quinta-feira, 24 de julho de 2014

COMPETIVIDADE E EXCELÊNCIA PESSOAL

Acredito que foi com minha mãe, de forte formação católica que aprendi desde bem cedo que uma virtude desejável em nós aos olhos de Deus seria a capacidade de pensar antes no outro do que em si mesmo. Em nossa casa simples em um bairro pobre próximo ao porto de Rio Grande as latas de compota de pêssego ficavam numa prateleira bem alta, onde meu irmão e eu em nossa dimensão de criança víamos com grande distanciamento. E elas ficariam lá por longo tempo, até que chegasse uma visita para que fossem abertas e só se sobrasse experimentaríamos o seu sabor. Para o outro sempre o melhor lugar num sinal de cordialidade e humildade.

Ao chegar à vida escolar, obter destaque com o primeiro lugar na classe parecia normal, não sabia que estar em primeiro lugar poderia significar não pensar no lugar do outro. Simplesmente não considerava e nem imaginava tal classificação e, portanto, não havia constrangimento ou preocupação – Aprender coisas novas era apenas divertido. Porém, ao adentrar nas quadras de esporte ou participar de quaisquer jogos de competição, a ideia de buscar deliberadamente passar o outro – competir – era avassaladora e paralisante.

Vim descobrir, anos mais tarde, com o precioso auxílio da psicoterapia que um conflito ali se instalava... Mais e mais busca de autoconhecimento para um dia, pasma, me deparar com a hipótese de que, ceder o melhor lugar ao outro, mais (ou menos) do que uma crença decorrente da necessidade de aprovação poderia revelar um sinal de vaidade. Ora, só dá aquele que tem para dar, se dou é porque tenho e o outro não tem, logo, sou melhor do que outro... Alguns dias de silenciosa introspecção para examinar, digerir e assimilar o que poderia haver de verdade em tal descoberta. E outros milhares de dias para prestar atenção em mim mesma e buscar encontrar o ponto de conforto leal e verdadeiro entre o outro e eu nas ações práticas do dia-a-dia.

Um “Workshop” de final de semana em 1998, 
 - “Trilhas Profissionais na Era Digital*” trouxe-me mais uma peça nesta busca: “Todos nascemos com algumas competências essências (uma espécie de “kit existencial” que recebemos do universo para dar conta de nossos desafios) que precisamos identificar em nosso processo de autoconhecimento e, uma vez identificadas estas competências, usá-las ao nosso favor é o que nos compete fazer. Simples. Quando fazemos o que nos compete fazer, somos competentes. E se somos competentes, somos naturalmente competitivos no mercado de trabalho!

Atualmente na condição de consultora de recursos humanos, trabalho diariamente com as chamadas competências para o mercado de trabalho. E dentre as competências mais procuradas, a chamada “Excelência Pessoal” é uma pepita rara a ser garimpada entre centenas de candidatos a uma determinada vaga. E em que consiste esta raridade – “Excelência Pessoal”? Trata-se de um conjunto de evidências de que a pessoa, no caso o candidato, busca auto-aprimoramento todos os dias em todos os sentidos de sua existência. E o que é, na prática, esta busca constante de melhorar a si mesmo, de se auto-aprimorar em todos os sentidos todos os dias?

Excelência Pessoal, a prática constante e diária do auto-aprimoramento é a mais benéfica e saudável forma de competitividade. É a competitividade dos campeões. É a competitividade de quem compete consigo mesmo todos os dias e se diverte, muito, em vencer a si mesmo todos os dias.

É a competitividade de quem sente o coração palpitar de alegria por conseguir fazer melhor à tarde o que fez pela manhã pelo simples prazer de descobrir que seu limite não estava ali onde parecia estar, ou que estava, mas foi vencido, que agora está mais além e amanhã... Bem amanhã veremos...

Excelência Pessoal é a prática diária de quem acredita que a vida é preciosa e por isso mesmo muito curta em sua inestimável grandeza, e, portanto, não tem um minuto sequer a perder. É a prática de quem não tem pressa de chegar porque sabe que a vida é eterna e belo é o caminho, mas que pode dar saltos em distância e em altura só para descobrir que pode porque a vida permite e é maravilhoso experimentar e descobrir que pode mais. É a prática de quem convida a todos em volta a competir a boa competição porque se um pode todos podem, é só sentir o chamado e começar a experimentar!

