terça-feira, 11 de agosto de 2015

Descanso: uma questão de saúde e necessidade humana

Acho curioso termos saído dos tempos de escravidão e de longas jornadas de trabalho da Revolução Industrial para voltarmos a elas voluntariamente. Rotinas extensas, objetivos difíceis de serem alcançados e projetos desafiadores são naturais na rotina profissional da maioria de nós que, ao fim do expediente, ainda demora a chegar em casa e mal tem tempo ou disposição para realizar outras atividades de lazer. Porém há quem não consiga se desligar do trabalho nem nos momentos de folga.

Costumo dizer nas minhas palestras que quem deseja atingir um alto cargo ou uma promoção tem de trabalhar duro e, talvez, mais horas do que o estipulado na carteira de trabalho. É claro que isso não é uma regra, pois não adianta trabalhar até a exaustão sem qualidade ou produtividade. E é exatamente isso que pretendo deixar claro. Afinal, não somos robôs. Brinco que não temos um botão “on/off” para desligar ou ligar conforme desejamos agir ou pensar.

Quando, por exemplo, estamos envolvidos em projetos grandes, muito importantes, as pessoas se mantêm em um nível de tensão que não é aliviado até que o relatório seja entregue ou o processo concluído – ainda mais quando se está nas etapas finais de elaboração. Em casos como esses, por mais que a tensão seja grande, sugiro que o profissional não tire férias, pois provavelmente não descansará. Isso acontece devido ao alto nível de preocupação e responsabilidade que temos em relação a esses projetos. O ideal é que o profissional termine o tal projeto para que tire férias ou então gaste seu “banco de horas” sem nenhum “peso nas costas”.

Entretanto, algumas pessoas, preocupadas com o trabalho, buscando uma promoção, ou mesmo os workaholics, não conseguem se desligar do trabalho durante o descanso. Isso não significa somente ligar o computador e trabalhar, mas também pensar no trabalho, “apagar incêndios” a distância ou checar os e-mails corporativos (agora facilmente acessados pelos smart­phones). Isso é prejudicial não somente à saúde, mas também à vida pessoal e profissional.

Quando estamos estressados ou mergulhados por meses ou anos no ambiente corporativo com períodos de descanso mal-aproveitados, o corpo humano começa a apresentar sinais não só psicológicos, mas também físicos de desgaste. Posso dizer que o estresse se manifesta de quatro maneiras diferentes: na mente (preocupação, má avaliação, indecisão, decisões apressadas, pesadelos, negatividade); no comportamento (perda de apetite, fumo, alcoolismo, inquietude, insônia, desinteresse sexual, propensão a acidentes; nas emoções (perda de confiança, ansiedade extrema, irritabilidade, depressão, apatia, medo); e, por fim, no corpo (dores de cabeça, infecções, tensão muscular, distensão muscular, fadiga, falta de ar, irritações na pele). Da mesma maneira, as possibilidades de riscos à saúde se agravam, como os problemas cardíacos, por exemplo.

Além disso, ninguém aguenta só trabalhar e não descansar “pra valer”. Quem não descansa devidamente nas férias, feriados e fins de semana começa a ter queda de desempenho, concentração e produtividade, além dos outros problemas citados anteriormente. O organismo não aguenta e, mais cedo ou mais tarde, falha, adoece. É ciência, e não só um discurso de saúde e qualidade de vida.

Apesar de os feriados custarem muito ao país, são uma maneira de prolongar aquele curto fim de semana que possuímos. Portanto, é fundamental que as pessoas aprendam a relaxar o máximo possível nesses períodos de folga para voltar “com tudo” na segunda-feira. É preferível não misturar muito as coisas: trabalhar durante a folga e folgar no trabalho. O recomendável para quem quer desenvolver uma carreira com sucesso e saúde é trabalhar durante a semana e descansar nos períodos destinados a isso.

Por último, descanso não significa somente viajar. Se não é possível sair da cidade, aproveite o tempo livre para ir ao cinema, ler um livro, almoçar com a família, sair com os amigos e qualquer coisa que lhe dê prazer. Vale lembrar que tempo livre não é uma opção ou luxo de alguns, mas sim uma necessidade humana.


