terça-feira, 9 de setembro de 2014

Motivar ou engajar?


Como motivar pessoas é uma questão recorrente. A maioria das empresas depara-se com esse problema, em geral relacionado com desengajamento, que pode ser traduzido como o total desinteresse das pessoas em fazer a coisa correta, do jeito certo e na hora certa.

Existem basicamente duas soluções para esse problema: uma pílula diária de motivação para todos os colaboradores ou a implementação de um programa de desenvolvimento organizacional com a missão de engajar e comprometer as pessoas com os objetivos a serem alcançados.

Apesar de desejável e muito requisitado pelas empresas, o plano A só pode ser encarado como um sonho irreal patrocinado pela M&M. Portanto, é preciso partir para o plano B, mais complexo, demorado e custoso, mas que pode ser bastante eficiente se baseado em três pilares fundamentais: autonomia, desenvolvimento e propósito.

Autonomia é um importante combustível para as equipes de trabalho. Quando as pessoas podem tomar decisões, e até são encorajadas a fazer isso, aceleram-se os neurônios na busca da coisa certa a fazer. Logo depois, os do medo de falhar. Por isso, num ambiente onde se tolera o risco e há espaço para a busca de soluções inovadoras, as pessoas que conhecem seu nível de autonomia passam a investir esforços na busca por ações que facilitem sua vida e a de seus clientes.

O colaborador que é reconhecido como capaz de desenvolver melhorias no negócio e encontra espaço para fazer isso passa a levar a cabeça para o trabalho, e não apenas seus braços e suas pernas. Ele fica mais atento e esses pontos de atenção passam a ser seu foco de experimentação na busca de novas alternativas.

O próximo passo é trabalhar, de forma estruturada, em programas que preparem as pessoas para enfrentar novos e mais complexos desafios. Com treinamento, autonomia e reconhecimento ao bom trabalho, os colaboradores que realmente importam para a empresa passam a ter a percepção de que estão crescendo e evoluindo na carreira e que, portanto, podem chegar bem longe.

Quanto mais alta for a possibilidade de crescimento apontada pelo plano de carreira, mais as pessoas comprometem-se com a empresa que proporciona rápida ascensão, baseada em capacitação, que é a aquisição de mais conhecimento; e formação, que é a capacidade de pensar, analisar e aplicar o conhecimento adquirido.

Finalmente o propósito, a missão e o motivo. As pessoas precisam saber qual o propósito do que fazem, além de reconhecer esse propósito como relevante. Somente nessa condição as pessoas se dispõem a fazer algo mais e dedicar esforços adicionais e muitas vezes não solicitados. O colaborador que entende sua missão e a da empresa, ele extrapola, vai além e encontra meios de entregar o que a organização precisa. Isso ao mesmo tempo o satisfaz e o realiza profissionalmente.

Certamente dinheiro é e sempre será um importante motivador de pessoas. Mas, apesar de fundamental, não é suficiente. É preciso trilhar o caminho do engajamento, caso contrário as pessoas desistem e se esquecem de avisar, permanecendo na empresa com foco único no salário recebido pelas horas vendidas à empresa. Claro que um aumento salarial pode promover motivação temporária, mas fica a pergunta: quanto uma empresa terá de gastar para fazer com que seus colaboradores queiram fazer a coisa correta, do jeito certo e na hora certa, durante todos os dias do mês, todos os meses do ano?

Haja dinheiro! Portanto, a recomendação é investir em um programa de engajamento baseado nos princípios defendidos acima. Como fazer isso na prática? Bem, esses já são outros quinhentos...

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

7 dicas para evitar gestos que revelam nervosismo e ansiedade na entrevista de emprego

Preparo e controle emocional são fundamentais para alcançar êxito e transmitir tranquilidade ao entrevistador nesta fase do processo de seleção.

Balançar as pernas, mexer os braços exageradamente, tamborilar os dedos, arregalar os olhos, passar as mãos nos cabelos, roer unhas são gestos que denunciam nervosismo e ansiedade e prejudicam sua performance em uma entrevista de emprego. Mais que isso, são sinais de insegurança e refletem, assim, sua condição emocional. Podem, por essa razão, eliminar o candidato em um processo seletivo.

“Ocorre, muitas vezes, de o candidato selecionado para vaga de emprego não ter tanto talento quanto o concorrente. O grande diferencial, nesse caso, é o quanto o entrevistador sente confiança ao conversar com ele”, explica o consultor organizacional Eduardo Shinyashiki.

