sexta-feira, 24 de março de 2017

Fazer o que gosta

Você já experimentou degustar alguma guloseima preparada por quem realmente gosta de cozinhar? É muito diferente da comida preparada por alguém que, mesmo trabalhando como cozinheiro, aceita esse trabalho como uma única opção para sobrevivência, sem realmente gostar do que faz.
O mais incrível é que, mesmo se ambos utilizarem ingredientes iguais e seguirem o mesmo modo de preparo, é sensível a diferença no sabor e na apresentação do prato. Isso se dá por existir um pequeno diferencial entre os dois casos: Fazer o que gosta.
Se você trabalha naquilo que gosta, é certo que os resultados serão melhores.
É como colocar alguém que tem grandes habilidades de comunicação e relacionamento para trabalhar no setor fiscal de uma empresa, controlando documentos, sem nenhum contato com outras pessoas. Imagine como se sairia o físico nuclear que, habituado à trabalhar horas à fio sozinho em seu laboratório, se vê na profissão de vendedor, relações públicas ou apresentador de programas de auditório.
Concordo que todos nós somos capazes de adaptar-se à nova realidade e aprender as técnicas necessárias à boa atuação profissional, porém, nada supera a performance cheia de entusiasmo e motivação típica de alguém que trabalha exatamente naquilo que gosta de fazer.
Alguns anos atrás, o Institute of Management da Universidade de Manchester (EUA) fez uma pesquisa com 5 mil gerentes para o estudo “Qualidade de Vida no Trabalho”. Entre as revelações estavam:
71% disseram que o trabalho estava fazendo mal a sua saúde;
79% disseram que o trabalho estava prejudicando o relacionamento com o cônjuge;
68% disseram que com o passar do tempo reduziram sua produtividade.
A grande causa apontada era essa: Não estavam satisfeitos com o que fazem.
Na cultura economicista em que vivemos, é comum acreditar que trabalho não combina com diversão. Trabalho lembra muito esforço e sacrifício e pouca terapia. É como se prazer fosse uma distorção do trabalho e não coubesse no mesmo local e horário. Vale lembrar que divertir-se com o que faz não significa falta de seriedade no trabalho. Significa uma nova maneira de encarar o dia a dia nas empresas, com mais equilíbrio, saúde e criatividade.
Busque fazer o que gosta, invista em si mesmo e evite atuar em algo somente porque está na moda ou porque dá mais dinheiro.
Mas atualmente está difícil fazer o que gosta? Então tente gostar do que faz. Tenha mais descontração e bom humor, busque um bom entendimento de sua missão e procure pontos positivos, em vez de focar somente o que está mal. E o principal: não desista de seus objetivos. Sempre é hora de começar um novo curso, reavivar um antigo projeto e retomar as rédeas de sua carreira. Isso independe do tempo disponível ou idade. É questão de vontade.

Marcelo de Elias



quinta-feira, 23 de março de 2017

Colocando a vida em ordem com as dicas de... Bruce Lee

Bruce Lee tem uma história de vida interessante. Além de ter sido um ícone cultural como o principal responsável pelo início da onda de interesse ocidental por artes marciais nos anos 60 e 70, ele também influenciou o cinema no ocidente e oriente, e é visto por muitos como um modelo na busca da eficiência física e no domínio das artes marciais.

Não é um fato amplamente conhecido fora do círculo dos fãs, mas Bruce Lee também era graduado em Filosofia, pela Universidade de Washington. E a visão adquirida desta forma transpira para seus métodos e mesmo para seus livros de artes marciais. Quem leu o livro "Getting things done" (GTD) e conhece a citação de "mind like water", sobre buscar ter a mente maleável e adaptável como a água, que simplesmente absorve o que é jogado dentro dela, se agita apenas durante o processo, e logo retorna ao seu estado original, talvez se surpreenda ao saber que Bruce Lee também defendia o mesmo princípio (para quem gosta: "Be formless... shapeless, like water. If you put water into a cup, it becomes the cup. You put water into a bottle; it becomes the bottle. You put it into a teapot; it becomes the teapot. Water can flow, and it can crash. Be water, my friend..."). Aliás, David Allen, o autor do GTD, também era praticante de artes marciais.

