sexta-feira, 6 de março de 2015

Devemos investir em treinamento?

Por Jeremias Oberherr

“Nos tempos medievais, se você não fosse o rei, teria grande dificuldade em se torna um. Se não tivesse capital no começo da Revolução Industrial, as possibilidades de consegui-lo eram, na verdade, muito poucas. Mas, hoje, qualquer rapaz de jeans tem condições de criar uma corporação que pode mudar o mundo. No mundo moderno, informação é a riqueza dos reis. Aqueles que têm acesso a certas formas de conhecimento especializado podem se transformar e, de muitas maneiras, transformar o mundo inteiro”. Anthony Robbins.

Conhecimento, informação e treinamento é o melhor investimento que pode ser feito em você ou na sua empresa. Por quê?
Certa vez, ao prestar um serviço de consultoria, uma empresa me questionou sobre o porquê investir em treinamento. E se meu colaborador resolver sair e trabalhar em outra empresa, estaria treinando ele para o concorrente? Pensei e fiz a seguinte pergunta: Vamos supor que, o senhor não invista no treinamento de seu colaborador, ele não esteja qualificado e bem preparado para prestar um bom serviço e um ótimo atendimento, e ele fique trabalhando na sua empresa. Qual será o maior prejuízo?
Algumas organizações ainda têm como prioridade investir em equipamentos, estruturas, tecnologias, marcas e aparência e esquecem o ponto mais importante para que qualquer empresa sobreviva, cresça e atinja suas metas, o ser humano. O treinamento voltado à qualidade, ao comprometimento e à motivação dos colaboradores ainda é pouco valorizado pelas empresas na atualidade. Por outro lado, vemos esses colaboradores fazendo esse investimento por usa própria conta.
De acordo com o especialista em treinamentos empresarias David Fadel, é indispensável treinar e ter um plano de continuidade, pois a única coisa que faz a diferença em qualquer segmento são as pessoas.
Se seu negócio é na área comercial. Você já deve ter ouvido em algum lugar alguém comentando sobre a famosa estatística de que um cliente insatisfeito ou mal atendido pode influenciar de forma negativa, pelo menos, mais onze pessoas que poderiam ser seu cliente também. Eu particularmente acho que um cliente insatisfeito pode causar mais prejuízo para meu negócio do que apenas perder clientes em potencial. Mas a boa noticia é, que um cliente feliz e bem atendido influencia de forma positiva, pelo menos, uma nova pessoa que poderá ser seu cliente. Prefiro ganhar um cliente, em vez de perder doze.
Mas se sua empresa é na área industrial nosso assunto, treinamento, faz muita diferença, pois um funcionário deve estar bem treinado e comprometido com a empresa. Um funcionário mal treinado e desqualificado, seja qual for sua função, pode trazer muito prejuízo pelo fato de não ter um ótimo aproveitamento no serviço prestado.
Treinamento e qualificação de colaboradores é um investimento que o retorno não se vê, mas, se percebe. Empresário, quando foi a última vez que sua empresa dedicou tempo para treinamento de equipe? Amigo profissional há quanto tempo você não lê um livro ou participa de algum curso? Pense nisto, desejo a você tudo de bom e muito mais.


5 maneiras para você detonar a sua carreira

Diz o filósofo que excelência não é aquilo que você faz uma ou duas vezes e sim aquilo que você faz repetidamente. A falta de excelência é a mesma coisa, isto é, aqueles erros que você comete várias vezes e que acabam com a sua imagem profissional, resultando uma carreira que não evolui para patamares mais elevados na organização.

Gostaria de destacar cinco maneiras que detonam qualquer carreira e que talvez estejam detonando a sua: 

1- Seja um “reclamão”

Para conseguir uma estagnação completa no seu trabalho seja aquela pessoa que vive reclamando de tudo na empresa, dizendo que o seu chefe não colabora, que a equipe é incompetente e que a organização não contribui de forma efetiva com o seu trabalho. Reclame também do cliente, aquele cara, que paga o seu salário. O “reclamão” é aquela pessoa que vê defeito em tudo e não faz nada para mudar aquilo que ele reclama. 