No mundo do trabalho buscar a excelência pessoal, além do natural e razoável preço a pagar em termos de empenho, disciplina e constância, significa também que possivelmente você se destacará da grande maioria. E se destacar da grande maioria significa que você também precisará desenvolver a sabedoria da interação, pois muitas pessoas vibram junto e passam a se movimentar mais positivamente, outras tantas simplesmente acham admirável e aplaudem, é necessário saber lidar com isto também, e outras ainda se sentem muito desconfortáveis e se expressam de diferentes maneiras... Confesso que algumas vezes sofri por ser acusada de querer ser mais do que o outro (e às vezes ainda esse outro era uma pessoa bem amada e querida por mim...) quando na verdade estava mesmo era querendo superar a mim mesma até por acreditar que este é, além de um prazer, também um dever de todo o que nasce... Porque se nascemos é para crescer e se crescemos é para servir...

Daí a grandeza de se trabalhar em empresas que cultivam a excelência. A possibilidade de interagir em equipes campeãs, onde todos competem todo o dia consigo mesmo e todo o time ganha. É a chamada Sinergia, onde a excelência de um mais um é bem maior do que a soma de todos.

Hoje me deparo com a radiante alegria de saber que sou e posso ser altamente competitiva.
  Que posso buscar a condição de excelência em tudo o que fizer porque que esse é um direito e um dever de quem acredita que a vida é uma dádiva preciosa e que fazer o melhor é bem pouco diante desta visão. E mais, que com uma visão um pouquinho crítica posso perceber o quão longe me encontro do ideal sob qualquer ângulo, ainda que o empenho constante me coloque em posições mais favoráveis do que a média em alguns aspectos. E ainda, que saber o quanto estou longe é só mais um fator motivador para me encantar com o caminho de buscar. Posso e devo buscar a excelência mesmo que esta prática possa causar algum desconforto em alguém ao meu redor. Posso porque mais cedo ou mais tarde esse alguém descobrirá que o possível desconforto também é um chamado e que vale a pena!  Um chamado para aprender a competir com nossos próprios limites pela alegria de vencê-los e descobrir que isto é bom primeiro para si mesmo, mas também é bom para o outro, para a empresa onde estamos inseridos e em ondas, pela força do exemplo para a sociedade em que vivemos e bem mais além.

É sabido que as pessoas que mais se destacam em seu meio de atuação freqüentemente são também as que mais são felizes e se divertem com o que fazem. Que sejamos todos campeões, que possamos nos divertir mais, que o trabalho seja mais leve e mais rico de significados e que o ambiente de trabalho seja mais humano e competitivamente saudável. 

Buscar a excelência e ser campeão de si mesmo também é gostar de começar tudo novo de novo, só para fazer melhor... Vamos começar?
    
Fonte: http://www.vitoriahumanarh.com.br/artigo.php?id=24

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Angústias e incertezas

A vida é muito boa para os jovens. Casa cheirosa e limpa, cama feita, banho quente, luzes pagas e acesas, televisão e som à disposição, laptop para contato com o mundo. A única preocupação é a escola. Mas, chegam os 17 ou 18 anos e o jovem tem seu primeiro estresse: a escolha da carreira. Que caminho seguir em meio a tantos?

Muitos até conseguem ajuda de um profissional ou consultoria que possa traçar suas competências e vocações, e, com isso, conseguem definir o que estudar nos próximos 4 ou 5 anos. O mundo tem se tornado tão rápido e a velocidade da troca de informações também.

Eles começam, então, a trabalhar em um estágio na área ou fora dela. E junto com isso vêm outras responsabilidades e atribuições. Vem o desejo de independência financeira e residencial, ter de se cuidar, trabalhar e sair da asa e do ninho tão protetores e acolhedores dos pais. Sem dúvida, é uma confusão imensa na cabeça. Mas, ainda há a necessidade financeira e o vínculo com os pais, pois suas carreiras ainda não estão definidas, nem têm um salário suficiente. A mentalidade voltada à liberdade já está lá na frente. Aí vem o conflito. 

Ele conflita com ele mesmo, com os pais, os grupos próximos, os amigos, o mundo. Do que esse jovem precisa? Uma família que o ouça, amigos para compartilhar medos e experiências, um par amoroso para trocar carinho e momentos felizes, a ajuda de um especialista (terapeuta ou consultoria) para que suas escolhas sejam corretas.

