sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Carreira feminina - A importância das mulheres nas organizações


Após as grandes Guerras Mundiais (1914-1918 / 1939-1945), intensifica-se a entrada feminina no mercado de trabalho, por diversas razões e movimentos mundiais. Enfrentando dificuldades e preconceitos, em um primeiro momento, as atividades exercidas não eram bem vistas e muito menos valorizadas pela sociedade. Nas décadas de 60 a 70, movimentos emancipatórios foram o início desta transformação. A partir desse período, houve um significativo acréscimo de mulheres entre os universitários e passaram a considerar a carreira tão importante quanto à função procriadora.

O entendimento sobre o desempenho de carreira vem mudando ao longo dos últimos anos e uma das principais inovações sem dúvida foi a grande ocupação feminina, em cargos antes ocupados por homens. Em 2011, no Brasil, um dos maiores tabus foi quebrado, quando se deu a ocupação de uma pessoa do sexo feminino (Dilma Rousseff) na presidência, cargo que por décadas foi exercido pelo sexo masculino. Estudiosos comprovam que os homens têm em sua natureza agir pela razão. No ambiente de trabalho, são racionais e sentem dificuldades em aceitar mudanças, ao contrário do sexo feminino que age pela emoção e consegue pensar em alternativas para resolver problemas.

A pergunta seria: "Assim um ambiente de trabalho deveria ser ocupado só por mulheres?".

Bem, quando se constroi um ambiente de trabalho onde é composto pelos dois sexos, o mesmo fica mais competitivo, pois conta com a junção tanto da razão quanto da emoção. Hoje, muitos profissionais da área RH já têm uma cota determinada quanto ao número de homens e de quantas mulheres vão compor um determinado setor. Isto se deu justamente pelo foco masculino e criatividade feminina.

Quando a mulher começou a acreditar em seu próprio valor profissional, isto fez toda a diferença. Antigamente, elas desempenhavam suas atividades baseadas em um molde de pensar e agir "masculino", e conforme foram conquistando seus espaços criaram também um perfil de atuação e gestão. A visibilidade de uma mulher essencialmente feminina e com extrema competência é algo cada vez mais presente no mercado de trabalho.

Ao longo da minha carreira, atuando como educador corporativo percebo o quanto as mulheres, no Brasil, apresentam flexibilidade para aceitar mudanças, fazer reciclagem, treinamentos, enfim, tudo que é necessário para melhorar o desempenho profissional. Isto torna, então, a mulher muito mais preparada diante do mercado dinâmico e complexo. Outro grande diferencial feminino é poder que a mulher possui quando o assunto é (reciprocidade) no ambiente de trabalho, pois ela torna o ambiente mais unido, o que fortalece em massa o trabalho em equipe. Começam a trabalhar com muito mais facilidade em ambientes onde existe muita pressão, tornando ainda melhor e competitivo o capital intelectual da empresa.

Fonte: http://www.rh.com.br/Portal/Carreira/Artigo/7198/carreira-feminina--a-importancia-das-mulheres-nas-organizacoes.html

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Imparcialidade

Um executivo de sucesso é composto por uma série de qualidades e peculiaridades que venho relatando vez ou outra na Coluna Talento em Pauta. Acredito que se tivermos pelo menos algumas delas, temos grandes chances de nos darmos bem profissionalmente. Por conta disso, insisto tanto em reforçá-las. Hoje falo da importância da isenção no mundo corporativo. Aliás, essa é uma qualidade que deveria ser conquista e assumida por todas as pessoas, independente de que meio vivem. 

Porém, no meio corporativo acredito que isso seja ainda mais importante. As relações profissionais são (ou deveriam ser) imparciais, no que diz respeito, principalmente, à tomadas de decisão. Exatamente por isso, acredito que qualquer assunto que deva ser resolvido dentro de uma corporação deve ser baseado em fatos e não em percepções, opiniões ou gostos. 