2- Não dê resultado para a empresa

Outra forma fantástica de ser esquecido num canto da empresa é você ser um “passivo”, isto é, ser uma pessoa que apenas traz despesas para a empresa. Se as suas atividades não fazem a empresa gerar dinheiro ou economizar dinheiro, saiba que você está no caminho certo para o esquecimento completo.

3- Não seja um “resolvedor” de problemas

Para potencializar ainda mais a sua estagnação não resolva nenhum problema, a menos que lhe solicitem, isto mesmo, fique na sua, se o seu radar detectar uma situação problemática finja que não é com você e apenas se manifeste quando for solicitado. Ahh … reclame pelo problema ter aparecido.

4- Não busque situação de aprendizado.

Este é um dos pontos mais importantes para que você fique paralisado anos na sua carreira. Não leia livros, não assista palestras e em hipótese alguma faça treinamentos. Continue fazendo as coisas sempre do mesmo jeito. Por favor, não procure fazer mais rápido, mais barato ou com mais qualidade as suas atividades.

5- Ande com os perdedores

Afaste-se dos talentos que existem na organização, pois eles podem te contaminar com o entusiasmo deles, levando você a ficar com vontade de não fazer os quatro pontos acima. Ande com as pessoas que vivem reclamando, que não dão resultados e que não resolvem problemas. Acredite, se você andar com os profissionais extraordinários você poderá ter uma recaída e ficar com vontade de estudar para fazer as suas tarefas com mais eficácia.

Garanto a você que seguindo as orientações acima a sua carreira ficará completamente impedida de qualquer sucesso e que você será o primeiro a ser lembrado em uma situação de corte dentro da empresa.

Ricardo Piovan – Palestrante


Colaboração: Jorge Pedro  -  Assessoria em RH

quarta-feira, 4 de março de 2015

O líder, a decisão e sua equipe

Ouvimos todos os dias exemplos e informativos de que o Líder prepara para decidir. E é com esse enfoque que pretendo fazer uma comparação da teoria com que, de fato, acontece na realidade das empresas. 

Quando lemos ou estudamos o papel do líder nas organizações, quase sempre observamos sua responsabilidade com o time e com o crescimento do mesmo. Sua atuação não está mais baseada na busca pelo melhor no seu trabalho, e sim no atingimento do resultado através da sua equipe, considerando, essencialmente, a potencialidade do papel de cada membro.

E quando perguntamos aos comandados o que eles esperam do seu gestor, suas expectativas neste sentido podem ser traduzidas pela necessidade de alguém que os ajude a desenvolver certas habilidades e competências.
Por mais que na teoria saibamos que, para a realização de nossas atividades com qualidade, não existe a necessidade de um Gestor, na prática a evidência é outra. O Gestor, definitivamente, é responsável pelo sucesso ou não do time e pelos resultados da empresa.

O Líder não, necessariamente, irá agradar a todos, pois seu papel não é ser o mais querido e sim o mais eficiente no direcionamento do seu grupo. Porém, quando olhamos para as organizações, podemos encontrar diferentes perfis de líderes.

No cotidiano das empresas, observamos, com maior freqüência, que existem Gestores que apresentam comportamentos de tomada de decisão centralizadora e diretiva. Geralmente, esse tipo de comportamento faz as pessoas mais ousadas ou criativas se sentirem limitadas e insatisfeitas.
Atualmente, infelizmente, são poucas as empresas que podem se considerar competentes no desenvolvimento da alta gestão. As pessoas ganham poder, porém lhes falta a capacidade para liderar. 

Os profissionais com cargo de liderança, quando questionados, caracterizam-se como verdadeiros gestores de pessoas. Porém, quando você observa a comprovação dessas competências em membros de sua equipe, sente falta de indicadores precisos e convincentes que comprovem essa competência no dia-a-dia.

A equipe será o resultado das atitudes e decisões de sua gestão. A concordância não é sinônimo da melhor decisão, porém o Líder precisa ser inteligente para achar a melhor opção e também ser humilde para confessar e aceitar que nem sempre sua decisão é a melhor e a mais acertada. 

O líder precisa ser, basicamente, um homem que demonstra energia e confiança, conseguir avaliar a equipe o tempo todo, não ter medo de tomar decisões nada populares, ter visão de futuro. Precisa saber sonhar e, ao mesmo tempo, fazer acontecer.