“O esperado é que, mesmo diante da ansiedade, o candidato tenha autocontrole e equilíbrio. Caso isso não ocorra, será notado pela expressão corporal. Os gestos são reflexos do nosso estado emocional”, atesta Stefania Giannoni, consultora e headhunter especialista no desenvolvimento de pessoas.

Confira dicas dos consultores para evitar gestos inapropriados no cara a cara com o entrevistador:

1. Controle a respiração
A respiração profunda e suave massageia os órgãos e ativa o sistema circulatório dando a sensação de prazer e serenidade. Respiração curta e rápida, ao contrário, transmite medo, insegurança.

2. Ative uma imagem mental positiva
Este exercício é um recurso da neurociência que consiste em construir no cérebro a imagem de um fato que ainda está por acontecer. Dessa forma, antes da entrevista, o candidato já se imagina diante do selecionador e se submete às regras de etiqueta corporativa como se estivesse passando pela situação. É uma atividade de concentração, preparo. Diante do entrevistador a sensação será de deja vu.

3. Antes de falar, ouça
Saiba o que o selecionador quer ouvir de você; responda ao que ele está perguntando. Na ânsia de falar o candidato pode transmitir conteúdos irrelevantes para o momento, afirmam consultores empresariais. O ideal é interagir com o entrevistador.

4. Seja empático
Quando assistimos a um filme em que o sofrimento da (s) personagem (ns) é constante emocionamo-nos. Isso ocorre porque a cena, mesmo fictícia, ativa em nosso cérebro as áreas responsáveis pela emoção. Cria-se uma empatia com as personalidades da tela. Na entrevista de 
emprego, do mesmo modo, perceba o movimento do entrevistador e acompanhe-o de forma parecida.

5. Olhe nos olhos do entrevistador
A sintonia com o olhar é fundamental; não desvie os olhos do entrevistador. Demonstre total atenção ao que ele diz. Faça-se presente.

6. Comunique-se adequadamente
A fala deve acompanhar o gestual e vice-versa. Fale de modo claro e ponderado. Tenha cautela: não queira passar o máximo de conteúdo em tempo inábil. Selecione as informações mais importantes. Transmita suas ideias de forma articulada.

7. Prepare-se para a entrevista
Simular uma entrevista de emprego com um parente ou amigo pode ser uma maneira eficaz de alcançar a excelência no contato com o selecionador. É importante conhecer ainda suas habilidades e competências e saber transmiti-las verbalmente.

Cuidado com a robotização
Preparo é fundamental, mas é preciso cautela para não deixar de ser você e encarnar um personagem, adverte a consultora Stefania Giannoni. Segundo ela, o candidato deve agir com naturalidade, ter postura firme e sentar-se adequadamente. “Alguns indícios como dilatação da pupila, suor e rubor das faces podem nos dar subsídios para saber se a pessoa está falando ou não a verdade. As pessoas não conseguem simular por muito tempo.”

Por Rômulo Martins
Fonte:
Empregos.com.br


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Quem é responsável pela sua carreira?

Um processo pelo qual muitos profissionais já passaram ou, pelo menos, conhecem alguém que já vivenciou, é o da demissão. Uma etapa delicada e que muitos vêem como injustiça, um sentimento que, na maioria das vezes, vem acompanhado por um discurso de dedicação e empenho. Mas o que precisa ficar claro é que, a partir do momento em que há um contrato entre profissional-empresa, os dois estão sujeitos a que uma das partes rescinda o acordo a qualquer hora. Vários são os motivos para uma demissão, mas seja ela qual for, é normal que o profissional sempre ache que o motivo não era suficiente para tal.

Com essa consciência de que o trabalho nem sempre é eterno, o profissional deve tomar as rédeas de sua própria carreira, afinal, ela não depende da empresa e sim das questões adquiridas e administradas por cada um. É claro que muitas empresas oferecem investimentos na vida profissional de seus colaboradores como cursos, treinamentos, viagens, mas este, deve ser um movimento startado pelo profissional, antes de tudo, pois investir tempo e dinheiro em ações de desenvolvimento, deve ser compreendido como a forma de conquistar novas oportunidades, como de garantir a devida empregabilidade. Estes investimentos podem favorecer possíveis promoções dentro da empresa em que esteja atuando, como também, estará preparando o profissional a encarar o mercado de trabalho com segurança, quando assim for necessário. Aliar sua atenção ao que o mercado pede, como tambérm ao que a empresa exige, fará do profissional alguém com uma carreira sólida e de sucesso.