Assim como o filho da nova geração precisa repensar seu caminho e futuro a ser seguido, os pais precisam reavaliar e pensar junto com o filho. Esses são novos tempos, o ritmo de vida é outro, o mercado de trabalho é outro, os costumes da nova geração são totalmente diferentes dos de seus pais. Eles precisam saber entender essa nova mentalidade e se adaptar a ela. Diálogo é a palavra da vez: pais com os filhos e, se necessário, pais e filhos buscando ajuda de profissionais especializados. Além de ensiná-los, podemos e devemos aprender com eles. A impressão de um filho pronto pode demorar pra mais ou pra menos que no tempo de seus pais.

Os tempos mudam como todos sabem, e temos que saber evoluir com ele, com os pensamentos e modo de agir da nova época. A adaptação constante faz parte da vida de todos. Podemos aprender com nossos filhos e também ajudá-los a pensar e guiar uma parte de sua caminhada. A ajuda mútua deve prevalecer e, com ela, diminuímos essas angústias e incertezas que nos cercam e amanhã nos cercarão novamente, de uma forma que ainda não conhecemos e só a próxima geração vai saber e participar. E você também estará aqui para ver isso, adaptando aos novos tempos o que nosso amigo Chacrinha dizia: quem não se comunica e evolui, se trumbica.

A melhor opção é procurar um conselheiro profissional, descobrir as áreas de estudo pela qual o adolescente tem mais interesse em estudar, ou então, de forma mais prática e dinâmica. A vida é cheia de angustias e incertezas, na vida tudo é baseado na tentativa, podendo o resultado ser o acerto e o erro. Não há como adivinhar. A vida só se vive uma vez e não se acerta sempre. Não há problema em errar, nem em trocar de curso caso não goste, não há como saber o que nos vai agradar de primeira mão. A Geração Y quer tudo pra agora, tem que tomar decisões, mas ainda tão incertas, pois são jovens e não aprenderam muito do que a vida ainda vai lhe mostrar.

Vivien Jeanete Konig - Coordenadora da Unidade Santa Catarina


terça-feira, 22 de julho de 2014

O grande voo das gerações


Ontem, ao navegar na internet por alguns artigos ligados à Gestão de Pessoas, deparei-me com uma série de temas ligados às gerações. Este tem sido um assunto recorrente há algum tempo nas mídias sobre pessoas, incluindo choques possíveis e a melhor forma de se aproveitar jovens talentos, em empresas povoadas por pelo menos quatro gerações de colaboradores. Faço aqui uma primeira reflexão sobre tudo que li: os pontos que são recorrentemente indicados como fundamentais para a geração Y ser produtiva e se manter nas empresas não servem também para a geração X e para os baby boomers, que não necessariamente chegaram ao "topo do mundo"?

Vejam meu ponto de vista: antes de ser uma geração A, B ou C, somos todos humanos que, em sua grande maioria, chegam motivados e cheios de valor para agregar nas empresas (porque acredito veemente que todos chegam motivados para seu 1º dia de trabalho, independente de qual empresa for). E por que este quadro de motivação, desejo de "fazer acontecer", esmorece ao longo do tempo? Exatamente pela ausência de ver sentido no trabalho, de ter perspectivas de crescimento e aprendizado, de reconhecimento, pontos estes que trazem insatisfação e,logo, desmotivam. Uma diferença que percebo entre as gerações: ao contrário da Y, a geração X costuma ser mais leal, não pula de galho em galho.

Ora, se fica mais tempo na empresa pela lealdade, mas sem a chama da motivação acesa, como pode repassar à geração seguinte a energia necessária, ajudar a dar sentido ao trabalho, desenvolver o outro, reconhecer? Minha conclusão: você dá na medida em que recebe. E se percebe que o que tem para dar não é valorizado pela empresa, simplesmente um dia deixa de dar. E esse fluxo vira infinito. Já vi isso acontecer em grandes empresas, mesmo naquelas cujos resultados podem ser explosivos, mas onde existe uma via de comportamento facilmente percebida em parte dos colaboradores: sobreviver na estrutura e tirar dela tudo aquilo que puder (no caso, muitos ficam por conta dos altos bônus e acreditam que isso compensa a falta de significado do trabalho). No meu entender, esta postura é antropofágica e, no longo prazo, traz problemas à saúde, tanto do indivíduo quanto da empresa.