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

10 lições que aprendi com meu pai

Os pais de hoje estão, cada vez mais, perdendo força e identidade. Vejo isso quando comparo os atuais com meu pai, por exemplo. As gerações vêm mudando muito, dando a sensação que não existe mais aquela determinação do lindo e importante papel de genitor.

Um indicativo da falta de identidade é que alguns pais têm problemas em saber se podem ou não desenvolver certas tarefas. É uma grande crise, pois eles demonstram que não têm raízes nem sabem como agir, o que fazer com os próprios filhos.

A diminuição da função paterna tem consequências sobre a estruturação psíquica dos indivíduos na infância e juventude e, indiretamente, sobre a sociedade, que valoriza muito mais a figura materna. Sem dúvida a mãe é uma fonte de segurança para os filhos, contudo, a relação entre mãe e filho necessita da complementação decorrente da função paterna. O pai é aquele que diz não, que declara os limites do possível. Ou pelo menos fazia isso.

A imagem do pai é imprescindível para o desenvolvimento psicológico equilibrado dos filhos e desempenha, com efeito, uma espécie de mediador entre o filho e a realidade. Permite a criança ou adolescente tomar iniciativas, aprender a distinguir entre o certo e o errado e, a partir disso, entender as consequências de uma ou outra escolha.

No Dia dos Pais, quero compartilhar parte de minha história, os ensinamentos que meu pai deixou. Compartilho com vocês 10 lições que aprendi com ele:

1) Um gesto vale mais de mil palavras. Demonstre através do seu comportamento. Se você acha que uma pessoa é importante na sua vida, não basta somente dizer isso; faça algo de concreto.

2) Cada um tem o próprio jeito de expressar o amor. Não existe um jeito mais justo que o outro. Seja você mesmo e compreenda a forma do outro. Há quem saiba dizer “gosto de você” sem grande emoção enquanto há os que fazem isso com um sorriso, com os olhos brilhando. Há quem te dê um abraço de paz e quem, com uma frase simpática, te dará uma tapinha nas costas. Receba o amor na forma na qual é dado. O seu coração saberá reconhecer lo sempre.

3) Falência não existe. Vá além! No final, você simplesmente descobre o que não quer e o que não funciona.

4) Todos os problemas têm solução. Eu aprendi que para um problema há três soluções, cabe a você escolher a certa. Use o problema como uma oportunidade para crescer, aprender e melhorar dia após dia.

5) Seja curioso. Aquela curiosidade que te faz sentir vivo e apaixonado, te faz ver o mundo a cores e te deixa descobrir mil lugares. Leia, leia e leia ainda mais. Seja apaixonadamente curioso. Existem tantas coisas na vida a serem descobertas!

6) Caímos, mas podemos levantar novamente. Lembro muito bem quando aprendi a andar de bicicleta. Meu pai queria me ensinar, mas eu era bem desastrada. Era difícil manter o equilíbrio e acabava sempre no chão, geralmente em lágrimas, com os vestidos sujos e os joelhos ralados. Lembro que meu pai me colocava novamente na bicicleta e, cada vez que eu dizia “não consigo”, ele respondia “você consegue”; a cada meu choramingar de dor, ele falava “passará”. Os machucados físicos passam, mas as lições são aprendizados para sempre.

7) A opinião dos outros não deve plasmar o que você é. As pessoas continuarão a te criticar em qualquer coisa faça. Em vez disso, pergunte-se qual é o primeiro passo que pode dar agora para criar a vida que deseja e ser feliz. Não se sacrifique pelos outros! Nunca!

8) Não existe luz sem sombras. Isso quer dizer que você não é perfeito nem nunca será, mas poderá ser perfeitamente você mesmo com a luz e as suas sombras. As pessoas verdadeiras da sua vida te amarão por tudo aquilo que você é. Com as outras, não se preocupe.

9) A coragem de fazer uma escolha. Você sabe que faz uma escolha quando renuncia a outra. Explore novas oportunidades, mude de ideia, mas escolha sempre! Seja o protagonista de sua vida.

10) Seja presente com as pessoas que você ama. Há momentos em que a vida é mais dura e outros nos quais você coloca tudo a perder. Haverá dias nos quais os joelhos ficarão doloridos, a dor será mais intensa e a vontade de deixar tudo será forte. Momentos nos quais terá desesperadamente a necessidade de um abraço, de sentir aquela voz que te deixa segura e que te acalma. Aquela presença que te traz paz. Lembre-se: conseguimos receber o amor que somos capazes de doar. Esta é a lição que aprendi do meu pai, porque, no fundo, a capacidade de doar amor é a coisa mais bonita que existe.