Imagine o diretor de uma empresa que precisa diariamente delegar funções, umas boas, outras chatas, algumas remuneradas, outras não. Se ele se basear no seu nível de empatia com cada profissional que trabalha com ele, correrá o risco de favorecer uns mais do que outros. Acredito que, profissionalmente falando, as situações que mais devem ser permeadas por neutralidade são as que envolvem admissões, promoções e demissões, ou seja, movimentação de pessoal como um todo. 

Suponhamos que numa determinada empresa exista uma oportunidade de gerência. Qualquer um dos coordenadores tem condições de assumir a vaga. Para isso, deveriam ser consideradas questões como, capacidade técnica, teórica e comportamental. A pessoa certa para assumir a gerência, deveria ser aquela que conhece bem a organização, com todas as suas peculiaridades, assim como, possua um bom relacionamento interpessoal com os demais colaboradores e, principalmente, tenha uma boa aptidão para ser isento no que diz respeito às decisões. 

Agora digamos que a pessoa que tem o poder de decidir sobre essa promoção seja uma pessoa completamente parcial, e que baseará sua decisão pura e simplesmente em sua intuição. Nesse caso, infelizmente, a empresa correrá um sério risco de ter um novo gerente que não atende às premissas de um bom gestor. Quem sofre é a própria organização e, claro, todas as pessoas que nela estão. 

Os efeitos de uma decisão mal embasada são graves. Quando envolve grandes investimentos, então, eu diria que é vital. Por isso, atento para a importância de desenvolver a imparcialidade. Para isso, o fundamental é entender as questões de forma ampla. Usar de fatos é a melhor forma de se chegar à melhor decisão. Nas situações em que pesquisas são cabíveis, então, melhor ainda. O empirismo também pode ser levado em conta em alguns casos, desde que não favoreça alguém por simples e puro embasamento em experiências. 

Vale um adendo. Quando contratamos um profissional, levamos em conta sua experiência, o que não significa que ele está eximido de qualquer erro. Pelo contrário, todos somos passíveis de cometermos falhas, independente de quantos anos já passamos ou vivenciamos determinadas situações. Mas, uma coisa é fato, quanto mais experimentamos algumas coisas, mais know how para falarmos ou decidirmos sobre o assunto, temos.

Umas das artimanhas que considero mais eficientes para a isenção é a capacidade de ouvir. Quando damos oportunidades para que todas as pessoas envolvidas num processo possam falar e defender seus pontos de vista e, em contrapartida disso, conseguimos ouvir sem levar em consideração o quanto gostamos de cada uma daquelas pessoas, obtemos melhores embasamentos para nossas decisões. Deixamos de ser emocionais e passamos a ser racionais. Ou seja, pensamos friamente nessas questões. Afinal, convenhamos, no trabalho a frieza (bem dosada e na situação correta) é uma excelente forma de conseguir obter os melhores resultados. 


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

RECEITA PARA SER FELIZ MESMO COM POUCO DINHEIRO

Estudo de universidades americanas diz que o bem-estar depende de como gastamos o que temos e dá oito dicas para o consumidor.

Se você não está feliz com seu dinheiro, provavelmente é porque não sabe gastá-lo. A provocativa afirmação é tema de um recente estudo realizado pelas Universidades de Harvard, Virginia e British Columbia, nos Estados Unidos, que procurou traçar as ligações entre consumo e felicidade. Segundo a pesquisa, o conceito de bem-estar não está relacionado com o tamanho de nossa riqueza, mas sim com a forma como gastamos o que temos. “O dinheiro nos deixa alegres quando pensamos nele, mas nem tanto quando o usamos. E isso não deveria acontecer”, afirma a professora de psicologia Elizabeth Dunn, da British Columbia, responsável pelo trabalho. A compra imediata impulsiva de bens e serviços é apontada pela pesquisadora como uma das principais causas da insatisfação dos consumidores atuais. “Muitas pessoas esquecem ou não sabem que planejar, antecipar e desejar são fatores essenciais para a felicidade”, explica. Analisando o comportamento de compradores de várias partes do mundo, a psicóloga americana e sua equipe listaram oito dicas que podem ajudar você a ser mais feliz com seu dinheiro.