Uma das coisas que sempre me chamou atenção em algumas empresas onde trabalhei foi o "senso de pertencer e de agregar". Acredito, por esta vivência, que é possível a qualquer organização ter os ingredientes para fazer das gerações baby boomers, X e Y grandes expoentes, cada qual com sua gama de responsabilidades. Basta existir a real prática, em efeito "chuveiro", de "dar" e "plantar" para "receber" e "colher". Simples assim! Fica aqui, então, uma sugestão de um grande plano de voo a ser cultivado e praticado em uma empresa que quer ter sucesso e perenidade:

- Demonstre a seus colaboradores que o trabalho que ele está realizando é essencial para o sucesso da empresa: o ser humano costuma se dedicar de corpo e alma ao que faz sentido para ele.
- Deixe claro como o impacto de suas tarefas afetam o negócio da empresa.
- Crie e aplique perspectiva de crescimento e novos desafios.
- Deixe claro quais competências e resultados o colaborador precisa desenvolver e alcançar.
- Acompanhe (de corpo e alma!) com cada colaborador seu plano de desenvolvimento: isso pode amenizar a ansiedade e o sendo de imediatismo, além de trazer mais produtividade.
- Permita que o colaborador aprenda com os mais velhos. Mais do que isso, prepare os mais experientes para a prática do ensinar.
- Reconheça, sempre. Pelos resultados bons ou ruins, mas reconheça. Isso permite que as pessoas cresçam e saibam como fazer a diferença.

É este o grande cunho estratégico para o voo de uma empresa de lideranças fortes e atuantes: criar o efeito cascata de comportamentos positivos, onde todos cresçam, apliquem suas competências e ganhem. E nesta luta, temos que engajar a todos: baby boomers, X, Y e quem mais chegar por aí! Senhores passageiros, apertem o cinto! Nossa aeronave vai levantar voo!

segunda-feira, 21 de julho de 2014

No Meio do Caminho tem Desafios

Hoje, o seu impasse pode ser tornar-se a pessoa que você deseja ser e realizar seus projetos de vida. Mas, com toda a certeza, outros tantos desafios vão aparecer em seu caminho.

Por Roberto Shinyashiki

Na sua vida tudo vai depender da maneira como você vai enfrentar os seus desafios. Quem entrar com medo vai se transformar em mangue, quem tiver coragem e determinação vai virar mar.

Hoje, principalmente com as dificuldades impostas pela vida, em que o excesso de competição está presente em tudo, seja no mercado de trabalho, seja nas relações amorosas, seja no dia-a-dia com os amigos, viver é enfrentar uma seqüência de desafios. Eles surgem a toda hora, no caminho do nosso crescimento. Quando queremos alcançar alguma coisa importante na vida, sempre temos de batalhar para realizar uma conquista.

Você já imaginou o jogador de futebol Ronaldo, o Fenômeno, na sala de Fisioterapia, após mais um problema físico, fazendo o mesmo exercício por horas a fio? Tenho certeza de que em alguns momentos surgiram na mente dele perguntas complicadas, como: para que tanto esforço? Será que vale a pena tanto sofrimento? Será que todo esse sacrifício vai dar resultado? Será que eu não deveria parar de jogar agora que ainda sou jovem, tenho dinheiro e posso aproveitar a minha vida, já que conquistei tudo o que poderia sonhar?

Hoje, o seu impasse pode ser tornar-se a pessoa que você deseja ser e realizar seus projetos de vida. Mas, com toda a certeza, outros tantos desafios vão aparecer em seu caminho. Quer alguns exemplos? Que tal:

Será que devo me casar?
Será que devo ter filhos?
Será que devo montar a minha empresa?

No início, esses impasses serão apenas questionamentos que você poderá responder com um sim ou com um não. Você pode perceber que não tem vocação para ser um empresário, mas sim um pesquisador e decidir trabalhar em uma universidade. Você pode decidir que não quer se casar, ou que não quer ter filhos.

Mas quando o impasse que você está vivendo é “será que eu consigo ser a pessoa que quero ser?”, só existe uma resposta aceitável:

—    SIM! VAMOS EM FRENTE.

Esse mangue tem de ser enfrentado como você já enfrentou outros tantos desafios em sua vida. O primeiro provavelmente aconteceu na sala de parto. Embora não se lembre, posso imaginar o berreiro que você abriu ao respirar sozinho pela primeira vez.