Por Bibianna Teodori


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Você pode ser criativo!

Parte do problema que temos que trabalhar em nossa energia criativa vem, algumas vezes, de uma visão limitada do que realmente significa criatividade.

Algumas pessoas consideram a criatividade uma atividade artística, mas útil no estúdio do que em um escritório executivo. Outros pensam na criatividade apenas em termos de tarefas e profissões (chefs são criativos; contadores, não).

Eis aqui algumas respostas de pessoas que atuam no mercado sobre o significado da "Criatividade":

- A habilidade para construir algo do nada - Ted Murphy .

- A habilidade de pensar em uma ideia comum de um jeito incomum - Randall Dunn .

- Resolver problemas. Você pode ser criativo ao polir sapatos. É a abordagem que você adota - Ernie Perich.

- A habilidade proativa de pensar, ponderar e julgar alternativas para resolver problemas. Enxergar múltiplos modos de ver as coisas - Lisa Vallee-Smith.

- Conectar coisas que não estão conectadas. A habilidade de pensar diferente. Ser capaz de virar o navio e gerenciar através da incerteza - Jake Sigal.

- A base é a curiosidade. Estruturar coisas desestruturadas. A habilidade de tolerar a ambiguidade e criar algo novo que não seja óbvio - Stephen Bean.

A maioria dos desafios criativos requer soluções que caem em uma destas categorias:

1. Descobertas Inovadoras - Alguns exemplos: o iPod, o Google, a guitarra elétrica...

2. Mudança de alto valor - Exemplo: uma nova função de um produto que encanta clientes e aumenta as vendas em 15%, melhora o processo de fabricação em 20% e um aumento imediato de 10% da renda.

3. Criatividade diária: um conceito essencial para o sucesso das empresas no mundo ultracompetitivo que vivemos. Por exemplo: um representante que mostra lealdade para com o cliente e não indiferença ou, ainda, um vendedor fechando negócio com uma abordagem renovada. São pequenos progressos que geram milhões.

Todas as pessoas têm uma massa muscular que pode desenvolvida através da prática contínua e estruturada (não importa idade, altura ou sexo, vai para a academia puxar ferro e desenvolverá músculos fortes).
Com a criatividade não é diferente. Estudos da Harvard Business School mostram que a criatividade é 80% aprendida e adquirida.

Pense na criatividade como um músculo e no sistema como uma malhação contínua para desenvolver sua capacidade criativa. Aristóteles disse: "Somos o que fazemos repetidamente. A excelência é, portanto, não um ato isolado, mas um hábito".