Ticiana Canto


terça-feira, 3 de março de 2015

Desenvolva habilidades de liderança em qualquer emprego

Seja qual for o seu cargo, as habilidades de liderança são valiosas para progredir em sua carreira e assumir posições de liderança. As empresas e funcionários inteligentes sabem que é vital para a sobrevivência da organização cultivar habilidades de liderança em todos os níveis. 

Prepare-se para o seu futuro 

Durante a carreira, você adquirirá uma infinidade de habilidades de liderança, mas as dicas a seguir deverão lhe proporcionar um bom ponto de partida:

·         Demonstre entusiasmo: tanto a energia pessoal quanto o desânimo são contagiosos. Seja qual for a tarefa, execute-a com um senso de urgência. Quando os outros perceberem, também ficarão entusiasmados.

·         Transmita otimismo: a negatividade no ambiente de trabalho é destrutiva. Seu patrão não quer saber o que está errado com um projeto; ele quer ouvir suas sugestões para melhorá-lo.

·         Seja flexível: ninguém sobrevive no mercado atualmente se resistir às mudanças. Mostre que você consegue lidar com as mudanças oferecendo-se para um novo projeto ou ajudando outros a mudar.

·         Coopere: como as empresas precisam fazer mais com menos recursos, o trabalho em equipe é essencial. Se você insistir em fazer tudo da sua maneira ou controlar os outros, sua carreira estagnará.

·         Seja criativo: que processo pode ser melhorado? Como você pode facilitar as coisas para os clientes? Use sua criatividade para aprimorar continuamente os processos e você se destacará.

Sua primeira função de liderança requer habilidades especiais 

Tendo sido convocado para assumir uma função de liderança, você terá que fazer alguns ajustes no seu repertório de habilidades:

·         Delegue sempre que possível. Atribua projetos aos funcionários adequados e não tente controlar tudo o que eles fazem.

·         A dedicação é uma habilidade crucial em sua primeira função de liderança. Oito horas de trabalho não são suficientes para mostrar dedicação. Gaste pelo menos 12 horas por dia no seu trabalho ou buscando o aprimoramento pessoal.

·         Contrate pessoas que complementem suas habilidades. Você limitará suas realizações se contratar somente pessoas parecidas com você. Ao contratar indivíduos que possuem habilidades diferentes das suas, você ultrapassará suas metas.

·         Peça conselhos aos colegas. Ao assumir pela primeira vez uma posição de liderança, você não sabe tudo. Identifique seus colegas mais respeitados e pergunte-lhes como obtiveram sucesso.

·         Apoie seus subordinados. Demonstre que confia neles e eles serão dignos de confiança.

Avançando para o próximo nível 

Tendo demonstrado que está apto para progredir, você precisará de um conjunto adicional de habilidades para ter sucesso:

·         Visão: Ray Kroc, fundador do McDonald’s, tinha uma visão extraordinária. Em 1954, ele viu o quiosque de hambúrgueres dos irmãos McDonald na Califórnia e percebeu que poderia criar um negócio vendendo hambúrgueres por US$ 0,15. Ao longo dos anos, ele definiu o ritmo do setor de fast food. Seja visionário e compartilhe sua visão com todos os empregados.

·         Torne-se um mentor: assim como aprendeu ao longo do percurso, você deve compartilhar esses conhecimentos com outros. Procure funcionários entusiásticos e invista algum tempo cultivando-os.

·         Comemore os sucessos com seus empregados: nada é mais inspirador para uma equipe do que saber que você reconhece o trabalho duro de todos.

·         Dê algo em retorno à comunidade que o tornou bem-sucedido: envolva-se com a comunidade local, fazendo doações e participando de trabalhos voluntários. O que você der voltará em dobro para você.

·         Não faça propaganda de si próprio: outros estarão falando de você, o que o fará parecer mais bem-sucedido. Seja grato pelo reconhecimento, mas permaneça humilde.

Se você começar a cultivar suas habilidades de liderança, a ascensão profissional será muito mais fácil. Se observar quantas vezes fornece orientação no trabalho, você perceberá facilmente que é um líder, seja qual for o seu cargo atual.

Por Cheri Swales


segunda-feira, 2 de março de 2015

Quais são os maiores desafios das empresas hoje em relação ao comportamento das pessoas?