Depois vieram outros atoleiros:
O primeiro dia de aula (Quem são esses desconhecidos, neste lugar estranho?). A primeira noite fora de casa (Será que não é melhor ficar quieto em casa, onde já conheço tudo?). Para alguns, a dor de ver os pais se separando. O primeiro namoro, a primeira transa, o primeiro emprego.

E tantos outros desafios que você precisou enfrentar — alguns com mais prazer e menos sofrimento que outros, mas, sem dúvida alguma, todos despertaram em você o medo da mudança, a insegurança de quem vai dar um passo rumo ao desconhecido e o alívio e a alegria por ter avançado. As coisas que já não lhe servem começam a fazer parte do seu passado, tornando-se apenas lembranças de um momento de mudanças.
 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Negociação 3D

Olho no olho, postura confiante, argumentos afiados. Para James Sebenius, professor de Harvard, os elementos clássicos para conseguir um acordo são insuficientes. Conheça o seu método, batizado de “Negociação 3D”.

Duas irmãs estão brigando por causa de um laranja. Cada uma quer três quartos da laranja, mas há apenas uma fruta na mesa. Aparentemente, não há negociação possível. Mas, investigando a questão, percebe-se que uma das irmãs tem muita fome. A outra, não. Deseja apenas dar sabor a uma receita gourmet. Sob a nova ótica, é possível levantar uma proposta diferente: a casca deve ficar com a irmã que precisa de um aromatizante, e a polpa, com a irmã faminta. James Sebenius, usa essa historinha para explicar que há sempre mais de uma dimensão em uma negociação. Confira o seu método na entrevista a seguir.

O que é negociação 3D?
Ser persuasivo e um bom tático é a primeira dimensão da negociação. São as habilidades interpessoais. A substância ou o resultado é o que nós chamamos de design do acordo — isso é a segunda dimensão. Por exemplo, considere um empreendedor que quer vender seu negócio por US$ 10 milhões. Ele encontra um comprador disposto a pagar US$ 5 milhões. Se cada lado tem uma visão diferente do futuro, uma solução pode ser um contrato em que o comprador concorda em pagar uma quantia fixa imediata e, depois, uma segunda parcela que irá variar de acordo com o resultado da empresa. Já a terceira dimensão são todas as coisas que você faz longe do palco de negociação para estar certo de que terá o cenário mais promissor possível à mesa. Um ótimo negociador é um bom arquiteto de cenário, um bom designer de acordos e um bom tático de resolução de problemas.

Isso exige que o empreendedor busque informações antes da negociação. Como se faz isso?Se você não procurar a informação, não irá encontrá-la. Uma história interessante é a de Tom Stemberg, da rede Staples, que vende material de escritório a preços muito baixos. Inicialmente, ele conseguiu capital para construir algumas lojas-teste, que tiveram muito sucesso. Mas precisava de mais recursos. Stemberg voltou a procurar os fundos de venture capital, mas os gestores não queriam dar muito dinheiro e exigiam um pedaço grande da sociedade. Ele foi então conversar com um consultor especialista em venture capital, que o encorajou a procurar as pessoas que colocaram dinheiro nos fundos investidores das lojas-teste Staples. “Por que você não propõe a elas um investimento direto, para que não tenham de pagar 20% dos lucros para os gestores do fundo?”, questionou o consultor. Foi assim que Stemberg conseguiu ganhar poder de negociação. Depois, voltou aos gestores de venture capital e disse: “Quero seu dinheiro, mas as possibilidades de investimento já estão sendo preenchidas”.

O que essa história tem a ver com negociação 3D?
Apesar de Stemberg ter conseguido ler a linguagem corporal daqueles gestores de venture capital, não conseguiu inicialmente um bom negócio. Não basta olhar para as táticas. Ele, então, questionou: “Quem pode ter motivos para fazer um acordo melhor?” Stemberg rearranjou a mesa. Agiu fora dela para ficar em melhor situação na negociação.

Como a negociação 3D é diferente de formas clássicas de negociação?
Uma das diferenças é que o processo precisa criar valor pela colaboração. Mas isso também não é suficiente. Às vezes, as pessoas só se concentram na criatividade, no relacionamento e em negociações ganha-ganha. Criam bastante valor, mas o outro lado vai embora com a maior parte desse valor. Então, também nos preocupamos com as táticas que ajudam as pessoas a terem acesso a todo o valor que elas ajudaram a criar.