quinta-feira, 6 de agosto de 2015

9 coisas que você deve fazer para ser bem sucedido

Pensamentos positivos atraem coisas positivas. Por isso, suas atitudes e sentimentos são responsáveis por parte das situações que acontecem em sua vida. Para ter sucesso profissional e pessoal, é importante manter-se focado em seus objetivos e abandonar algumas atitudes que dificultam esse processo. Pensando nisso, preparamos uma lista com 9 hábitos que você deve adquirir para ser bem-sucedido. Confira:
1. Pare de buscar a perfeição
Todas as pessoas erram ao menos uma vez na vida e, por isso, é difícil atingir a perfeição. Assim, aprenda a lidar com seus erros e não busque incessantemente a perfeição. Deste modo, você evita frustrações e estresses por tarefas que não aconteceram da maneira que esperava. Algumas vezes, você terá que escutar críticas, cuja principal função é fazer com que você melhore cada vez mais e demonstre seu potencial. 
 2. Não permita que os outros tirem vantagem de você 
Muitas pessoas deixam de fazer suas próprias vontades para que possam agradar as outras. Entretanto, outras aproveitam a bondade alheia para tirar proveito em determinadas situações. Por isso, faça apenas o que está a seu alcance: não empreste, por exemplo, uma quantia de dinheiro que você precise ou não tenha. Dizer não é mais comum do que parece e isso demonstrará que você conhece seus limites e impõe respeito.
Tenha em mente que seus pensamentos terão consequências boas ou ruins na sua vida, já que são capazes de atrair determinadas situações. Por este motivo, afaste os negativos e não se torture por erros cometidos no passado. Lembre-se de que suas falhas são também oportunidades de aprendizado e não permita que pensamentos como “eu não consigo” ou “não sou bom o suficiente” abalem você. Acredite em si!
 4. Não pense apenas no hoje 
O futuro é algo imprevisível e, por isso, é importante planejar-se para eventos, tanto esperados como inesperados. Assim, você evitará surpresas desagradáveis e conseguirá idealizar sua vida daqui a 5, 10 ou 15 anos. Saiba diferenciar os momentos apropriados para cada atividade e mantenha sempre o foco: saber onde quer chegar é o primeiro passo para o sucesso.
Faça o que você tem vontade e se esforce para que aconteçam situações boas para você. Não tenha medo de correr atrás daquilo que almeja, mas lembre-se de que obstáculos são comuns e você deve enfrentá-los. Estabeleça metas e corra atrás delas.
 6. Não isole a si mesmo nem aos outros 
Trabalho e escola são obrigações consideradas por muitas pessoas prioridade. Contudo, não se esqueça de ter uma vida social. Bons momentos com sua família e amigos são capazes de servir como motivação e podem ajudar você a se tornar bem-sucedido profissionalmente e também pessoalmente. Coloque tudo o que você considera importante e essencial dentro de seus objetivos e tente balancear seu tempo.
 7. Diga não a comparação 
Comparar seu desempenho ou habilidades com de outras pessoas pode aumentar sua frustração e diminuir sua autoestima. Ao invés de ter essa atitude, preocupe-se com seu crescimento pessoal e veja em quais tópicos você foi melhor ou pior que si próprio.
 8. Pare de viver o passado
Nada que você faz hoje mudará o seu passado e, por isso, culpar-se ou ficar revivendo fatos passados não te ajudará a ser bem-sucedido. Aprenda com seus erros , para que não os cometa novamente.
 9. Não tolere desonestidade 
Pessoas bem-sucedidas aprendem a respeitar as diferenças e dificuldades dos outros. Além disso, elas tendem a não prejudicar seus colegas e entender seus limites. Elas também não toleram desonestidade e negatividade. Afinal, sucesso também é estar ao redor de boas pessoas.



quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Frases assassinas que bloqueiam a criatividade

Na Era da Competitividade, os dois grandes diferenciais, - aqueles que realmente distinguem uma empresa da outra e as tornam vencedoras , são a criatividade e a inovação.

Einstein afirmava: "Insanidade é fazer sempre as mesmas coisas e esperar resultados diferentes". Se quisermos algo diferente teremos que fazer algo diferente. A Era da Competitividade exige pessoas que pensem diferente, que tenham ideias criativas e inovadoras.
Você do tipo ACMu ou ACMo?

Sabe o significado da palavra ACMu? É um acrônimo de Alto Coeficiente de Mumificação.

Somos levados a isso pelas rotinas do dia a dia, repetindo sempre as mesmas coisas. Aliás, grande parte dos ambientes empresariais é inibidora da criatividade. São autênticas usinas de mumificação, cujas frases prediletas são: "Você é pago para fazer, não para pensar"; "Quem pensa aqui sou eu, você só tem que executar". Muitas empresas e gestores ainda classificam as pessoas como "mão de obra", não como recurso ou talento humano. Isto é, consideram o ser humano como sendo mais uma "mão" na obra. E onde fica o cérebro nisso tudo? É bom lembrar que a mão executa, mas é o cérebro que pensa e cria.

Cabe aqui uma pergunta: "Quer saber se o ambiente em que você trabalha tem gente inovativa e criativa?" Resposta: "Preste atenção no que elas falam".

Veja "25 frases assassinas" que indicam ambientes inibidores da criatividade:

- "Sempre fizemos desse jeito, por que mudar?".
- "Não pode".
- "É uma boa ideia, mas inaplicável".
- "Já tentamos isso antes e não deu certo".
- "Nunca tentamos isso antes, por que agora?".
- "Não é desse jeito que trabalhamos por aqui".
- "O chefe não vai gostar".
- "É contra o regulamento".
- "É uma ideia sem pé nem cabeça".
- "Vamos ser práticos".
- "É proibido!".
- "Você não está sendo pago pra isso. Atenha-se às suas funções".
- "É uma bela teoria. Quero ver na prática".
- "Lá vem ele outra vez com suas ideias".
- "Tem que dar certo logo da primeira vez".
- "Se não der certo, você vai ter que se explicar".
- "O concorrente já está fazendo isso".
- "Isso não tem lógica".
- "Não pedi sua opinião".
- "De onde você tirou essa ideia maluca?".
- "Suas ideias não se aplicam na nossa empresa".
- "Esse problema não tem solução".
- "Duvido que dê certo".
- "Estou fora. Já tenho muito que fazer".
- "Não vale a pena fazer isso agora".