E as dicas de filosofia de vida que Bruce Lee registrou, quando analisadas separadamente, podem dar boa inspiração e provocar insights. Henrik Edberg montou uma pequena coletânea das dicas de Bruce Lee para colocar a vida em ordem, e eu trago a vocês algumas delas, com a minha própria interpretação:

  • O que você está pensando - hoje? Nossos pensamentos, planos e intenções do dia-a-dia devem refletir nossas metas e objetivos de vida, ou de longo prazo. A tendência é que aquilo que nós pensamos ou pretendemos a cada dia sirva de guia ou de limitação para o que podemos alcançar e produzir, e é muito fácil perder a coerência entre o curto e longo prazos.
  • Simplifique. A tendência de quem está procurando melhorar a vida é buscar acrescentar coisas. E pode ser bom, mas muitas vezes não temos o tempo ou a energia para realizar (ou aproveitar) o que buscamos acrescentar. Bruce Lee descreveu a sua visão sobre isso assim: "Não é o acréscimo diário, mas o decréscimo diário. Corte fora o que não for essencial". Definir o que é essencial depende de cada um, mas o número de pessoas que eu conheço que estão estressadas por tentar fazer muitas coisas ao mesmo tempo só aumenta.
  • Aprenda sobre você mesmo observando as suas interações. Ou, como disse Bruce Lee, conhecer a si é estudar a si mesmo em ação com outras pessoas. Como as pessoas interagem com você, ou como reagem à sua presença ou às suas ações, pode ensinar muito a você. Todo mundo já ouviu isso, mas sempre vale lembrar que o que vemos, percebemos e entendemos sobre as outras pessoas pode muitas vezes ser um reflexo do que nós mesmos somos.
  • Veja o todo, e não apenas o seu lado. Não divida. Na hora de analisar algo, deixe de lado o posicionamento, a busca de saber quem está certo e quem está errado. Exceto nos momentos em que desejar ser conduzido pelas suas emoções, se você quer compreender algo, não seja a favor ou contra, observe a partir de uma perspectiva externa - conduza seu pensamento e suas emoções.
  • Não dependa de validação dos outros. Como disse Lee, "não estou neste mundo para satisfazer as suas expectativas, e você não está aqui para satisfazer as minhas." E mais: "se exibir é a ideia que um tolo faz sobre a glória". Depender de validação dos outros é uma busca sem fim, e acaba permitindo que os outros (mesmo sem saber) tenham o controle de como você se sente.
  • Seja proativo. Uma coisa é compreender as circunstâncias, e outra é criar oportunidades. É mais difícil não se limitar a seguir o que o resto do rebanho já está fazendo. Mas é mais recompensador, e mais efetivo, liderar e criar a oportunidade de se alcançar os objetivos, apesar das circunstâncias.
  • Seja você. Não adianta encontrar modelos e personalidades bem-sucedidas e tentar repetir seus passos. Você precisa ser você mesmo, expressar quem você é, e ter fé - no estilo "eu sou mais eu". Seja genuíno e autêntico, e defenda quem você realmente é, e não um personagem.


quarta-feira, 22 de março de 2017

A Morte Devagar – Martha Medeiros

Morre lentamente quem não troca de ideias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não dá papo para quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos evitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.
Martha Medeiros




terça-feira, 21 de março de 2017

Desista dessas 13 coisas, se quiser ser bem sucedido:

Algumas das coisas das quais precisamos desistir para nos tornarmos bem sucedidos são universais, mesmo que cada um de nós tenha uma definição diferente de sucesso.

Você pode desistir de algumas delas hoje, e outras podem levar mais tempo:

1. Desista do estilo de vida não saudável

“Tenha cuidado com seu corpo. É o único lugar onde você tem que viver.”- Jim Rohn
Se você quer alcançar qualquer coisa na vida, tudo começa aqui. Primeiro, você tem que cuidar de sua saúde, e há apenas duas coisas que precisa manter em mente:
§  Dieta saudável
§  Atividade física
São passos pequenos, mas você vai agradecer a si mesmo por eles um dia.