Como antever os obstáculos que podem surgir em uma negociação?
A primeira ação é fazer uma auditoria das barreiras, que é um olhar rápido para aquilo que faz essa negociação ser difícil. Muitas vezes, nos precipitamos e dizemos: o impasse é o preço. Ou a personalidade de alguém. Um negociador 3D pergunta: “O que torna isso difícil? O cenário está errado? Há valor suficiente para fazer a negociação funcionar? As táticas são apropriadas? Há problemas com pessoas?”. É necessário um scan 3D do cenário, do acordo e das táticas. Verificar quais são as barreiras e depois fazer movimentos na mesa ou fora dela para ultrapassá-las.

Como é possível saber quando o empreendedor está em desvantagem ou deve deixar a negociação?
Um erro comum é se concentrar na negociação em si, até que a situação fique difícil, e depois tentar descobrir o que fazer. Os negociadores mais eficazes se perguntam, antes de entrar na negociação: “O que farei se não houver acordo? Quais são as minhas opções de desistência? Há parceiros alternativos?”. É preciso pesar sempre os dois possíveis resultados — acordo e não-acordo. Quando o não-acordo parece melhor, você se afasta da negociação. E, mesmo quando o acordo parece melhor, mas o outro lado acha que você está confortável com a possibilidade de desistir, isso dá um grande aumento no seu poder. Se eles percebem que você nunca vai desistir, é muito difícil negociar.

Por Mariana Iwakura

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Supere o tédio da carreira

Por James Gonyea

Se você faz as mesmas tarefas no mesmo trabalho há muito tempo, provavelmente já ficou exausto alguma vez. Se você tiver sorte, isso ocorrerá com pouca frequência e poderá ser resolvido com um hobby ou passatempo favorito. No entanto, para muitas pessoas, o tédio pela carreira ocorre com mais frequência e dura mais tempo. Por que isso acontece? 
 
Os psicólogos dizem que o cérebro humano precisa de estímulo sempre e em constante mudança. Não me levem a mal, mas o cérebro humano aprende por repetição. Desse modo, o cérebro fica cansado depois de aprender uma tarefa ou conceito e quer partir para outros caminhos.
 
A chave para superar o tédio da carreira está relacionada, pelo menos parcialmente, com o modo como você usa sua experiência profissional. Isso dará ao cérebro uma oportunidade de lidar com algo novo e diferente e trará benefícios a você, gerando outras enzimas químicas que lhe darão uma sensação de bem-estar.
 
Veja, abaixo, 10 atividades para estimular seu cérebro usando sua experiência profissional e suas habilidades de modos diferentes do seu trabalho diário normal. Avalie a possibilidade de realizar essas sugestões a princípio por algumas horas, como um projeto de aprimoramento de carreira. Depois, se as sugestões escolhidas servirem de inspiração para você, pense em realizá-las por tempo integral.
 
• Escreva um livro: transforme seu conhecimento profissional em um romance, um manual de treinamento técnico ou um livro didático.  

• Faça palestras: procure falar sobre sua carreira e sobre os desafios relacionados e as soluções em vários encontros profissionais. 
 
• Faça consultoria: ofereça seus serviços como consultor para empresas pequenas que não podem pagar especialistas internos.  
 
• Use seu tempo no serviço voluntário: pense em trabalhar como voluntário em escolas e universidades locais para ajudar os estudantes a entender melhor seu campo de atuação e como desenvolver as habilidades necessárias para terem sucesso no futuro.  
 
• Ensine: entre em contato com escolas, universidades, institutos técnicos e empresas de treinamento independentes locais e se ofereça para ministrar cursos relacionados com sua experiência profissional.  
 
• Transforme-se em um instrutor de carreira: ofereça-se para ensinar jovens profissionais em seu campo de atuação a fim de orientá-los em um caminho mais bem-sucedido.   
 
• Forme uma associação: seguindo as leis do seu estado, crie uma associação profissional dedicada a compartilhar conhecimento e experiência com colegas. 
 
• Publique um boletim informativo ou um jornal: pesquise um grupo de colegas para constatar quais são os principais problemas do seu campo de atuação. Desenvolva soluções e publique suas descobertas em um boletim informativo ou jornal que circulará entre seus colegas.   
 