1 - Comprar experiências e não coisas
O instrutor de artes marciais Alexei Caio, 35 anos, não tem tevê de plasma, computador de última geração nem móveis sofisticados. Mesmo assim, se considera uma pessoa plenamente feliz. “Prefiro gastar meu dinheiro em viagens do que com bens materiais”, declara. Todos os anos, Caio embarca em aventuras pela América Latina, fazendo caminhadas e conhecendo novos lugares. “Experiências proporcionam prazer em dobro, pois nos fazem felizes enquanto vivemos e, depois, quando recordamos”, diz a professora Elizabeth Dunn, da British Columbia. Investir em cursos, viagens, jantares e programas de lazer são boas maneiras de encontrar a satisfação pessoal. Além disso, experiências, mais do que coisas, podem ser divididas com outras pessoas, uma fonte comprovada de felicidade.

2 - Gastar com os outros e não apenas com você
Tudo o que fazemos para estreitar nossas relações pessoais aumenta a felicidade. E isso inclui gastar dinheiro. Segundo o estudo, doar valores ou objetos ativa áreas do cérebro relacionadas à recompensa. Ou seja, comprar presentes para as pessoas que você ama, fazer caridade e ajudar familiares, se forem atos voluntários, aumentam o bem-estar.

3 - Investir em pequenos prazeres
Se você tem dinheiro para gastar, é melhor comprar vários pequenos prazeres do que torrar tudo numa única aquisição. De acordo com a pesquisa, quando adquirimos algo de grande valor, temos uma satisfação momentânea, que diminui com o tempo. Compras menores, porém mais frequentes, garantem bem-estar constante. A professora Mariane D’Ávila, 45 anos, aprendeu essa lição. “Já cheguei a comprar 12 pares de sapatos de uma vez. Dizia: ‘Não gasto nunca, então posso fazer extravagâncias’”, conta. Hoje Mariane trocou os impulsos consumistas por sessões de massagem semanais. “Descobri que a felicidade está muito mais relacionada à minha qualidade de vida do que às peças caras no meu armário”, diz.

4 - Comprar sem pensar em trocar
Como foi comprovado no estudo, a possibilidade de troca induz ao gasto por impulso, um dos principais motivos de insatisfação. “Quando não precisamos nos comprometer com uma aquisição, perdemos o interesse por ela. Aí, o outro vestido que deixamos na loja parece mais bonito do que o que trouxemos para casa”, exemplifica a pesquisadora Elizabeth.

5 - Pagar agora e usar depois
O princípio é o oposto da política praticada pelas companhias de cartão de crédito, que estimulam os consumidores a comprarem agora e pagarem depois. Segundo os pesquisadores, é mais feliz quem consegue fugir dos parcelamentos e honra as compras à vista. “Essa dica vale para uma economia em recessão como a dos Estados Unidos, mas não para o Brasil”, afirma Fábio Mariano Borges, professor de pós-graduação em ciências do consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “Aqui a explosão do consumo da classe C se deve em grande parte à oferta de crédito, ou seja, ao parcelamento”, diz. O conselho de Borges para quem precisa financiar é colocar os gastos na ponta do lápis: “Não comprometa mais do que 20% de sua renda com o financiamento.”

6 - Planejar também o pós-compra
Segundo o estudo, a felicidade está nos detalhes. Por isso, precisamos considerar todos os aspectos de uma nova aquisição antes de confirmá-la. Expectativas muito altas em relação ao produto, por exemplo, podem levar à decepção. “Quando imaginamos como iremos incluir uma nova compra em nossa rotina, temos mais chances de tirarmos satisfação dela”, diz Elizabeth. Portanto, antes de pagar por um novo bem, temos que considerar quando vamos utilizá-lo e como.