2. Desista da mentalidade de curto prazo

“Você só vive uma vez, mas se viver direito, uma vez é suficiente.” – Mae West
Pessoas bem-sucedidas estabelecem metas de longo prazo e sabem que esses objetivos são meramente o resultado de hábitos de curto prazo que precisam ter todos os dias.
Estes hábitos saudáveis ​​não devem ser algo que você faz; devem ser algo que você encarna.
Há uma diferença entre: “Se exercitar para ficar com um corpo legal para o verão” e “Se exercitar porque é quem você é.”

3. Desista de jogar pequeno

“Sua pequena jogada não serve ao mundo. Não há nada iluminado sobre encolher-se para que outras pessoas não se sintam inseguras ao seu redor. Todos nós devemos brilhar, como as crianças. A luz não está apenas em alguns de nós; está em todos, e quando deixamos nossa luz brilhar, inconscientemente damos permissão a outros para fazerem o mesmo. À medida que nos libertamos do nosso medo, nossa presença automaticamente liberta os outros.” – Marianne Williamson
Se você nunca tentar ou permitir que seus sonhos se tornem realidades, nunca vai liberar seu verdadeiro potencial.
E o mundo nunca se beneficiará com o que você poderia ter alcançado.
Então, dê voz a suas ideias, não tenha medo de falhar, e certamente não tenha medo de ter sucesso.

4. Desista das suas desculpas

“Não é sobre as cartas que você recebeu, mas como você administra sua mão.” – Randy Pausch, A Última Palestra
Pessoas bem-sucedidas sabem que são responsáveis ​​por sua vida, não importa o seu ponto de partida, fraquezas e falhas do passado.
Perceber que você é responsável pelo que acontece em seguida em sua vida é assustador e excitante.
Assuma sua vida. Ninguém mais o fará

5. Desista da mentalidade fixa

“O futuro pertence àqueles que aprendem mais habilidades e as combinam de maneiras criativas.” – Robert Greene, Maestria
Pessoas com uma mentalidade fixa acham que sua inteligência ou talentos são simplesmente traços fixos, e que o talento sozinho se cria sucesso – sem esforço. Elas estão erradas.
Pessoas bem-sucedidas sabem disso. Elas investem uma imensa quantidade de tempo diariamente para desenvolver uma mentalidade de crescimento, adquirir novos conhecimentos, aprender novas habilidades e mudar sua percepção para que possa beneficiar suas vidas.
Lembre-se, quem você é hoje não é quem você tem que ser amanhã.

6. Desista de acreditar que as coisas acontecem da noite para o dia

“Todos os dias, em todos os sentidos, estou ficando cada vez melhor.” – Émile Coué
O sucesso do dia para a noite é um mito.
Pessoas bem-sucedidas sabem que fazer pequenas melhorias a cada dia traz resultados desejáveis.
É por isso que você deve planejar o futuro, mas se concentrar no dia que está à sua frente, e melhorar um pouco a cada dia.

7. Desista do seu perfeccionismo

“A atitude vence a perfeição.” – Mantra Khan Academy’s Development
Nada será perfeito, não importa o quanto tentemos.
O medo do fracasso (ou mesmo do sucesso) muitas vezes nos impede de tomar uma ação e colocar a nossa criação no mundo. Mas muitas oportunidades serão perdidas se esperarmos que as coisas sejam certas.
Então, ouse, aproveite as oportunidades.

8. Desista da multitarefa

“Você nunca chegará ao seu destino se parar e jogar pedras em cada cão que ladra.” – Winston S. Churchill
Pessoas bem-sucedidas sabem disso. É por isso que escolhem uma coisa e persistem nela. Não importa o que é – uma idéia de negócio, uma conversa ou um treino.
Estar plenamente presente e comprometido com uma tarefa é indispensável.

9. Desista da sua necessidade de controlar tudo

“Algumas coisas dependem de nós, e algumas coisas não dependem de nós.” – Epicteto, filósofo estóico.
Diferenciar estes dois é importante.
Afaste-se das coisas que você não pode controlar e concentre-se nas que você pode, e saiba que às vezes, a única coisa que você será capaz de controlar é a sua atitude em relação a algo.