Muitos profissionais não gastam tempo, energia e dinheiro em questões que desenvolvam suas carreiras, acreditando estarem seguros. Acreditam que, atendendo as demandas diárias da empresa em que está inserido, suficientemente, garantem sua continuidade na mesma. Nesse caso, o profissional só se dará conta, de que deixou de investir em sua evolução profissional, quando for convidado a se desligar da empresa, por não apresentar mais, diferenciais competitivos.

Quando isso acontece, muitas pessoas perdem o referencial, pois sempre foram muito dependentes das empresas em que trabalhavam e acabam não sabendo que rumo seguir a partir daí. Mas o que muitos não tomaram consciência é que a demissão pode ser uma oportunidade de olhar para trás e fazer uma avaliação de como anda sua carreira e do que precisa ser feito para ser melhorada.

Muitos descobrem tardiamente que deixaram de lado muitos de seus sonhos por pura falta de planejamento. Aliás, esse é o segredo. Muitos são capazes de fazer isso diariamente nas organizações em que trabalham, mas esquecem de planejar suas próprias vidas e suas próprias carreiras. Como fazer isso? Levando em consideração que a carreira profissional é a própria empresa de cada um. Por tanto, o sucesso depende das decisões, dos investimentos e da maneira como cada um gere sua própria empresa (carreira). É preciso assumir as responsabilidades. Comemorar a cada sucesso e aprender com cada fracasso.

Aquele que tem uma boa visão de mercado já sai ganhando. É preciso saber analisar as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças que cercam o mundo dos negócios e a partir daí sempre ter um plano de ação. O planejamento deve ser flexível, afinal, o mercado está em constante mudança. Assim como os objetivos de cada um podem mudar ao longo dos anos ou de acordo com as exigências do mercado. É preciso estar atento e saber se auto-analisar com freqüência e ponderação.

Acima de tudo, é necessário investimento próprio, aperfeiçoamento, auto-desenvolvimento, cuidados com marketing pessoal e, principalmente, uma boa rede de relacionamento. Tudo isso garante a continuidade da carreira profissional de qualquer um, independente de onde estiver trabalhando. A carreira segue independente da empresa em que se trabalha e desta forma um só poderá acrescentar o outro, jamais depender.
Luciana Serafin - Coordenadora de Outplacement


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Não se acomode jamais

Começo o artigo de hoje, chamando a todos para uma rápida reflexão: o que você tem feito para progredir pessoal e profissionalmente? Ouço muitos profissionais idealizando seus futuros de forma brilhante. Uns querem se tornar diretores ou presidentes, outros idealizam grandes salários, independente do que farão, e alguns, ainda, pensam no dia que deixarão de ser funcionários para serem seus próprios chefes. A pergunta é: o que, exatamente, cada uma dessas pessoas tem feito para chegar lá?

Infelizmente, algumas pessoas se esforçam muito e não chegam precisamente onde gostariam, mas, aos poucos, aproximam-se de seus sonhos. Hoje, porém, quero falar sobre as pessoas que se acomodam no estágio que se encontram, mesmo almejando os tais futuros brilhantes. São os que chamamos de acomodados. E esse tipo é muito frequente nas organizações. Basta olhar a sua volta que, certamente, identificará pelo menos uma pessoa. 

É muito fácil criar uma rotina e, a partir disso, seguir diariamente um roteiro de ações, sem se preocupar muito em se organizar para dar conta de tudo. Sair do comodismo requer mudanças, o que nem sempre é bem visto pelas pessoas. As mudanças, por melhores que sejam, causam mal estar, pois necessitam de esforço. Para ir atrás do crescimento profissional, por exemplo, é fundamental desenvolver novos hábitos a todo o momento. O desacomodado, quando alcança uma nova conquista, já procura um novo desafio para dar continuidade em seu crescimento. 

O acomodado, por sua vez, parece ter medo do novo. Medo do que a busca por desenvolvimento possa lhe custar: ter que trabalhar até mais tarde; fazer coisas que, possivelmente, ele ainda não possui habilidade; medo de assumir alguma incapacidade; deixar a inércia. Geralmente são pessoas procrastinadoras, que costumam fazer as mesmas coisas sempre do mesmo jeito e que empurram pra depois tudo que podem fazer agora. 

