quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Negociação 3D

Olho no olho, postura confiante, argumentos afiados. Para James Sebenius, professor de Harvard, os elementos clássicos para conseguir um acordo são insuficientes. Conheça o seu método, batizado de “Negociação 3D”.

Duas irmãs estão brigando por causa de um laranja. Cada uma quer três quartos da laranja, mas há apenas uma fruta na mesa. Aparentemente, não há negociação possível. Mas, investigando a questão, percebe-se que uma das irmãs tem muita fome. A outra, não. Deseja apenas dar sabor a uma receita gourmet. Sob a nova ótica, é possível levantar uma proposta diferente: a casca deve ficar com a irmã que precisa de um aromatizante, e a polpa, com a irmã faminta. James Sebenius, usa essa historinha para explicar que há sempre mais de uma dimensão em uma negociação. Confira o seu método na entrevista a seguir.

O que é negociação 3D?
Ser persuasivo e um bom tático é a primeira dimensão da negociação. São as habilidades interpessoais. A substância ou o resultado é o que nós chamamos de design do acordo — isso é a segunda dimensão. Por exemplo, considere um empreendedor que quer vender seu negócio por US$ 10 milhões. Ele encontra um comprador disposto a pagar US$ 5 milhões. Se cada lado tem uma visão diferente do futuro, uma solução pode ser um contrato em que o comprador concorda em pagar uma quantia fixa imediata e, depois, uma segunda parcela que irá variar de acordo com o resultado da empresa. Já a terceira dimensão são todas as coisas que você faz longe do palco de negociação para estar certo de que terá o cenário mais promissor possível à mesa. Um ótimo negociador é um bom arquiteto de cenário, um bom designer de acordos e um bom tático de resolução de problemas.

Isso exige que o empreendedor busque informações antes da negociação. Como se faz isso?Se você não procurar a informação, não irá encontrá-la. Uma história interessante é a de Tom Stemberg, da rede Staples, que vende material de escritório a preços muito baixos. Inicialmente, ele conseguiu capital para construir algumas lojas-teste, que tiveram muito sucesso. Mas precisava de mais recursos. Stemberg voltou a procurar os fundos de venture capital, mas os gestores não queriam dar muito dinheiro e exigiam um pedaço grande da sociedade. Ele foi então conversar com um consultor especialista em venture capital, que o encorajou a procurar as pessoas que colocaram dinheiro nos fundos investidores das lojas-teste Staples. “Por que você não propõe a elas um investimento direto, para que não tenham de pagar 20% dos lucros para os gestores do fundo?”, questionou o consultor. Foi assim que Stemberg conseguiu ganhar poder de negociação. Depois, voltou aos gestores de venture capital e disse: “Quero seu dinheiro, mas as possibilidades de investimento já estão sendo preenchidas”.

O que essa história tem a ver com negociação 3D?
Apesar de Stemberg ter conseguido ler a linguagem corporal daqueles gestores de venture capital, não conseguiu inicialmente um bom negócio. Não basta olhar para as táticas. Ele, então, questionou: “Quem pode ter motivos para fazer um acordo melhor?” Stemberg rearranjou a mesa. Agiu fora dela para ficar em melhor situação na negociação.

Como a negociação 3D é diferente de formas clássicas de negociação?
Uma das diferenças é que o processo precisa criar valor pela colaboração. Mas isso também não é suficiente. Às vezes, as pessoas só se concentram na criatividade, no relacionamento e em negociações ganha-ganha. Criam bastante valor, mas o outro lado vai embora com a maior parte desse valor. Então, também nos preocupamos com as táticas que ajudam as pessoas a terem acesso a todo o valor que elas ajudaram a criar.

Como antever os obstáculos que podem surgir em uma negociação?
A primeira ação é fazer uma auditoria das barreiras, que é um olhar rápido para aquilo que faz essa negociação ser difícil. Muitas vezes, nos precipitamos e dizemos: o impasse é o preço. Ou a personalidade de alguém. Um negociador 3D pergunta: “O que torna isso difícil? O cenário está errado? Há valor suficiente para fazer a negociação funcionar? As táticas são apropriadas? Há problemas com pessoas?”. É necessário um scan 3D do cenário, do acordo e das táticas. Verificar quais são as barreiras e depois fazer movimentos na mesa ou fora dela para ultrapassá-las.