7 - Não procurar apenas a melhor oferta
A pesquisa também sugere que, em muitos casos, economizar não significa garantia de felicidade. “Ao comparar só o preço, podemos descartar produtos que nos fariam felizes somente porque existem opções mais baratas”, afirma a pesquisadora Elizabeth. Segundo ela, é necessário considerar o preço sim, mas sem deixar de lado outras características, como durabilidade, praticidade e, claro, qualidade.

8 - Ouvir a opinião dos outros
Comprar algo apenas porque outras pessoas têm é um dos caminhos mais curtos para a infelicidade. No entanto, ouvir a opinião dos outros pode ajudar, e muito, na escolha daquilo que nos trará prazer. “Um observador atento é capaz de dizer que prato do restaurante nos fará mais felizes, apenas por identificar nossas reações ao ler o cardápio”, exemplifica a professora Elizabeth, da British Columbia. O professor Borges, da ESPM, concorda. Para ele, a internet facilita a vida do consumidor, pois disponibiliza críticas de outros compradores sobre qualquer tipo de bem ou serviço. “Consultar o julgamento alheio já é uma prática comum do cliente, porém, com o acesso cada vez maior à tecnologia, essa segunda opinião se torna mais procurada e legitimada”, diz.


terça-feira, 7 de outubro de 2014

A Realidade das Relações Humanas

O som estava alto. As pessoas balançavam seus corpos ao ritmo da música.

Em um canto do ambiente dois jovens cruzam olhares. Os olhos do rapaz param e se fixam no olhar um tanto tímido da moça.

A penumbra dificulta uma visão mais precisa de ambos, mas, naquele instante, os sentimentos falam mais alto.

O rapaz, ainda indeciso e inseguro se aproxima. Começam uma conversa. Uma conversa onde o que é dito já não é tão importante.

É o amor à primeira vista: Maria se apaixonou por José; José se apaixonou por Maria.

Nasce um namoro que dois anos depois se transforma em um casamento.

Essa seria uma típica e linda história de amor se os fatos se resumissem apenas ao que foi apresentado até aqui…

José é um moço bonito, esportista e, diga-se a verdade, bastante vaidoso.

Ah, a vaidade, fruto da insegurança e ponto de partida para o nascimento daquele monstrinho verde chamado ciúme, irmão gêmeo do monstrinho vermelho chamado inveja.

Maria também é bonita, muito bonita. Talvez mais bonita do que poderia suportar a insegurança do rapaz!

Nasce, então, junto com o namoro, uma relação atormentada pelo ciúme.Por isso a mãe de Maria não queria o casamento. Várias vezes ela vira a filha chorando devido às repetidas brigas com o namorado.

Discussões sem sentido, que não se sustentariam frente a uma pequena dose de racionalidade. Mas quem disse que a razão tem voz diante da paixão?

Ah, a paixão, esse louco e arrebatador sentimento que, quando bem direcionado nos leva ao céu, mas que tantas vezes nos deixa tão cegos a ponto de caminharmos para o mais profundo abismo.

“Calma mãe, o tempo ensina a convivência”, dizia a moça.

E assim as coisas foram caminhando.

A festa de casamento foi muito bonita. O brilho nos olhos do jovem casal era contagiante. Porém, a convivência após a festa não seguiu o caminho dos contos de fadas.

Ao contrário do que pensava Maria, o “mestre tempo” não foi capaz de tornar a relação mais harmoniosa.

Teria o tempo fracassado nessa história?

Antes, porém, de respondermos a essa questão, vale ressaltar que essa história romanceada de João e Maria em nada difere das relações que construímos com um novo trabalho ou uma nova oportunidade profissional.