Veja, quando estamos insatisfeitos com alguma coisa a tendência é que busquemos a melhora da situação. Porém, o acomodado, mesmo estando insatisfeito com alguma coisa, prefere ficar onde está. Por mais que seja ruim, é menos trabalhoso, pois, ir atrás de satisfação tomará tempo e esforço. Sacrifícios precisarão ser feitos e, se tem uma coisa que o acomodado não gosta de fazer é se sacrificar, seja lá por qual motivo for. 

Num ambiente profissional ainda há um agravante. O acomodado, normalmente, abusa da “boa vontade” do próximo para evitar ter que fazer coisas que não lhe agradam muito. É muito mais fácil ter alguém que pense por ele e que, principalmente, execute tarefas em seu lugar. Uma forma de burlar seu comodismo e, quem sabe, sua incapacidade. 

O maior prejuízo desse comodismo em excesso é o desenvolvimento do próprio profissional. Ao passo em que ele deixa de ir atrás de ações que o desenvolvem dentro da empresa e que o muna de experiências, ele vai ficando pra trás no que diz respeito à progressos. Enquanto isso, as pessoas que estão a sua volta, e que vivem “tapando seus buracos”, vão se desenvolvendo, mesmo que sem querer ou sem perceber, pois fazem o trabalho que deveria ser feito pelo acomodado. 

É uma pena que tipos como esse que citei sejam tão comuns. O mercado anda numa velocidade muito grande, incapaz de esperar pela real vontade das pessoas. Aliás, enquanto um não quer aqui, outro quer e faz por onde conseguir ali. A concorrência chega a ser quase desleal com essas pessoas que se acomodam em seus mundinhos. Pois lá fora, há muitas pessoas que não estão acomodadas nenhum pouco. Pelo contrário, brigam por seus espaços com ideias inovadoras, proatividade e uma vontade muito grande de fazer acontecer. 


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A mistura que faz a diferença

Há alguns anos, ao ser convocado por um de meus clientes para uma conversa sobre um novo processo seletivo pelo qual íamos fazer para ele, fui surpreendido por um quase desabafo. Meu cliente, já desolado, reclamava sobre os constantes desligamentos que vinham acontecendo entre os funcionários mais jovens da empresa. Como esses profissionais não foram colocados pela minha empresa, eu não tinha muitos subsídios para entender o que acontecia, por isso, pedi que ele me explicasse o que eles faziam e como eles eram contratados. 

Foi assim que ele me explicou que esses jovens eram, na maioria das vezes, indicações de uma empresa que terceiriza mão de obra, e que, por conta disso, grande parte dos funcionários eram muito imaturos. Gilberto me explicou ainda que alguns desses profissionais, inclusive, passavam pela primeira experiência de trabalho e, com isso, precisavam aprender não só o trabalho em si, como outras questões do mundo corporativo. 

Antes que ele continuasse, expliquei que, estatisticamente, quanto mais jovem um profissional, mais infiel à empresa ele é. Apesar de possuírem grande disposição e de parecerem se encaixar em qualquer tipo de emprego, pontos favoráveis para sua contratação, o jovem profissional possui uma série de contrapontos que deveriam ser considerados pela empresa, para evitar futuras surpresas desagradáveis. Gilberto investia em treinamento para deixar esses profissionais no ponto para atender sua empresa, mas, antes que o investimento pudesse ser sanado por seus retornos, esses profissionais pediam demissão, deixando prejuízos enormes.

 Foi assim que o fiz entender os benefícios de contratar pessoas mais experientes. No caso das necessidades dele, o ideal seriam profissionais com uma idade um pouco mais avançada, que ponderam mais em suas decisões e que não precisam de tantos treinamentos. Sendo assim, ele precisaria dispor de salários melhores, afinal, nesses casos, quanto maior a faixa etária, maior a faixa salarial. Não é regra, mas seria o mais adequado no caso da empresa dele. 

Gilberto aceitou o desafio e para substituir os últimos três desligamentos, pediu que minha empresa buscasse profissionais mais experientes. Com isso, subiu a faixa salarial e, consequentemente, as atribuições dos cargos foram incrementadas. Já que ele disporia de melhores benefícios, era justo que ele recebesse mais retornos dos profissionais. 

Considero o trabalho que fizemos para Gilberto um dos nossos melhores cases de sucesso. Hoje, cinco anos após esse ocorrido, os três profissionais que colocamos na época continuam com ele. Nesse meio tempo, já se desenvolveram, foram promovidos e dão excelentes resultados para a empresa. Gilberto conta que ainda contrata jovens para sua empresa, mas, ao invés de tratá-los como antes, criou um pequeno programa de trainee para desenvolver esses talentos e deixá-los com a experiência necessária para atender a empresa futuramente. 