Como é possível saber quando o empreendedor está em desvantagem ou deve deixar a negociação?
Um erro comum é se concentrar na negociação em si, até que a situação fique difícil, e depois tentar descobrir o que fazer. Os negociadores mais eficazes se perguntam, antes de entrar na negociação: “O que farei se não houver acordo? Quais são as minhas opções de desistência? Há parceiros alternativos?”. É preciso pesar sempre os dois possíveis resultados — acordo e não-acordo. Quando o não-acordo parece melhor, você se afasta da negociação. E, mesmo quando o acordo parece melhor, mas o outro lado acha que você está confortável com a possibilidade de desistir, isso dá um grande aumento no seu poder. Se eles percebem que você nunca vai desistir, é muito difícil negociar.

Por Mariana Iwakura 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Do Fracasso ao Sucesso!

"Todas as histórias de sucesso passaram por histórias de fracasso. A única diferença é que, sempre que fracassaram, essas pessoas reagiram" 
  
Thomas Alva Edison fracassou, aproximadamente, dez mil vezes enquanto trabalhou na invenção da lâmpada elétrica. Registrou e catalogou 1.903 inventos.

Henry Ford estava falido aos quarenta anos. Sua empresa é até hoje uma das maiores montadoras do mundo.

Lee Iacocca foi demitido por Henry Ford II aos 54 anos e pós esse episódio salvou aChrysler da falência e se tornou famoso no mundo inteiro, além de milionário, como o executivo mais bem pago do Planeta, com um salário anual de 19 milhões de dólares.

Disseram ao jovem Beethoven que ele não tinha talento para a música, mas ele ofereceu ao mundo sua grande obra.

Albert Einstein foi expulso do colégio por ser briguento e questionador querendo freqüentar mais os laboratórios do que as aulas. Até hoje o mundo se curva as suas descobertas.

Voltando a Thomas Edison, em 1914 aos 67 anos, perdeu sua fábrica num incêndio. O seguro era baixo. Não sendo mais jovem, perdeu tudo. Ele disse na época: "Há muito valor no desastre. Todos os nossos erros aí são queimados. Graças a Deus podemos começar de novo". Apesar de tudo, três semanas depois, ele inventou o fonógrafo. Que motivação! Que humor! Que atitude!

Os reveses na vida são inevitáveis. A vida não é feita só de sucesso e este é construído no fracasso. Aprenda a ser vencedor, não vítima. O medo e a dúvida provocam um curto-circuito na mente.

As batalhas da vida nem sempre surgem para o homem mais forte e mais rápido... Porém, mais cedo ou mais tarde, aquele que vence é aquele que crê que pode, que acredita que consegue.

Viver sem usar a capacidade de pensar é como atirar sem fazer mira.

Pense nisso, um forte abraço e esteja com Deus!

Gilclér Regina
  

Colaboração: Jorge Pedro  -  Assessoria em RH

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Pequenos Grandes Negócios

Com certeza você, dono de um pequeno negócio, já deve ter ouvido em diversas situações que o futuro que todo pequeno negócio deve almejar é o crescimento até se tornar uma grande empresa, certo? Os argumentos são muito fortes para sustentar este objetivo. Empresas grandes possuem um patrimônio que lhes dá sustentabilidade e solidez, seu poder de barganha aumenta, sua capacidade de atrair talentos também, assim como as melhores oportunidades surgem para quem tem grande porte.

Bem, e se eu lhe disser que você deveria pensar em ser uma grande empresa ao invés de ser uma empresa grande?

Veja bem, não é a mesma coisa. Uma empresa grande é grande em tamanho, têm milhares de funcionários, várias unidades de negócios, grande cobertura geográfica, faturamento na casa dos bilhões e uma grande visibilidade, principalmente na mídia especializada. Já uma grande empresa, pode ser pequena ou, normalmente, média, em tamanho. Ela na verdade é fabulosa, tem poucos negócios, mas são as referências nos respectivos setores. Seus funcionários, que não passam de algumas centenas ou até dezenas, são grandes talentos e têm orgulho do lugar onde trabalham. A marca não é globalmente conhecida, mas é respeitada e admirada por quem conhece.