Quantas pessoas não iniciam uma nova jornada profissional idealizando o ambiente de trabalho e criando inúmeras expectativas com as possibilidades de aprendizado e de crescimento, mas, aos poucos, começam a perceber que as coisas não são tão simples?

A ilusão dá espaço à realidade. A euforia vira decepção.

Não demora muito para começarem a conviver com o jogo de vaidades, com as picuinhas, com as intrigas e com a inveja dos menos competentes.

As inseguranças pessoais criam os conflitos profissionais e as dificuldades para se construir relações saudáveis e um espírito de equipe vencedor focado no sucesso de todos.

E quantos gerentes estão vendo o circo pegar fogo e continuam dando respostas idênticas à resposta da Maria, dizendo que o tempo ensina a convivência?

A realidade é que o tempo, por si só, não transforma as relações desgastadas em relações saudáveis. Na verdade, o tempo, normalmente, só faz as coisas piorarem.

Por que?

Porque não importa quanto tempo passe, as relações só se transformam quando fazemos as mudanças dentro de nós mesmos.

Se a Maria quer ser feliz no casamento não adianta esperar que o José simplesmente mude o seu comportamento. Ela precisa dar um basta na situação que a atormenta.

Daí nasce, naturalmente, a próxima pergunta: Por que não damos esse basta nas situações conflituosas que nos afligem?

Porque normalmente achamos mais fácil continuar atribuindo a culpa aos outros do que enfrentarmos as nossas fraquezas e os nossos medos. Entramos no ciclo vicioso e, sem perceber, tornamo-nos também protagonistas dos problemas.

Esperando que o tempo conserte as nossas relações, imaginando que ele vai transformar o outro e nem sequer paramos para ver onde está a nossa parcela de responsabilidade e o que podemos fazer para mudar a situação.

Quantas pessoas se orgulham por possuir um enorme ciclo de relacionamentos, mas não percebem que estão passando pela vida sem se relacionarem com elas mesmas? Quantas pessoas vivem olhando para tudo e para todos à sua volta, mas não olham para dentro delas mesmas?

Por que?

Certamente as melhores respostas para essa questão estão dentro de cada um de nós.

E quanto a José e Maria? Será que a história dos dois teve um final feliz?

Deixo esse final para que cada um escreva do seu jeito, da mesma forma como podemos escrever o desfecho mais ou menos feliz de todas as nossas relações.

Um carinhoso abraço.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Simplicidade


A simplicidade não dá Ibope, definitivamente! Preferimos complicar nossas vidas e a dos outros, fugindo das medidas e das atitudes simples, procurando dar charme e uma falsa aura de nobreza ao que fazemos. E nisso sacrificamos o entendimento e a utilidade. E não percebemos nossa culpa infelizmente, somos tão incompreendidos... Não alcançam nosso valor e a profundidade de nossas contribuições... Fazer o quê, então?!

No ambiente de trabalho, é incontável o número das situações que poderiam receber soluções rápidas e de fácil implementação, se optássemos pelo simples. Preferimos soluções mirabolantes e pretensamente grandiosas a práticas mais pé-no-chão. Isso nos dá assunto para encontros e seminários, quando podemos expor nossas políticas e planos baseados na última moda.

E por falar em moda, a ojeriza de muitos gestores ao simples e ao óbvio enriquece os gurus dos negócios. Não dialogam com os funcionários, com o pessoal que realmente pode contribuir  até porque esse pessoal é que vai ter de implementar as ações, porque isso não dá status. Ao contrário, gastam fortunas com consultorias de grife ou engolem teorias e propostas alienígenas, que nem sequer digerem adequadamente para uma correta adaptação à cultura local. Mas, nas conversações com colegas de outras empresas, despejam o que leram e pretensamente praticam e quantas vezes falam um monte de besteiras sem se darem conta disso.

Em família, ou na vida privada, continuamos agindo da mesma forma. Buscamos teorias mirabolantes que expliquem nossos fracassos, mas não enxergamos o óbvio a falta de diálogo e a fuga do simples. Exemplos não faltam e seria ocioso, aqui, mencioná-los.