Pesquisas recentes mostraram que 78% das pessoas que trabalham no Brasil não dão o seu melhor. Ora, num cenário onde a concorrência é cada vez maior, fica claro que muitas vezes o sucesso não chega porque a empresa não conseguiu obter o real comprometimento das pessoas que ali trabalham.
E as pessoas não fazem isso por má índole, elas fazem isso porque caíram na rotina, porque não se sentem valorizadas, porque não vislumbram voos maiores para alçar em sua jornada.
Talvez o maior de todos os desafios seja esse: fazer com que cada um que trabalha com a gente queira dar o seu melhor. Isso envolve algumas coisas como:
1- Sistemas de remuneração que valorize quem consegue melhores resultados e pelos objetivos da empresa terem sido alcançados;
2- Perspectiva de crescimento, seja em promoção ou em aumento de salário. Se não existe nada melhor no futuro para ser obtido, as pessoas farão o mínimo necessário só para manterem o emprego;
3- Capacitação das pessoas, pois não existem mais pessoas prontas livres no mercado, daqui para frente vai ser preciso que cada empresa forme as pessoas que necessita;
4- Um ambiente alegre, feliz, aonde as pessoas tenham prazer em ir trabalhar quando acordem;
5- Um líder inspirador que saiba elogiar quando for merecido e que quando precisar ser crítico faça isso de uma forma respeitosa.
Por Eduardo Tevah

Colaboração Jorge Pedro

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Agonismo Corporativo

Paralelamente a todas as questões teóricas levantadas sobre a liderança, ocorre no cotidiano corporativo uma série de desafios à competência do líder que precisam ser considerados. 

Em sua crítica ao livro "The Argument Culture", que propõe a cultura norte americana como uma cultura de argumentação, Jonathan Rauch (correspondente do The Atlantic e colunista do National Journal) propõe uma interessante questão que deve ser considerada por todos os profissionais que exercem a liderança: o "agonismo".

A expressão comportamento agonístico deriva da observação do comportamento no mundo animal caracterizado por: agressão,defesa e evitação.

Estas três características do comportamento do mundo animal não se restringem às questões meramente instintivas e a automatismos; no homem, animal racional, estes comportamentos adquirem requinte e sutilezas muito particulares.

Portanto, estes são três fatores de enorme relevância para observarmos dentro do universo corporativo, o­nde vamos encontrar, em uma grande parte das interações, as três atitudes mencionadas.
Estamos vivendo uma patologia corporativa onde predomina o contato verbal meramente ritual. É comum encontramos pessoas que, em um nítido automatismo comportamental, radicalizam questões que permitem múltiplas abordagens a uma posição polarizada o­nde mais que a solução, buscam a vitória do ego! Este comportamento, quando se generaliza dentro de uma organização, dá origem ao agonismo corporativo.

Alta performance e excelência, para citar duas questões-chave nas organizações modernas, pressupõem interações de qualidade voltadas para resultados que interessem à organização e, não, particularmente aos egos dos indivíduos isoladamente.

Uma enorme quantidade das interações diárias entre profissionais acaba ocorrendo sob a esfera da agressão camuflada. A agressão não precisa ser explícita ou escancarada, ela pode ocorrer de forma verbal ou não-verbal: desconsiderar pontos de vista, não ouvir atentamente as pessoas, subestimar sua inteligência e contribuições, interromper prematuramente suas exposições, manter uma postura física ou expressão facial de superioridade são algumas entre tantas poderosas formas de agressão.

Outras tantas interações se dão na esfera da defesa. As pessoas, sob pressão, sentem-se continuamente ameaçadas e não suficientemente adequadas. O ambiente extremamente competitivo e tenso faz com que o número de vezes que as pessoas são expostas a elogios seja menor que o número de vezes que recebem atitudes frias, indiferentes ou, simplesmente, de cobrança e não valorização.

Isto as torna defensivas e sempre mais preocupadas com as justificativas que terão que apresentar do que, verdadeiramente, com os objetivos que têm por alcançar.

Nestas circunstâncias, tem início a evitação a determinadas pessoas, tarefas, assuntos. Aos poucos, as pessoas deixam de dar as contribuições que poderiam, e passam a preferir interações superficiais, mascaradas por uma "política da boa vizinhança", que está longe, longe mesmo, de agregar valor às pessoas, projetos e negócios por elas desenvolvidos.

