspectos que podem levar uma organização ao sucesso ou ao fracasso, muitas vezes em curto prazo. Uma organização pode ser comparada a um quebra-cabeça, a forma de estruturá-la e a de fazê-la funcionar é um grande desafio, requer sabedoria.

Percebemos na rotina de várias empresas o trabalho de grupos isolados, cada área atuando para cumprir suas metas, sem considerar o objetivo maior da organização. É comum encontrar as intermináveis desavenças entre as áreas, falta o entendimento do objetivo da organização como um todo, de saber porque ela existe e onde pretende chegar. Só o esforço conjunto vai permitir que se tenha êxito para dar continuidade ao negócio.

É aqui pertinente falar também do processo de comunicação. Ele está diretamente ligado à forma que a organização trata seus colaboradores, que, quando inadequado, é um dos fatores que contribuem para a falta de engajamento, pois é a forma como os objetivos são transmitidos, se realmente são conhecidos e disseminados para todos os níveis da empresa. As informações devem ser repassadas de forma clara, não pode haver dúvidas, pois se isso acontece, cada um começa a fazer o que acredita que entendeu. No meio cultural em que vivemos as pessoas não tem o hábito de questionar e entender um pouco além do que está sendo pedido, que é uma sábia estratégia utilizada para não correr riscos nem cometer erros. À medida que não se questiona o que era para ser feito, a responsabilidade no caso de um fracasso, não cabe somente a quem está executando, mas também ao transmissor dessa mensagem ou objetivo.

É necessário ter líderes engajados no comando das equipes, propiciar o autoconhecimento aos colaboradores, estar em um ambiente que seja reconhecido e respeitado, que o local de trabalho seja agradável, que o colaborador sinta satisfação de sair de casa para trabalhar e ter uma remuneração condizente com seus objetivos de vida. Para se chegar a esse engajamento necessário para a sobrevivência de qualquer negócio, as empresas precisam definir em primeira instância, qual a sua razão de existir e onde querem chegar. Com um processo educacional adequado para as necessidades de desenvolvimento da equipe, é possível fazer com que as pessoas encontrem o que as realiza. Assim, poderão trabalhar mais engajadas com os objetivos da organização e, consequentemente, com as suas necessidades pessoais, os membros do grupo que não tiverem realmente o perfil desejado, não devem permanecer.

Algumas organizações já se conscientizaram de que a única forma de ter profissionais engajados é tratando-os com respeito, sabendo ouvir a demanda e necessidades de cada um na sua individualidade, oferecendo condições para que encontrem a realização pessoal ligada aos objetivos da organização. Muitas empresas ainda estão muito distantes de chegar ao nível de profissionalismo ideal, de preparar líderes que estejam engajados e consequentemente levar toda a equipe a atuar com o “brilho nos olhos” e encantar cada vez mais os clientes e fidelizá-los, existem pesquisas que demonstram que equipes engajadas, é um diferencial para surpreender os clientes e perpetuar o negócio.

Ordália Nocetti Segalovich - Consultora em Transition Management