Frases como essas identificam dinossauros ocultos nas organizações que em nada contribuem para a solução criativa de problemas, ou identificação de novas oportunidades de negócios.

E o tipo ACMo?

ACMo é o acrônimo de Alto Coeficiente de Motivação. São pessoas motivadas por desafios e em atingir objetivos relevantes. Nem toda pessoa motivada é criativa, porque ela pode estar extremamente motivada em realizar determinadas tarefas e atingir objetivos, mas não interessada em ser muito criativa. Porém, toda pessoa criativa é, necessariamente motivada, pois persegue e se envolve constantemente com novos parâmetros, novas possibilidades, novos horizontes, e isso a excita, provoca sua curiosidade e testa seus limites. C. K. Prahalad, catedrático da Universidade de Michigan, disse que "devemos dedicar mais energia criando o futuro do que preservando o passado". É o que o ACMo faz o tempo todo.

Peter Drucker, o papa da administração moderna que revolucionou toda a teoria e prática da administração no século 20 -, foi enfático ao afirmar que "a empresa possui duas, e apenas duas funções básicas: marketing e inovação. Marketing e inovação produzem resultados, todo o resto são custos". É um conceito arrojado sobre organização, mas deixa clara a importância que ele atribuía à inovação.




terça-feira, 4 de agosto de 2015

Ninguém é insubstituível, mas alguns são indispensáveis

Já faz quase um ano que a Dona Lúcia se aposentou e continua fazendo muita falta.

Durante anos, foi a secretária da Diretoria em uma empresa de médio porte da área de tecnologia.

Ter uma secretária em comum para o Controller, o Diretor Comercial, o Diretor de TI e os demais diretores, foi uma estratégia bastante inteligente do presidente para melhorar o fluxo de informações na empresa.

Sem dúvida, esse “cargo estratégico” era um ponto decisivo para o sucesso daquela diretoria, mas o que realmente fazia a diferença era a “pessoa da Dona Lúcia”.

Com seu jeitão italiano e o seu ar maternal no trato com “os meninos da diretoria”, Dona Lúcia era muito mais do que uma secretária.

Era amiga e conselheira. Uma “funcionária” diferente, que até dava uns puxões de orelha na chefia quando alguém saia da linha.

Como uma mãe carinhosa e atenta, mas que não se intimida em dar broncas nos filhos, sobretudo quando brigam uns com os outros…

Quando anunciou sua aposentadoria, começaram os lamentos. Ninguém queria perder a Dona Lúcia, afinal todos reconheciam a sua grande importância.

Mas, de fato ela saiu.

E, de lá para cá, já passaram duas outras pessoas, mas não se adaptaram ao cargo.

Como o Sr. Germano, presidente da empresa, não abre mão dessa função estratégica, precisou ter uma conversa mais dura com os seus diretores e pedir que facilitassem a vida da moça que estava “tentando” fazer atualmente esse trabalho.

“A Dona Lúcia é passado. Já foi. E outra coisa, ninguém é insubstituível”, disse ele.

O que o Sr. Germano disse é uma verdade, mas apenas uma meia verdade…

Dona Lúcia é um daqueles exemplos que, se por um lado, ninguém é insubstituível, algumas pessoas realmente são indispensáveis.

Cargos e funções são substituíveis. Talentos são indispensáveis.

Não importa qual o trabalho que fazemos, em que empresa atuamos e tampouco a nossa formação acadêmica. A verdade é que cada um de nós carrega um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que nos tornam únicos.

A diferença é que o “CHA” – conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes – de algumas pessoas é facilmente encontrado em outras pessoas. Esses são os facilmente substituíveis.

Já outras pessoas, como Dona Lúcia, possuem em “CHA” tão especial e diferenciado que as tornam indispensáveis.