Bem, esta é a idéia que Bo Burlingham traz com o seu livro ‘Small Giants – Companies that choose to be great instead of big’ (Pequenos gigantes – Empresas que escolheram ser fabulosas ao invés de grandes). Neste livro, Burlingham traz alguns motivos para o empreendedor repensar sua estratégia de se tornar grande:

1) Manter-se pequeno dá ao empreendedor a autonomia na tomada de decisões. O empreendedor continua com o negócio sob seu controle, não precisa dividir as decisões com várias pessoas como em uma grande organização. O dono do negócio pode decidir que prefere abrir mão de lucros para poder testar novos mercados em um determinado ano, uma empresa grande não tem esta opção.

2) Pequenos grandes negócios possuem uma identidade, uma ‘alma’ que permeia toda a cultura interna e que se perde quando ela cresce demais. Isso é importante porque dá aos funcionários um senso de pertencimento, garante sua individualidade e o faz sentir-se como parte de uma família. Os funcionários são valorizados como pessoas e não como recursos. As pessoas têm contato direto com os sócios da empresa e este contato aumenta o alinhamento deles com a visão dos donos. As relações não são frias e impessoais como nas grandes, mas próximas e calorosas como sempre deveriam ser.

3) Na medida em que a empresa cresce, o prazer de empreender vai dando espaço às obrigações por resultados. A burocracia toma o lugar da liberdade. A pressão por cumprir os indicadores substitui a espontaneidade e a autonomia. Os controles e processos passam a ser mais importantes do que a adrenalina de um novo negócio. Cedo ou tarde, o empreendedor descobre que perdeu o que mais preza, sua independência.

4) Empresas menores se concentram em fazer pouco mas fazer bem. Seu direcionador para o futuro é a excelência e a qualidade e não o volume e a massificação. Pequenos grandes negócios entendem que todo crescimento tem um custo e as vantagens de ser grande não se sobressaem aos benefícios de ser pequeno. Eles regulam a demanda do mercado através de preços Premium e por isso conseguem investir mais na criação de valor para o cliente ou inovações para o mercado.

O importante a salientar aqui é que o crescimento é necessário e importante, afinal, ninguém quer manter seu negócio na linha da sobrevivência. O problema surge quando o empreendedor não estabelece um limite para este crescimento e acha que quanto maior, melhor. Não podemos culpar o empreendedor por esta mentalidade, afinal, mercado, concorrentes, clientes, investidores, sócios, funcionários, parceiros, fornecedores, sociedade, todos exercem forte pressão pelo paradigma do crescimento contínuo. O empreendedor precisa ter a frieza de fazer a auto análise e se perguntar: ‘Ter uma empresa grande vai ser bom para mim? É isso que realmente eu quero?

Lembre-se, ser pequeno ou médio não é um defeito e nem precisa ser considerado como um estágio intermediário que todas as empresas precisam passar para avançar ao status de grande. Ser grande não é o único caminho. Como bem dizia uma antiga propaganda de uma distribuidora de combustíveis, você não precisa ser o maior para ser o melhor.

Por Marcos Hashimoto 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Sinal amarelo para o emprego

A perda de dinamismo da economia brasileira já começa a ter reflexos no mercado de trabalho. Embora a taxa de desemprego de 6%, medida pelo IBGE, ainda revele uma situação de estabilidade, os últimos números divulgados apontam para o enfraquecimento do quadro de emprego no País. No primeiro semestre do ano, houve uma redução de 21%  nas contratações formais (com carteira assinada), ante o mesmo período do ano passado, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Foi o pior resultado para o período desde 2009. A perda de vigor do mercado de trabalho tem sido puxada pelo setor industrial, que cortou 120 mil pessoas em junho, retração de 3,3% ante maio, de acordo com o IBGE.  

As empresas estão tendo de se ajustar à desaceleração da economia e ao avanço da inflação, segurando custos administrativos e, em alguns casos, segurando contratações. “Não demitimos ninguém de nosso quadro de empregados fixo, mas estamos administrando a contratação de vagas, priorizando as que vão trazer maior volume de venda e deixando para depois as que são de suporte”, afirma Roberto Mar Orellana, gerente de Desenvolvimento Organizacional da Coca-Cola Femsa no Brasil. A multinacional, maior engarrafadora de Coca-Cola do mundo, manteve os investimentos previstos. 

Na Basf, a ordem é reduzir custos de impressão, telefonia e viagens. "Nesse momento, essas são as únicas ações que estão sendo tomadas", afirma o vice-presidente de RH da empresa, Wagner Brunini. Segundo ele, "não houve alteração nas contratações por substituição."
  