10. Desista de dizer SIM a coisas que não apoiam seus objetivos

“Aquele que deseja realizar pouco deve sacrificar pouco; aquele que deseja alcançar muito deve sacrificar muito; aquele que quer alcançar coisas incríveis deve sacrificar grandemente.” – James Allen
Pessoas bem-sucedidas sabem que, a fim de realizar seus objetivos, terão que dizer NÃO a certas tarefas, atividades e demandas de seus amigos, familiares e colegas.
No curto prazo, você pode sacrificar um pouco de gratificação instantânea, mas quando seus objetivos se realizarem, tudo vai valer a pena.

11. Desista das pessoas tóxicas

“Você é a média das cinco pessoas com as quais gasta mais tempo.” – Jim Rohn
As pessoas com quem gastamos mais tempo, somam quem nos tornamos.
Há pessoas que são menos realizadas em sua vida pessoal e profissional, e há pessoas que são mais bem-sucedidas do que nós. Se você gastar tempo com aqueles que estão atrás de você, sua média vai para baixo, e com ela, o seu sucesso.
Mas, se você passar tempo com pessoas que são mais realizadas do que você, não importa o quão desafiador possa ser, você se tornará mais bem-sucedido.
Olhe ao seu redor, e veja se você precisa fazer mudanças.

12. Desista da sua necessidade de ser apreciado

“A única maneira de evitar irritar as pessoas é não fazendo nada importante.” – Oliver Emberton
Pense em si mesmo como um nicho de mercado.
Muitas pessoas gostarão desse nicho, e muitas não. Não importa o que você faça, não será capaz de fazer todo o mercado te seguir.
Isso é totalmente natural, e não há necessidade de se justificar.
A única coisa que você pode fazer é permanecer autêntico, melhorar e fornecer valor a cada dia, e saber que o crescente número de “odiadores” significa que você está fazendo coisas importantes.

13. Desista de sua dependência de mídias sociais e televisão

“O problema é que você acha que tem tempo.” – Jack Kornfield
Navegação na web impulsiva e assistir televisão são doenças da sociedade de hoje. Estas duas formas de entretenimento nunca devem ser uma fuga de sua vida ou seus objetivos.
A menos que seus objetivos dependam de qualquer um, você deve minimizar (ou mesmo eliminar) a sua dependência deles, e direcionar esse tempo para coisas que podem enriquecer sua vida.




segunda-feira, 20 de março de 2017

A Pedra...

O distraído nela tropeçou... 

O bruto a usou como projétil... 

O empreendedor, usando-a, construiu... 

O camponês cansado da lida, dela fez assento... 

Para meninos, foi brinquedo... 

Drummond a poetizou... 

Já Davi matou Golias e Michelângelo extraiu-lhe a mais bela escultura... 

Em todos esses casos a diferença não esteve na pedra, mas no homem! 

Não existe "pedra" no seu caminho que não possa ser aproveitada para o seu próprio crescimento.

O que você tem feito com as dificuldades que tem aparecido na sua vida?


sexta-feira, 17 de março de 2017

A alegria mora no agora - Rubem Alves

Pouco antes de morrer, Roland Barthes pronunciou a sua conferência inaugural como professor do College de France.

Sabia que estava ficando velho, mas saudava a velhice como tempo de recomeço, o início de uma “vita nuova”.

E ao terminar sua fala fez uma confissão pessoal espantosa.

Disse que havia chegado o momento de entregar-se ao esquecimento de tudo o que aprendera.

Tempo de desaprender.

As cobras, para continuarem a viver, têm de abandonar a casca velha.

Também ele tinha de abandonar os saberes com que a tradição envolvera.

Somente assim a vida poderia brotar de novo, fresca, do seu corpo, como a água brota das profundezas onde estivera enterrada.

E disse então que este era o sentido de ficar sábio: Nada de poder; um pouquinho de saber; e o máximo possível de sabor…

Ele dizia que era isto que pretendia ser, daquele momento para frente: um mestre do prazer, aquele que se dedica a ensinar a seus jovens alunos o gosto bom das coisas!

Quem toma uma decisão como esta está afirmando que o prazer é a única coisa que vale a pena.  Vivemos para o prazer.

O que é espantoso é que tal revelação lhe tenha sido feita quando ele já deixara para trás os anos da juventude.

Talvez que a sabedoria seja coisa crepuscular.

Há pessoas que só conseguem ver direito depois que a velhice chega.