As expectativas depositadas nesses jovens hoje são diferentes do que ele esperava daqueles jovens de anos atrás. Com isso, as decepções são amenizadas e, o principal, os prejuízos não acontecem, já que tudo está planejado. E, o mais curioso, esse programa de trainee foi criado por um daqueles três profissionais de cinco anos atrás.

De lá pra cá, minha consultoria já o atendeu inúmeras vezes. Porém, conosco ele sempre busca os profissionais mais experientes, os verdadeiros talentos, pois sabe que para esses a atenção deve ser um pouco diferenciada. 


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Simplicidade


A simplicidade não dá Ibope, definitivamente! Preferimos complicar nossas vidas e a dos outros, fugindo das medidas e das atitudes simples, procurando dar charme e uma falsa aura de nobreza ao que fazemos. E nisso sacrificamos o entendimento e a utilidade. E não percebemos nossa culpa - infelizmente, somos tão incompreendidos... Não alcançam nosso valor e a profundidade de nossas contribuições... Fazer o quê, então?!

No ambiente de trabalho, é incontável o número das situações que poderiam receber soluções rápidas e de fácil implementação, se optássemos pelo simples. Preferimos soluções mirabolantes e pretensamente grandiosas a práticas mais pé-no-chão. Isso nos dá assunto para encontros e seminários, quando podemos expor nossas políticas e planos baseados na última moda.

E por falar em moda, a ojeriza de muitos gestores ao simples e ao óbvio enriquece os gurus dos negócios. Não dialogam com os funcionários, com o pessoal que realmente pode contribuir - até porque esse pessoal é que vai ter de implementar as ações -, porque isso não dá status. Ao contrário, gastam fortunas com consultorias de grife ou engolem teorias e propostas alienígenas, que nem sequer digerem adequadamente para uma correta adaptação à cultura local. Mas, nas conversações com colegas de outras empresas, despejam o que leram e pretensamente praticam - e quantas vezes falam um monte de besteiras sem se darem conta disso.

Em família, ou na vida privada, continuamos agindo da mesma forma. Buscamos teorias mirabolantes que expliquem nossos fracassos, mas não enxergamos o óbvio - a falta de diálogo e a fuga do simples. Exemplos não faltam e seria ocioso, aqui, mencioná-los.

Certa vez vivi uma experiência interessante, que ilustra isso. Queríamos desenvolver um manual que, ao mesmo tempo em que orientasse quanto à correta maneira de fazer determinada tarefa, contivesse algum estímulo à leitura - ou iríamos cair na mesma situação de manuais anteriores, nunca lidos. Consultamos especialistas no assunto, levantamos orçamentos, namoramos produções bem elaboradas e, claro, dispendiosas, mas com assinatura.

Preocupado com o gasto que iríamos ter, resolvi conversar com alguns funcionários, que usavam um roteiro que havíamos elaborado internamente, para saber deles qual seria uma boa maneira de apresentar aquele documento, de forma que todos lessem e tirassem proveito. Para minha surpresa, um desses funcionários tinha por hobby a elaboração de HQ, ou seja, era um desenhista de histórias em quadrinhos, e sua sugestão foi óbvia - elaborar o manual na forma de quadrinhos. Ele cuidou do desenho, nós, os gestores, asseguramos que o texto atendia às necessidades.

Não precisa dizer que a solução, além de atender plenamente à necessidade e evitar um gasto significativo, nos permitiu descobrir e explorar a habilidade de um funcionário, que se sentiu valorizado com isso (e deixemos claro que ele foi devidamente recompensado, antes que os críticos de plantão atirem as pedras!). Aliás, essa valorização de habilidades escondidas é assunto fértil na Gestão do Conhecimento.

Soluções simples, decorridas de uma atitude simples - conversar, dialogar, perguntar a quem vai usar... Não doi e como ajuda!

As reflexões acima foram motivadas pelo texto abaixo, que recebi via e-mail. Trata-se de uma pilhéria que tem fundo de verdade.

"Sem as justificativas de afastamento fornecidas pela guerra fria, norte-americanos e russos ingressam numa promissora fase de colaboração, especialmente na exploração do espaço sideral. Num desses momentos, ao fazerem suas anotações, a bordo de uma nave em órbita, o cosmonauta russo elogiou seu colega americano:

- Ótima, essa sua caneta.