A agressão, mesmo quando não explícita; a defesa desnecessária, e a evitação crônica, são sintomas claros que remetem a um diagnóstico preciso: as lideranças estão falhando em uma de suas premissas básicas que consiste, dentro da sociedade do conhecimento, em tornar o trabalho uma fonte de prazer e de realização profissional e pessoal e, através desta postura, adaptar as práticas organizacionais às constantes mudanças de cenário. Cabe às lideranças o papel estratégico de estabelecer o clima e atmosfera necessária para que ocorram as mudanças organizacionais, buscando eliminar todas as barreiras que fortalecem a resistência à mudança, tão característica do comportamento humano!

Se estas questões não forem vencidas estaremos permitindo que o agonismo se instale e que as relações e interações entre pessoas e talentos tornem-se meros rituais políticos, desprovidos de prazer e autorrealização.
O grande desafio da liderança sempre foi e sempre será: fazer com que cada um dê o melhor de si em proveito de todos!

E para que isso ocorra, não podemos permitir que as interações empobreçam a ponto de serem apenas manifestações ou variações de atitudes de agressão, defesa ou evitação.

Cuidar dos aspectos psicológicos e comportamentais envolvidos nos relacionamentos profissionais equivale a investir na obtenção dos melhores resultados que as pessoas podem propiciar ao negócio.

Por Carlos Hilsdorf

Site: www.carloshilsdorf.com.br  

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

AUTO-CONHECIMENTO: UM PRIMEIRO PASSO RUMO AO PATAMAR DO RESPEITO

Carolina Ioca

Vivemos em um mundo marcado por fortes exigências. Se você está dentro dos padrões da moda, por exemplo, sofre para manter-se dentro deles. Se você está fora, sofre preconceito (ou coisa do gênero) por não estar dentro. E assim ocorre em todas as esferas, inclusive na economia: se não estamos do lado dos EUA, adeus FMI; e se estamos, não há garantias de que continuaremos a "lucrar" enquanto um país separado e diferenciado do "todo poderoso".

Diariamente sofremos fortes pressões para que nos comportemos de uma determinada maneira. E essas pressões chegam a nós, na grande maioria das vezes, através de um veículo extremamente necessário na atualidade: a mídia.

A mídia enquanto mídia não nos oferece risco algum. Ela está lá, simplesmente cumprindo seu papel. O risco está na forma como a maioria das pessoas se utiliza dela. Padrões de comportamento são ditados e, com isso, uma massa manipulável torna-se submissa aos desejos e vontades desta "vilã".

Sem se questionarem, as pessoas começam a agir da forma como DEVEM agir, mas não necessariamente QUEREM agir. A exemplo disso, temos o mito do corpo perfeito. Com o objetivo de se parecerem com as imagens das modelos corrigidas pelo Photoshop, as pessoas estabelecem uma relação nada saudável com seus corpos. Estes, ao invés de serem vistos como parte da natureza humana, são vistos como obstáculos: coisas que impedem a felicidade daqueles que não são "deuses(as) da era da informática" e, a troco de uma imagem vendida, as pessoas não se alimentam corretamente, levantam mais pesos do que seus corpos são capazes de suportar, ingerem uma alta quantidade de anfetaminas, etc. Um outro exemplo de padrão ditado que leva a pessoa à cegueira é o caso do "bom samaritano". Todos, indistinta e fervorosamente, devem praticar o bem e ter atitudes e pensamentos positivos acima de tudo, mesmo que seja para com o seu pior inimigo ou em uma situação crítica da vida da pessoa. Com isso, sentimentos como a raiva, a tristeza e o ressentimento passam a ser vistos como sentimentos a serem reprimidos, pois não pertencem à natureza humana...

Da mesma forma como um maremoto faz parte da magnitude dos mares, o terremoto faz parte do esplendor das terras. Com o ser humano as coisas não poderiam ser diferentes, pois fazemos parte da natureza que compõe o planeta.

Certamente as pessoas se esquecem disso, julgando-se mais importantes do que todos os outros seres. E, de tão importante que são, acabam se achando no direito de destruir, dia após dia, sua morada (corpo físico e planeta).