É preciso muito pouco.

A alegria está muito próxima. Mora no momento.

Nós a perdemos porque pensamos que ela virá no futuro, depois de algum evento portentoso que mudará a nossa vida.

E a gente fica esperando que ela haverá de chegar depois da formatura, do casamento, do nascimento, da viagem, da promoção, da loteria, da eleição, da casa nova, da separação, da morte do marido, da morte da mulher, da aposentadoria…

E ela não chega porque a alegria não mora no futuro, mas só no agora.

Ela está lá, modesta e fiel, no espaço da casa, no espaço da rua.

Se não a encontramos, não é culpa dela é culpa nossa.

Nossos pensamentos andam muito longe dos lugares onde ela mora e, por isso, nossos olhos não a podem ver.

Velhice é quando se percebe que não existe no futuro nenhum evento portentoso por que esperar, como início da felicidade.

Por isso, talvez, os jovens devessem aprender com os velhos que é preciso viver cada dia como se fosse o último.

A alegria mora muito perto. Basta esticar a mão para colhê-la, sem nenhum esforço.

Mas, para isso, seria necessário que os nossos olhos fossem iluminados pela luz do crepúsculo.



quinta-feira, 16 de março de 2017

A prática de fazer uma coisa de cada vez

Há um termo japonês, "ichigyo-zammai", que basicamente significa "concentração total em um único ato".
Sunryu Suzuki descreveu esta prática em seu livro, "Zen Mind, Beginner's Mind", e chamou de "atividade iluminada" o ato de estar plenamente envolvido com uma tarefa.
"Então, em vez de ter algum objeto de adoração, apenas nos concentramos na atividade que fazemos em cada momento", escreveu Suzuki Roshi. "Quando você se curva, você deve simplesmente se curvar; Quando você se senta, você deve apenas se sentar; Quando você come, você deve apenas comer."
Ele disse que quando fazemos apenas uma atividade, expressamos nossa verdadeira natureza.
Que bela ideia. Quando não estamos presentes, nossa verdadeira natureza não pode se expressar completamente, mas quando nos concentramos no que estamos fazendo, começamos a expressar nosso verdadeiro eu.
Mas é mais fácil dizer do que fazer. Quantas vezes não acabamos desconcentrados?
Como nas vezes em que:
Pulamos de abas no navegador entre tarefas;
Verificamos nossos telefones ao fazer outras coisas ao longo do dia;
Nos apressamos para começar algo novo antes de terminar o que já estamos fazendo;
Pensamos em outras coisas quando alguém está falando conosco;
Nos irritamos com alguém quando somos interrompidos em alguma tarefa;
Não levamos a sério o que estamos fazendo porque é maçante ou já faz parte da rotina.
A verdade é que raramente ficamos totalmente no momento com qualquer atividade. Como podemos tentar essa "atividade iluminada" de concentração total?
Como fazer uma coisa de cada vez
Estes lembretes também valem para mim, mas aqui está o que eu tenho praticado:
Quando você inicia uma atividade, volte-se para ela com toda a sua atenção e defina uma intenção de estar presente com o ato, para não fazer nada além desta atividade. Você pode pensar: "Apenas ande" ou "Apenas leia" ou "Apenas beba chá".
Ao ficar totalmente comprometido com o momento, você pode ter uma consciência clara e vasta como um céu aberto.
Quando você perceber que está pensando em outra coisa, ou que sua atenção está se desviando, pare e perceba. Em seguida, volte a estar totalmente presente na atividade.

Esvazie sua mente de ideias preconcebidas sobre a atividade, e apenas seja curioso sobre o que a atividade é realmente à medida em que você a desenvolve. Permita-se ser surpreendido.
Trate cada objeto com reverência, como se fosse sua própria visão.
Veja o brilho de cada momento, de cada atividade, que está subjacente a tudo ao nosso redor.
Apenas escreva. Apenas tome banho. Apenas dê a alguém sua atenção completa.
Ao dar a cada atividade nossa plena atenção, começamos a apreciar cada pessoa, cada objeto, tudo ao nosso redor como algo digno de respeito, amor e gratidão.
Começamos a aproveitar a oportunidade de nos envolver plenamente com ela, com um abraço e um sorriso.
Leo Babauta