- Não é? Ela representa nossa genialidade, engenhosidade e criatividade.

- Sério?

- Sim. Quando iniciamos os testes no simulador de gravidade zero, percebemos que as canetas esferográficas não escreviam - a tinta não fluía. 

Uma empresa de consultoria foi contratada para solucionar o problema. Levou uma década e investiram mais de 10 milhões de dólares, mas valeu à pena, a solução veio. Essa maravilha escreve em qualquer condição: em ambiente de gravidade zero, de cabeça para baixo, não importa a superfície, e tem a mesma performance em qualquer temperatura, seja muito abaixo de zero ou a 300ºC.

- Puxa! - admirou-se o russo. Tivemos o mesmo problema, nas mesmas circunstâncias de uso do nosso simulador - a tinta das esferográficas simplesmente não saía.

- E como vocês resolveram o problema?

- Optamos por usar lápis".

Se procurarmos mais o lápis e deixarmos de lado um pouco nossa arrogância novidadeira e nossa fome por soluções sofisticadas, tornaremos nossas vidas e as dos que nos cercam mais fácil, com certeza.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

10 sinais de que é hora de trocar de emprego

Insatisfeito com seu trabalho, mas ainda na dúvida se é o momento certo para mudar de ares? A revista Forbes coletou com especialistas em políticas corporativas e recursos humanos quais são os sinais mais frequentes e inegáveis de que é hora de partir:

Seu emprego está afetando sua  saúde – Se você passa seus finais de semana lamentando ter de voltar ao trabalho na segunda ou detesta o momento em que abre seus olhos ao acordar pela manhã, há claramente um problema. Um emprego ruim pode inclusive afetar sua saúde. Preste atenção se você anda ficando doente com freqüência e se tem dores crônicas nas costas ou de cabeça.

Queda de produtividade – Se estresse demais é uma coisa ruim, estresse de menos também é um mau sinal. Quando seu trabalho se torna enfadonho, é provavelmente um sinal de que você já está um nível acima do exigido por suas funções. Por outro lado, se o seu tédio vem da falta de trabalho a fazer, você pode estar em apuros. Sua empresa pode estar tentando te mandar uma mensagem.

Você parou de desenvolver novas habilidades – Pesquisas apontam que a falta de oportunidades para avançar na carreira é a principal razão que leva os profissionais a procurarem outro emprego. Se você percebeu que não está mais desenvolvendo novas habilidades e não está participando de projetos que te ajudem a crescer, talvez seja hora de procurar outra função. Ficar estagnado em uma posição pode te prejudicar na hora de conquistar novas  oportunidades.Você foi preterido, mais uma vez, no momento de uma promoção – Talvez seja o momento de mudar de ares se você foi deixado de lado numa promoção sem qualquer explicação. Se, ao contrário, a empresa te der um feedback claro, é um indicativo de que eles acreditam em você. Porém, caso isso tenha ocorrido inúmeras vezes, é o momento de sair.

Você e seu borderô foram remanejados – Mudanças organizacionais são inevitáveis, mas quando as alterações ocorrem sem te incluir, é hora de seguir em frente. Se você e sua equipe receberam outras funções,  foi dado o sinal vermelho. Sua divisão não é prioridade para a empresa.

Suas conquistas não são reconhecidas – Se a companhia está tendo um bom desempenho, mas você não está recebendo o reconhecimento que merece, financeiramente e de outras formas, é hora de fazer uma reavaliação. São maus sinais, por exemplo, não receber elogios por um bom trabalho, ser preterido para uma promoção e ter um pedido de aumento por mérito negado.

Sem aumento à vista – Um sinal claro de que chegou a hora de partir é quando sua contribuição supera suas compensações. Se a economia e os negócios estão bem, mas os aumentos não ocorrem, você não está sendo devidamente valorizado.

Você não consegue nem fingir interesse pelo trabalho – Se seu emprego não te desafia mais ou se você mal consegue fingir interesse nele, é hora de mudar.

A companhia está mal – Ainda que você goste de seu emprego, é bom ficar atento a sinais negativos que possam indicar que sua companhia não está indo bem. Atrasos nas contratações e rumores de demissões são indícios de que é prudente começar a olhar o mercado.

Os valores da empresa não estão mais alinhados aos seus – Caso a cultura corporativa de sua empresa comece a entrar em conflito com a sua ética e os seus valores, é melhor procurar uma outra função, na qual você se sinta melhor e que  signifique mais para você.

Por Elisa Campos