• Inicie sua própria empresa: encontre um segmento da população que atualmente não é atendido por empresas do seu campo e crie sua própria empresa, mesmo se você oferecer uma única operação, para fornecer os serviços ou produtos necessários para esse segmento.   
 
• Transforme-se em um demonstrador do produto ou serviço: determine quais empresas do seu campo de atuação estão produzindo os produtos mais interessantes para o mercado de amanhã. Entre em contato com elas e se ofereça para demonstrar os produtos delas (mediante uma taxa) em encontros locais, estaduais, regionais e nacionais. 


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Missão da empresa X missão do indivíduo


Como um indivíduo pode se tornar um líder? E como seus objetivos pessoais são os mesmos da empresa?

A leitura do romance épico Musashi de autoria de Eiji Yoshikawa, sobre a vida do mais famoso samurai japonês do século 17, é uma obra que compõe de forma magistral os duros estágios pelos quais tem de passar um guerreiro para alcançar a perfeição técnica, e através do cultivo de princípios do zen-budismo, alçar a linhagem de maior e mais sábio dos samurais.

"... Seja como for, não permitirei a mancha em minha honra servindo a um segundo amo apenas para livrar-me das auguras. Que meus filhos sigam os passos do pai, honrem seu nome e não o vendam por um prato de comida". Testamento de um samurai - Miyamoto Musashi.

A época do samurai Musashi é tão próximo e real para o japonês moderno como o é a guerra-civil para o norte-americano, ao contrário o estereótipo de "animal econômico" e de orientação coletiva do japonês moderno, na verdade, mostrando esses como m grupo de centenas de milhares de samurais, ferozmente individualistas, autodisciplinados, esteticamente sensíveis e princípios elevados.

Musashi viveu no ápice dos samurais, em seu início era somente mais um pequeno selvagem com prática em esgrima, procurando honras e fama através de combates contra outros espadachins. Porém, quando é capturado por um monge zen-budista, ficando três anos confinado numa masmorra, sem outras alternativas, inicia o processo de reflexões e leituras que o fizeram enxergar um novo sentido para sua vida, assim como novos usos para sua força e habilidades descomunais, trilhando assim um caminho de busca pela perfeição espiritual e marcial (YOSHIKAWA, 1999).

Segundo Covey (2004, p.130), a missão pessoal baseada em princípios corretos torna-se o mesmo tipo de modelo para o indivíduo. Funcionando como uma constituição pessoal, uma base para tomadas de decisões importantes, cruciais em sua vida. E uma base para a tomada de decisões cotidianas, em meio ao turbilhão de circunstâncias e emoções que afetam sua vida. Ela confere ao indivíduo a mesma força eterna, nos momentos de mudança.

Ou seja, o samurai tornou-se líder de sua própria vida quando utilizando dos princípios do Budismo, escreveu sua própria missão, a busca pela perfeição espiritual e marcial. Observando atentamente para a missão, notamos que quando o ser adquire este senso de missão, conquista a essência de sua própria pró-atividade, passa a comandar ao invés de ser comandado pela vida, através de sua visão (capacidade de ver a frente ou se concentrar no agora) e em seus valores (certo e errado) o mesmo dirige sua vida.

Passa a ter o ponto de partida básico, a partir do qual estabelece metas de curto e longo prazo, tendo assim a força semelhante a uma constituição baseada em princípios corretos, para servir eficazmente de padrão de comparação ao uso mais eficaz do tempo, dos talentos e da energia nesse momento acontece à transição, onde o guerreiro samurai inicia uma longa jornada de autoaperfoiçamento.

Segundo Covey (2004, p.160), a liderança pessoal não é uma experiência isolada, ela não começa e termina só na identificação da missão. Pelo contrário, trata-se de um processo contínuo de fixação da óptica e dos valores que se encontram a frente, ter em mente uma boa afirmação (positiva, pessoal, voltada para o presente, visual e emocional).

Ao analisar o que de fato o indivíduo ou empresa faz e os seus anseios, identifica claramente quais são suas metas, as metas fornecem a estrutura e a orientação precisa para identificar se o indivíduo está dentro ou fora da missão pessoal.