A Epson do Brasil, que recentemente expandiu sua linha de produção, empregando mais de 100 pessoas, informa que pretende continuar contratando, mas está atenta à evolução da economia. “Planos de contratação ou investimento são continuamente revisados e ajustados de acordo com a situação”, afirma Silvia Ikeda, supervisora de RH.
   
A economista Ana Belavenuto, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), alerta que há pelo menos dois anos a indústria passa por um momento difícil. Fatores macroeconômicos, como o câmbio elevado, têm dificultado a recuperação desse segmento. “As políticas de subsídios adotadas pelo governo nos últimos tempos não foram suficientes para que a indústria voltasse a crescer e a contratar pessoal, mas permitiu que a situação não se agravasse”, afirma Ana.
  
Em relação ao futuro, a especialista, que até há pouco tempo aguardava um crescimento pequeno da indústria, viu o cenário mudar recentemente para pior, em razão, principalmente, das constantes revisões para baixo do Produto Interno Brito (PIB). “Acredito que, no curto prazo, a indústria não irá se recuperar e não contribuirá para a geração de novos postos de trabalho.” A economista do Dieese destaca que o quadro é preocupante, pois a indústria poderia gerar um efeito positivo em toda economia. “O setor de serviços e o comércio dependem em partes da indústria para continuar crescendo”, afirma.  
As incertezas dos consumidores por conta da perda de fôlego da atividade prejudicaram as vendas da Coca-Cola no País no segundo trimestre deste ano, segundo informações divulgadas pela imprensa. O volume de vendas da bebida ficou estável no período na comparação com os mesmos meses do ano passado, quando houve crescimento de 6%. 

“Mantivemos nossa linha de investimento no País, mas estamos mais cautelosos em executar gastos”, afirma o executivo da Coca-Cola Femsa. O plano de contratação da companhia também precisou ser revisto. As vagas operacionais e temporárias foram ajustadas. O ritmo de contratação da empresa também foi alterado, com aumento no tempo de recrutamento. Ele diz ter esperanças de retomar o ritmo normal de contratação nos próximos meses. “Nosso negócio é muito sazonal, mas estamos com boas expectativas para o segundo semestre. Esperamos que a economia se recupere”, afirma.

A Basf, cuja matriz declarou nesta semana dificuldade em atingir sua meta de lucro prevista para o ano em razão do encolhimento dos mercados europeus e do crescimento mais lento na China, alega estar preparada para o atual momento de volatilidade da economia brasileira. "Os nossos investimentos são estudados por muitos anos e por diversas perspectivas, desta forma, o que foi planejado anteriormente permanece sem alterações", diz Brunini, lembrando que a empresa atua há mais de cem anos na América do Sul e está acostumada a lidar com tempos mais difíceis. 

Apesar de não descartar planos de contingência, em virtude de dados macroeconômicos, como a inflação mais alta e a valorização do dólar, a Epson do Brasil também afirma que  as perspectivas para os próximos meses são positivas e por isso manteve o programa de contratações. “As contratações cresceram significativamente alinhadas à previsão do aumento do volume de produção”, diz Silvia Ikeda, supervisora de RH.

A Alog Data Centers do Brasil, do ramo de TI, também se mostra otimista em relação ao futuro. A empresa, que conta atualmente com 500 colaboradores, inaugurará em breve, no Rio de Janeiro, um novo datacenter. "Cada vez mais as empresas precisarão de infraestrutura de datacenter premium para viabilizar seus negócios e estaremos lá para atendê-los", afirma Victor Arnaud, Diretor da companhia.


sexta-feira, 9 de agosto de 2013

EMPREGO - Vencendo o desafio da "estreia"

Por Alexandre Peconick 

O primeiro emprego requer, mais do que nunca, foco na atividade

Frio na barriga. Falta de apetite. Dificuldade de pegar no sono. Se você está ainda em seu primeiro emprego e está tendo esses "probleminhas" saiba que está bem longe de ser o único. É muito comum sentirmos insegurança quando temos de enfrentar a experiência do primeiro emprego. Nessa hora é preciso não ter medo de errar, afinal o momento é um aprendizado e se soubermos retirar proveito ganharemos uma tremenda bagagem pessoal e profissional.

Ao mesmo tempo em que a inexperiência pode provocar vergonha de se expor, se você for uma pessoa ponderada saberá reverter a situação, ou seja, vai lembrar que está ali para aprender, portanto é preciso se expor sim.