Certa vez vivi uma experiência interessante, que ilustra isso. Queríamos desenvolver um manual que, ao mesmo tempo em que orientasse quanto à correta maneira de fazer determinada tarefa, contivesse algum estímulo à leitura ou iríamos cair na mesma situação de manuais anteriores, nunca lidos. Consultamos especialistas no assunto, levantamos orçamentos, namoramos produções bem elaboradas e, claro, dispendiosas, mas com assinatura.

Preocupado com o gasto que iríamos ter, resolvi conversar com alguns funcionários, que usavam um roteiro que havíamos elaborado internamente, para saber deles qual seria uma boa maneira de apresentar aquele documento, de forma que todos lessem e tirassem proveito. Para minha surpresa, um desses funcionários tinha por hobby a elaboração de HQ, ou seja, era um desenhista de histórias em quadrinhos, e sua sugestão foi óbvia elaborar o manual na forma de quadrinhos. Ele cuidou do desenho, nós, os gestores, asseguramos que o texto atendia às necessidades.

Não precisa dizer que a solução, além de atender plenamente à necessidade e evitar um gasto significativo, nos permitiu descobrir e explorar a habilidade de um funcionário, que se sentiu valorizado com isso (e deixemos claro que ele foi devidamente recompensado, antes que os críticos de plantão atirem as pedras!). Aliás, essa valorização de habilidades escondidas é assunto fértil na Gestão do Conhecimento.

Soluções simples, decorridas de uma atitude simples conversar, dialogar, perguntar a quem vai usar... Não doi e como ajuda!

As reflexões acima foram motivadas pelo texto abaixo, que recebi via e-mail. Trata-se de uma pilhéria que tem fundo de verdade.

"Sem as justificativas de afastamento fornecidas pela guerra fria, norte-americanos e russos ingressam numa promissora fase de colaboração, especialmente na exploração do espaço sideral. Num desses momentos, ao fazerem suas anotações, a bordo de uma nave em órbita, o cosmonauta russo elogiou seu colega americano:

- Ótima, essa sua caneta.

- Não é? Ela representa nossa genialidade, engenhosidade e criatividade.

- Sério?

- Sim. Quando iniciamos os testes no simulador de gravidade zero, percebemos que as canetas esferográficas não escreviam a tinta não fluía. Uma empresa de consultoria foi contratada para solucionar o problema. Levou uma década e investiram mais de 10 milhões de dólares, mas valeu à pena, a solução veio. Essa maravilha escreve em qualquer condição: em ambiente de gravidade zero, de cabeça para baixo, não importa a superfície, e tem a mesma performance em qualquer temperatura, seja muito abaixo de zero ou a 300ºC.

- Puxa! Admirou-se o russo. Tivemos o mesmo problema, nas mesmas circunstâncias de uso do nosso simulador - a tinta das esferográficas simplesmente não saía.

- E como vocês resolveram o problema?

- Optamos por usar lápis".

Se procurarmos mais o lápis e deixarmos de lado um pouco nossa arrogância novidadeira e nossa fome por soluções sofisticadas, tornaremos nossas vidas e as dos que nos cercam mais fácil, com certeza.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Por que as ações não devem ficar só no papel?

Por Patrícia Bispo 

Na vida pessoal, há situações que uma vez iniciadas devem ser concluídas. Caso contrário as consequências podem causar uma forte dor de cabeça. Apenas para dar um formato a essa afirmação, tomemos como base uma troca de telhas que ficou pela metade. Ou seja, parte do telhado está protegida e a outra vulnerável. Como o trabalho não for concluído, uma simples chuva pode causar problemas sérios para toda a casa e para quem nela vive. Semelhante à vida pessoal, nas organizações há fatos semelhantes como, por exemplo, um programa que foi amplamente divulgado para todos os profissionais. No entanto, apesar de ser uma boa proposta, só ficou no papel. Que sequelas um trabalho, inclusive proposto pela área de RH, não concluído pode provocar a uma empresa? Não são raros os casos de pesquisas de clima ou programas de desenvolvimento que no começo encantam os olhos dos profissionais, mas que com o passar do tempo são "esquecidos" por algum motivo? Vejamos algumas implicações que isso pode causar!