Essa falta de respeito se dá não somente em termos de morada, mas também em termos de idéia, pois para serem "politicamente corretas", as pessoas passam por cima dos seus sentimentos, sonhos, ideais... E, inquestionavelmente, agem de acordo com o que lhes é vendido, haja vista a atividade de venda ser uma das mais importantes missões de um ser na Terra. Produzir e consumir: o que mais há de tão importante a não ser obter um status através do seu diploma ou do carro do ano?

Nossos sentimentos foram levados ao nível do banal e a razão está cada vez mais valorizada. Entretanto, sentimento e razão encontram-se em planos completamente distintos: não podemos lidar com os sentimentos da mesma maneira como lidamos com a razão, pois a última é controlável ao passo que o primeiro não. A razão tem grande importância para nós: ela coloca um foguete no espaço e nos permite colocar um texto na Internet (entre outras coisas). A questão também não é a razão, mas sim a forma como as pessoas a valorizam e se esquecem de serem simplesmente seres humanos, com pólos positivos e negativos, não se esquecendo de que são compostas por ambos.

Se reprimirmos nossos sentimentos, o significado que eles carregam acaba por se expressar de outra maneira (nem sempre tão saudável): através de uma doença física ou psíquica, por exemplo. E também não adianta tomar Prozac toda vez que uma depressão vier. Claro que a depressão não é bem aceita dentro da nossa sociedade capitalista: ela faz com que a pessoa se interiorize e passe a ver coisas que, durante a correria do dia-a-dia, ela não conseguiria ver. Por isso, um tempo a essa pessoa é necessário. Mas nenhuma pessoa, empresa ou família espera a recuperação de um processo depressivo para então voltar a ser útil (produzir). E a maioria das pessoas também não espera uma interiorização, pois muitas coisas que foram ignoradas são então encaradas. Na opção de unicamente tomar remédios, deixa-se de entender a função daquela doença na vida do indivíduo.

Alguns médicos já estão olhando o indivíduo como um todo, não somente como um órgão ambulante doente que precisa de remédio para sarar. E isso é de suma importância para que a cura (ou a melhoria de um estado de vida) se efetive e essa consciência de "ficar doente é feio" assuma um outro significado dentro da nossa sociedade.

Com muito esforço, há uma maneira de se escapar desse ciclo de compra e venda de padrões: auto-conhecimento. A partir do momento que se compreende o significado de determinada situação em nossas vidas, passa-se a observar mais, a se respeitar mais, a esperar mais (diminuindo a ansiedade) e, conseqüentemente, isso se reflete às pessoas que nos cercam. Este auto-conhecimento pode ser obtido através de terapia (individual ou em grupo), meditação, pintura, música, anotações de sonhos, dança, caminhada, um esporte radical ou qualquer outra atividade que toque o indivíduo. Isso sem contar as experiências mais profundas, que não podem ser descritas em palavras por serem indescritíveis. Enquanto tentarmos permanecer dentro de padrões, estaremos passando por cima da essência humana. E para que possamos nos aceitar da maneira como somos, precisamos (necessariamente) nos conhecermos. É através do auto-conhecimento que começamos a questionar os valores que nos cercam, modificamos nossas atitudes em relação aos outros e deixamos de andar em cima da linha traçada para que possamos ser diferenciados (não massificados).

Obviamente nenhuma mudança é fácil ou agradável, mas afinal de contas, qual o sentido da vida? Ela serve para que coloquemos nossas aspirações financeiro-profissionais acima do nosso desenvolvimento pessoal? Serve para vestirmos a máscara da perfeição e não abrimos mão dela?

Essas questões são certamente polêmicas, pois muita gente julga isso como sendo bobagem ou coisa do gênero. Mas, justamente por serem polêmicas, devem ser pensadas, sem necessidade de parâmetros ou regras, já que cada vida possui o brilho que pode ter, assim como cada flor se diferencia pelo perfume que exala ou pela cor que exibe. Uma rosa não pode ter pétalas de margarida (por mais que ela queira), caso contrário ela não será uma rosa. Se a mãe-natureza respeita isso, então também podemos aprender a nos respeitar (através da observação de sua sabedoria ou de qualquer outro meio que nos proporcione um contato com o nosso íntimo).