Perguntar, questionar, estar a par de tudo que está ao seu alcance. Ser comunicativo, não deixar que nenhuma dúvida o acompanhe até o final do expediente. E para quem já ouviu brincadeiras de mau gosto (muito comuns, por sinal) dos mais velhos que não perdem uma oportunidade de lembrar da sua condição de "novato", é bom ficar sabendo que essas pessoas ou são mal informadas ou estão fora de moda.

Hoje em dia, a empresa produtiva e competitiva trata os estagiários e recém-contratados como se fossem a menina de seus olhos. Eles representam a possibilidade da empresa se manter competitiva no futuro. O investimento em treinamentos nesses perfis de empregados é hoje uma das armas das companhias para formar profissionais que futuramente exerçam postos de diretores e gerentes. Então, lembre-se, a sua vontade de aprender e seu interesse é o que vale. A insegurança e o medo não são nada interessantes aos olhos de seu gestor.

Para nos orientar melhor sobre esse momento delicado, procuramos a orientação de renomados consultores de Recursos Humanos, sempre atualizados com as ferramentas de mercado. E revelamos seus pontos de vista em questões-chave para os profissionais iniciantes:

De que forma o recém-empregado deve se comportar no ambiente de trabalho para sentir-se bem?

É preciso ser capaz de olhar, analisar, perceber, participar e reconhecer o ambiente e as possibilidades de contribuição para que se torne um local melhor, até mesmo no sentido físico. Quem sabe talvez precise ser mais iluminado, mais arejado. É preciso observar muito e tentar descobrir como lidar de maneira amigável e prazerosa com os colegas de trabalho, e nunca esquecer de manter a humildade, mesmo que, em determinada situação você saiba deter muita informação acerca do tema abordado.

O que fazer para perder a insegurança e tomar decisões no novo trabalho?

Existe uma espécie de "chamado divino" que protege os iniciantes, o próprio nome já diz, você começou agora e é necessário ser capaz de ter iniciativas e superar esse medo, porque é permitido errar. O erro é um acerto que ainda não aconteceu, se você souber compartilhar com os outros essa situação sem medo ou vergonha. Todos nós somos eternos aprendizes.

Qual seria a melhor postura para captar o respeito dos amigos de trabalho?

Usar sempre a sabedoria e lembrar que dependemos de muitas coisas para estarmos bem. Nunca impor suas ideias sem querer ouvir os outros. Não ser autoritário e não fingir ter uma personalidade que não é a sua.

O que devemos fazer quando ainda não estamos seguros se realmente escolhemos e estamos trabalhando na carreira e no lugar certo certa? 
Devemos reunir o maior número de informações possíveis acerca das possibilidades existentes, dialogar com pessoas que convivem concretamente com estas realidades, olhar para a própria biografia e perceber quais das nossas habilidades mais gostamos. Receber ajuda de profissionais também é importante. Existem os orientadores que ajudam a nos conhecermos melhor. Para quem está em dúvida sobre o que realmente o satisfaz, é preciso descobrir nas mais variadas situações do dia-a-dia.


Até que ponto devemos nos render às convenções sociais para nos darmos bem? Como devemos lidar com nossos defeitos, aceitando-os ou tentando modificá-los?

Fazendo os dois movimentos, pois a aceitação é muito importante. A capacidade de mudança também é muito importante para conseguir "melhorar" nosso defeitos e ampliar as virtudes. A possibilidade de mudança é algo muito humano desde que tenhamos os estilos adequados. Fazemos mudanças extremamente significativas na vida a qualquer tempo. Por exemplo, uma pessoa de 60 anos de idade é capaz de sentir e agir como um adolescente apaixonado. Frente a um contato afetivo abrir-se a esta circunstância, mudar e manter o que essencialmente tem dentro de si.

Os consultores ressaltam também a importância do profissional iniciante desenvolver sua capacidade de ser flexível, que nada mais é do que ser capaz de perceber os outros, perceber a situação, estar atento a tudo, aberto e disposto a olhar, aprender, ver, escutar e dialogar. Ou seja, quando aparece um desafio no trabalho e não sabemos se vamos conseguir realizar, é melhor ir em frente, sabendo que o erro é a realização que está se preparando. Ninguém nasceu sabendo. Errar é a possibilidade de vir a acertar no momento seguinte, desde que a pessoa seja capaz de aprender com o erro e sempre compartilhar com quem possa ajudar a corrigi-lo. Nós somos seres sociais e viver junto em organização é a condição humana que nos caracteriza como humanos.