1 - Todo trabalho realizado requer profissionais para sua logística. Isso significa que as pessoas ocuparam parte do seu expediente, do seu valioso tempo para algo que no "frigir dos ovos" foi arquivado, esquecido. Que sentimento essas pessoas podem ter? No mínimo: "Poderia ter usado minhas horas para algo realmente valioso!".

2 - Quando os funcionários utilizam parte do tempo de suas atividades, para algo que ficará apenas no "papel", não são apenas eles que perdem. A empresa também, pois as horas são pagas para que as pessoas alcancem metas relevantes ao negócio. Aqui, cabe aquele velho ditado "Tempo é dinheiro!".

3 - Uma vez divulgada uma ação como, por exemplo, a realização de uma pesquisa de clima organizacional, espera-se que os resultados positivos apareçam. Mas, se os profissionais veem que o tempo que desprenderam foi "perdido" e os resultados não surgirão, dificilmente essas pessoas se engajarão a uma nova proposta da empresa. O que provavelmente virá à mente será: "Mais perda de tempo?".

4 - Ao divulgar uma proposta de proporcionará melhorias internas, geralmente os profissionais criam expectativas de que algo inovador e positivo irá ocorrer. Isso pode ganhar a formato de uma reforma no refeitório ou mesmo até a implantação de um benefício diferenciado. Mas, se depois de determinado período as mudanças propostas não vêm, o sentimento gerado pode culminar na conclusão de que a opinião dos profissionais não tem valor para a empresa, como parecia no início.

5 - Quando o profissional constata que tudo não passou do discurso, principalmente aqueles que almejam conquistas e que se motivam com os desafios talvez passem a observar com "carinho" as oportunidades que surgem no mercado. Isso impacta, por exemplo, nos percentuais de rotatividade - uma preocupação para organizações de qualquer segmento.

6 - Vale ressaltar que a aplicação de determinadas ferramentas como uma pesquisa de clima organizacional possibilitam que a empresa identifique os pontos fortes e fracos de sua gestão. Isso, por sua vez, permite que investimentos sejam feitos no "ponto certo" e com chances de retorno significativo.

7 - Se a proposta de uma empresa cai no descrédito, a imagem da empresa fica arranhada diante dos seus profissionais. Ou seja, uma vez perdida a confiança, a organização e a área de Recursos Humanos suarão muito para reconquistá-la junto aos colaboradores.

8 - Sem confiança dos funcionários não existe engajamento. E sem esse, pedir que as equipes vistam a camisa da empresa é utopia.

9 - Quando não conta com o engajamento dos profissionais, é formada uma cadeia de risco para a organização. Isso porque sem colaboradores comprometidos, os serviços prestados pela companhia perdem qualidade e logo os stackholders - acionistas, clientes internos e externos, além da sociedade não terão a mesma opinião sobre a companhia. O risco de perder espaço para a concorrência aumenta e as conseqüências são fáceis de imaginar.

10 - Se, porventura, durante o processo ocorra algum imprevisto que faça com que uma ação/programa precise ser ficar em "stand by" por determinado período, a melhor alternativa é a comunicação clara com os funcionários. Isso evitará que o processo caia no descrédito e a proposta seja retomada, sem chance de êxito.


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A Era das Incertezas ou a Era das Oportunidades?


No século 21 constatamos que organizações globais enfrentarão riscos ainda mais difíceis e melhores oportunidades, em função da globalização econômica, adjunto às tendências sociais e às tecnológicas que avançam em velocidade de cruzeiro. Porém, velhos paradigmas se mantêm no mercado, e assim com um barco a todo vapor toda empresa precisa de um capitão a altura para a tarefa, o líder.