Problemas acontecem quando o indivíduo ou a empresa não entende sua própria missão, lutando somente para se tornar mais eficaz na vida é o fato de não pensarem de modo suficientemente abrangente, perdendo o senso de proporção, o equilíbrio, a natureza de ter um ambiente pleno e satisfatório, exemplo de descolamento de missão é o funcionário que é consumido pelas extensas horas extras na empresa, deixando de lado os relacionamentos sociais, fazendo isso em nome de sucesso profissional, e perdendo os relacionamentos mais preciosos da vida.

O autor Covey (2004, p.168), diz que declaração de missão é vital para organizações bem-sucedidas, desenvolver a missão da organização deveria ter o envolvimento de todos e de modo significativo - não somente dos altos escalões do planejamento estratégicos, mas todos. O envolvimento dos colaboradores no processo vai determinar a qualidade do produto final e se torna um dos fatores mais importantes para garantir a eficácia da missão.

Ilustremos o exemplo da empresa IBM que possui três pilares enfatizados desde o treinamento de um colaborador ou prestador de serviço. Inicialmente a IBM acompanha o processo de treinamento existente na empresa, onde é ensinado que a mesma preza três coisas: dignidade do individuo, excelência e dedicação, ou seja, todo o resto pode mudar: clientes, produtos, processos e até mercado, mas estes três pilares não mudarão, criando uma espécie de osmose deste conhecimento que passa de colaborador para colaborador.

Estes pilares representam o sistema de crenças e valores da IBM, fornecendo uma base na formação de cultura organizacional, ações de liderança, e a estabilidade profissional compartilhada por aqueles que lá trabalham.

Manter uma missão não é somente preencher um quadro com frases bonitas e de efeito, é preciso ação. Voltando ao exemplo da IBM o autor Covey (2004, p.169), conta como em uma de suas palestras no na IBM de Nova York havia um funcionário que passou mal e foi levado ao melhor centro médico da região. Porém, como o mesmo morava na Califórnia e sua mulher estava alarmada pelo fato de não ter o marido perto, a IBM junto da família do colaborador decidiu mandá-lo de volta para casa, reservando outro excelente hospital californiano. Os custos com alocação, passagens, remédios, residência devem ter ultrapassado a faixa dos milhares de dólares, mas a IBM acreditou na dignidade do individuo, mostrando que está bem fixada no seu pilar.

O autor Covey (2004, p.169), desmistifica o motivo do fracasso de algumas organizações. Um dos problemas fundamentais das organizações é que as pessoas não comprometem com as determinações que outras pessoas fazem para suas vidas. Elas simplesmente aceitam para se medir a aderência de uma declaração de missão são levantadas as seguintes perguntas: 

- Quantas pessoas aqui dentro sabem que vocês têm uma missão?
- Quantos de vocês sabem o que ela contém?
- Quantos de vocês estiveram envolvidos em sua criação?
- Quantos de vocês realmente acreditam nela e a usam como quadro de referências ao tomar decisões?

O autor Covey (2004, p.169), continua sua análise sobre fatores de sucesso na aderência da missão, desenvolvendo a seguinte frase: "Sem envolvimento não há comprometimento. Podemos muito bem dar metas e uma missão aos colaboradores, se acabaram de entrar na empresa, muito irão cumpri-la, porém quando as pessoas se tornam mais maduras, elas desejam o envolvimento, o envolvimento significativo. E se não o possuem (o envolvimento desejável), não aceitarão mais estas metas impostas, criando um problema motivacional grave, a organização que deseja colaboradores trabalhando com uma família vai precisar de tempo, paciência, habilidade, envolvimento, coragem e a integridade para harmonizar sistemas, estruturas e estilos de visão distintos, fundamentando estes em pilares (tais como a IBM fez) criando uma cultura de valores verdadeiros".

Uma missão organizacional que reflete os valores e a visão mais profundos compartilhados por todos que pertencem à organização - cria uma grande unidade e um imenso envolvimento. Gera na mente e no coração das pessoas um quadro de referências, um conjunto de critérios e orientações, por meio dos quais eles poderão governar suas vidas, em harmonia com o âmago imutável que caracteriza a organização.

Sem uma missão pessoal plenamente desenvolvida e constantemente utilizada o samurai Musashi teria vivido e morrido como mais um medíocre espadachim de sua era, mas ao adotar para si a missão de se aperfeiçoar continuamente, transcendeu, superando obstáculos e indo além, no fundo a escada para o sucesso estava dentro de sua própria mente.