Claro: é muito complexo um jovem ter toda esta capacidade com tão pouca idade, mas a leitura de textos como este pode ser um bom indicador de caminho.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Desenvolva tanto o homem quanto o gerente

As pessoas que mais aprendem são as que mais ensinam. Até mesmo a forma como elas buscam o aprendizado é um ensinamento para nós. Quem culpa a falta de tempo por não fazer aquele curso tão importante para sua ascensão profissional talvez não saiba que Lincoln tornou-se advogado estudando sozinho, nas raras horas livres que seu trabalho braçal lhe permitia. Os que afirmam não terem “condições adequadas” para aprender provavelmente ignoram o fato de que Marie Curie arriscou a liberdade e a vida para poder estudar. Os que dizem que “é tarde demais para aprender” possivelmente desconhecem a história de Roberto Marinho. Quem está sempre declarando: “Nunca vou conseguir aprender isso”, talvez começasse a pensar diferente se ouvisse a história de Alcino Neto. E os profissionais preocupados apenas com o conhecimento necessário aos aspectos técnicos de suas carreiras teriam muito a ganhar se pensassem a respeito da máxima de Willard Rockwell: “Desenvolva tanto o homem quanto o gerente”. 

Cora Coralina tem uma frase muita sábia: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. É curioso notar ela não diz “ensina o que sabe”, mas, sim, “transfere”. Quem pensa em termos de “ensinar o que sabe” pode estar se colocando na posição de um professor na sala de aula, sem o ser. E, ainda por cima, pode estar se colocando na posição de um mau professor, que se envaidece ao exibir de forma arrogante o conhecimento que acumulou. 

Por outro lado, quem transfere o que sabe não está preocupado em “dar lições”, mas em partilhar. Pessoas assim não fazem questão de ser admiradas: fazem questão de ser úteis. Ao transferir o que sabem, elas não estão impondo suas crenças, seus métodos e seus valores aos demais. Os que transferem o que sabem reconhecem e respeitam esse direito, pois entendem que nenhum conhecimento pode ser verdadeiramente assimilado e colocado em prática sem antes ser digerido, elaborado e re-elaborado por aquele que o recebe. Na prática, essa é a diferença entre um chefe de família que obriga os filhos a pensar como ele e um pai que respeita e orienta a forma de pensar dos filhos. É a diferença entre um chefe que obtém resultados medíocres ao impor seus conceitos de modo autoritário e um líder que se compraz ao ver suas idéias florescerem e se desenvolverem ao serem assimiladas por seus funcionários. 

A segunda parte da frase de Cora Coralina fala em “aprender o que ensina”. Ao nos colocarmos na posição de ensinarmos alguma coisa, precisamos estar atentos a tudo que ainda podemos aprender com aquilo que achávamos que já sabíamos. Posso citar como exemplo minha própria experiência como palestrante. Por mais que eu conheça o assunto sobre o qual vou falar, por mais que já tenha feito a mesma palestra dezenas de vezes, nunca deixo de aprender alguma coisa nova a cada palestra que dou. A interação com o público, a troca de opiniões, as perguntas e observações que surgem sempre acrescentam algo a mais, sempre somam algo novo àquilo que eu achava que já sabia. 

Há uma pequena história que eu costumo contar no início de minhas palestras. Quando minha filha tinha três anos de idade, nós morávamos em uma rua movimentada e perigosa. Cada vez que nosso portão era deixado aberto por algum descuido, minha filha saía correndo e atravessava a rua para chegar à casa de uma amiga que morava na calçada em frente. Preocupados com a situação, eu e minha esposa decidimos ensinar à pequena como atravessar a rua com segurança. Assim, da próxima vez que, aproveitando-se de algum descuido, ela tentasse escapulir, pelo menos estaria sabendo como lidar com os perigos da rua. “Primeiro você para na calçada”, disse-lhe eu. “Depois, olha para cima e para baixo, e só então atravessa”, expliquei. Como a rua era uma ladeira, eu achei que tinha deixado bem claro que os carros poderiam estar subindo ou descendo e que, portanto, era necessário olhar em ambas as direções. Dias depois da lição, minha filha aproveitou-se do fato de que o portão fora acidentalmente deixado aberto e saiu correndo. Fomos atrás dela, mas não conseguimos alcançá-la a tempo. Com o coração apertado eu a vi parar junto ao meio-fio, olhar para o céu, olhar para o chão e atravessar a toda velocidade. Por sorte, nada lhe aconteceu. Mas, passado o susto, minha esposa e eu concluímos que nossa filha havia feito exatamente o que lhe ensinamos: olhou para cima (para o céu), e para baixo (para o chão). Ela entendeu a mensagem de acordo com seu conhecimento e com sua forma de ver o mundo. Nós, por outro lado, a ensinamos da maneira que nos parecia ser a mais óbvia, sem pararmos para pensar de que modo ela poderia estar compreendendo isso. 