O exigente e competitivo mundo corporativo está cada vez mais complexo, seja pelo incremento dos avanços tecnológicos e pelo "achatamento" do mundo, onde as fronteiras e barreiras comerciais estão menores.

A competição passa a ser global, e os resultados devem ser cada vez mais rápidos e melhores. Uma empresa que queira ter mais alguns anos de subsistência precisa inovar constantemente, procurando novas alternativas de produção, redução de custo, novos clientes, mudança de market share etc.

Qual é o impacto da constante mudança do cenário econômico, da globalização e do avanço tecnológico nas organizações?

Segundo o papa da administração, Drucker (2002, p.172) ao fazer uma previsão sobre o futuro das organizações:
"Nós nem entendemos mais a questão de a mudança ser, por si mesma, boa ou ruim, partimos do axioma de que ela é normal...".
"Não encaramos a mudança como fator de alteração da ordem...".

Encaramos a mudança como sendo a própria ordem - na verdade, a única ordem que podemos compreender atualmente é uma ordem dinâmica, em movimento e mutável.

Ou seja, mudança é um processo natural de todas as coisas, a diferença é que no atual século ela acontece instantaneamente e frequentemente. As empresas devem detectar e perseguir as oportunidades. Antigos resultados da empresa, clientes conquistados, metas atingidas não são garantia de prosperidade no futuro.

O clássico de Charles Darwin, a Origem das Espécies, ilustra como as mudanças (geográficas, alimentares, comportamentais e ambientais) influenciaram os seres vivos e foram importantes para aprimorar capacidades e habilidades destes, garantindo a longevidade da espécie naquele meio ambiente.

Uma empresa que consegue se adaptar evolui, ou seja, evoluir é essencial. Seja trocando sua linha de produtos, conquistando novos clientes, melhorando os processos internos, fazendo uma gestão eficaz dos recursos (pessoas e materiais), investir em soluções sustentáveis, manter um foco de longo prazo etc.

Se uma organização acomodar-se ou não enxergar os sinais da oportunidade fatalmente estará iniciando seu processo de falência. Estar despreparado ou desrespeitar a Lei da Evolução na qual o indivíduo melhor adaptado ao seu meio ambiente garante a continuidade de sua espécie, é ter a mente dos dinossauros, seres que outrora dominaram o planeta e hoje são fósseis, iguais aos que serviram de evidência para Darwin defender sua Teoria da Evolução das Espécies.

O melhor radar de oportunidades: O líder

Evoluir é necessário e crises são oportunidades, mas como uma empresa pode distinguir se a oportunidade é agora?

Segundo Groove (1999, pág. 23) sobre como administrar empresas em crises, "Administrar, sobretudo durante uma crise, é assunto extremamente pessoal".

Não há um sistema, metodologia, função que possa substituir o ser humano, por melhor e mais elaborado que seja um sistema de gestão ou conjunto de métodos, ele pode falhar caso uma variável desconhecida entre na equação.

Outros fatores circunstanciais para uma falha na captação da oportunidade: ausência de motivação dos colaboradores, excesso de burocracia, abusos de poder, metas distorcidas, ausência de governança, insatisfação dos clientes.

Porém em algumas empresas existem homens e mulheres que dirigem seus negócios, conduzindo a organização para o crescimento e a lucratividade, exemplos: Steve Jobs, Bill Gates, Hermínio de Moraes, Olavo Setubal, entre tantos outros.

Ao determinar as características encontradas nesses líderes (Kouzes e Posner, 2001), fizeram uma pergunta a pessoas com formações distintas "Que valores, traços de personalidade ou características você procura ou admira em um líder?". As respostas cruzadas chegavam a quatro principais atributos: honestidade, vanguarda, inspiração e competência.