Nesse exato momento, quantos chefes, gerentes e funcionários mais velhos não estão fazendo o mesmo? Quantos por aí não estão culpando seus colaboradores por “não fazer o que lhes foi ensinado”, sem pararem para pensar que o problema talvez esteja na forma como o ensinamento foi transmitido? 

Paulo Kretly 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Inseguro com a mudança?

Saiba como encará-la da melhor forma

Há momentos na carreira que se apresentam, ao mesmo tempo, como uma ameaça e uma oportunidade. São momentos tensos, delicados, em que é preciso manter o máximo de atenção e foco já que, nessas horas, um deslize pode ser a diferença entre ganhar e perder espaço. A troca do presidente da empresa ou de alguma diretoria à qual estejamos subordinados é um desses momentos.

O novo presidente, ou novo diretor, dificilmente vai demorar a fazer mudanças. Ele quer imprimir seu estilo, montar uma equipe de confiança e afastar possíveis adversários. Os ritmos se alteram, o dia-a-dia ganha outra velocidade. E todos entram, imediatamente, num processo de avaliação por parte desse novo chefe. O que fazer?

Antes de tudo, colher informações. Quem é ele? De onde veio? Qual seu estilo de trabalho? O que pensa sobre o negócio que vai dirigir? Sabendo dessas coisas, quem enfrenta uma mudança de chefia terá melhores condições de se posicionar e estabelecer um diálogo proveitoso. Note que não se trata de procurar agradar apenas. Trata-se de identificar a direção que o negócio vai tomar para poder se preparar e mostrar resultados.

Não tenha dúvidas de que resultados rápidos são o melhor passaporte para sair do risco de corte e andar na direção do crescimento profissional. Ao entrar no cargo, o novo chefe está interessado em mostrar resultados e vai valorizar muito aquele que, dentro da equipe que assumiu, o ajudar nesse desafio.

Uma armadilha a ser evitada é tentar comparar, para o bem ou para o mal, o novo dirigente com o profissional que deixou o posto. Se a comparação for para o bem, ela pode acabar desmobilizando sua preocupação em se posicionar da melhor forma. Se for para o mal, pode provocar desânimo, prejudicando igualmente seu desempenho. A melhor estratégia é agir como se você fosse um recém-contratado, ávido por mostrar trabalho.

A chegada de um novo chefe deve ser encarada como um reinício, um momento em que será indispensável repensar nossa posição, nossas capacidades, nossas fraquezas profissionais. Ao mesmo tempo, é um momento de colaborar na tarefa de repensar o próprio negócio: posição, capacidade e fraquezas da organização. Pois a entrada de um novo presidente ou diretor não significa somente uma exigência de reinvenção de cada profissional é um momento de reinvenção da própria empresa.

Nesse processo, com todas as incertezas e inseguranças que ele gera, podem existir grandes oportunidades. Além de se reposicionar pessoalmente de acordo com os novos ventos, pergunte a você mesmo: de que forma posso contribuir para as mudanças que serão implementadas?

Para isso, será preciso não somente ter informações sobre o novo chefe, conhecer as próprias capacidades e as características da empresa, mas também a realidade mais ampla do mercado nacional e internacional em que o negócio está inserido.

Não há nenhum exagero nisso. A rigor, no cenário de competitividade em que estamos mergulhados, é bom estar sempre com essa lição de casa pronta haja ou não mudança de chefia. Pois dispor de tais informações, percepções e capacidade crítica e criativa é o que nos torna capazes de crescer em qualquer situação.

Artigo de autoria de Simon M. Franco, publicado na Edição 811 da Revista EXAME

Fonte: http://www.simonfranco.com.br/Site/Paginas/pg_artigos_12.html