Vale lembrar que as três letrinhas do “CHA” são importantes, mas é o “A” que faz toda diferença.

Por isso, fica apenas uma reflexão: a sua Atitude faz de você alguém dispensável ou alguém (quase) insubstituível?

Um carinhoso abraço,

Flávio Lettieri




segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Ciclos de Trabalho e Transição de Carreira: uma autoreflexão

Ao longo da trajetória profissional vivenciamos ciclos que nos remetem a novas oportunidades de desenvolvimento. Cada ciclo constitui um capítulo da narrativa biográfica profissional e, como autor e protagonista da nossa própria história nos empenhar em preservar o verdadeiro sentido do trabalho, em meio às mudanças de contexto em alta velocidade, constitui desafio importante.

A busca pelo sentido do trabalho desperta, em nós, os motivos para agir, com o comprometimento necessário para o nosso progresso e para a nossa evolução. Como disse o Steve Jobs: "Você tem que encontrar o que você gosta. E isso é verdade tanto para o seu trabalho quanto para seus companheiros. Seu trabalho vai ocupar uma grande parte da sua vida, e a única maneira de estar verdadeiramente satisfeito é fazendo aquilo que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um ótimo trabalho é fazendo o que você ama fazer. Se você ainda não encontrou, continue procurando. Não se contente. Assim como com as coisas do coração, você saberá quando encontrar. E, como qualquer ótimo relacionamento, fica melhor e melhor com o passar dos anos. Então, continue procurando e você vai encontrar. Não se contente".

Como estímulo ao pensamento crítico, é importante que façamos algumas autorreflexões - Qual o verdadeiro sentido do trabalho? O trabalho constitui motivo de realização? Quais as lições aprendidas até este momento da carreira? O que gostaria de aprender numa próxima oportunidade? Há a expectativa de alterar a trajetória profissional? Já chegou o momento de desacelerar e pensar na aposentadoria? São muitas as reflexões que podemos fazer no momento da transição de um ciclo para outro, mesmo que ainda não conhecido.

Pensemos na nossa trajetória através da imagem de uma espiral formada por círculos concêntricos conectados que se expandem progressivamente. Visualizemos cada círculo dessa espiral como se fora um tempo vivido de um ciclo profissional com seu conjunto de lições aprendidas. Desta forma, será possível perceber as conexões entre cada um deles e como tudo convergiu para o amadurecimento e a expansão de consciência. Recordemos uma reflexão importante deixada como uma das mensagens importantes do Steve Jobs: "Você não consegue ligar os pontos olhando pra frente; você só consegue ligá-los olhando pra trás. Então, você tem que confiar que os pontos se ligarão algum dia no futuro. Você tem que confiar em algo - seu instinto, destino, vida, carma, o que for. Esta abordagem nunca me desapontou, e fez toda diferença na minha vida".

Estejamos atentos para despertar o estado de autoconfiança a partir do exercício da narrativa biográfica, que possibilita nos manter numa perspectiva positiva, receptiva e ao mesmo tempo proativa, no período de transição, enquanto o novo ciclo profissional não se configura. Como sustentar essa confiança? Pensemos nas alternativas que podemos lançar mão, dentre elas: o autodesenvolvimento, através do investimento do tempo em leituras variadas, participação em eventos da sua área de atuação profissional, estreitar o network de sua rede de relacionamento, realizar atividades voltadas para manter equilíbrio integral, a exemplo do dito da sabedoria popular, mente sã em corpo são.

Como parte do processo reflexão sobre esse desafiante tema sobre os ciclos de trabalho e a transição de carreira, investir no autoconhecimento também pode ser decisivo. Assim, buscar ajuda de um profissional especializado em coach de carreira, pode ser de significativa valia. Outra opção é buscar realizar assessments(avaliações), disponíveis no mercado, que possibilitam conhecer melhor, as potencialidades, fortalezas e oportunidades de melhoria. Dentre esses assessments, podemos pensar em algumas opções interessantes: a classificação tipológica de Myers-Briggs (do inglês Myers-Briggs Type Indicator - MBTI) que é um instrumento utilizado para identificar características e preferências pessoais; a classificação dos estilos de pensamentos em relação ao perfil de dominância cerebral pautada na teoria de Ned Herrmann; o mapeamento de como estão as principais áreas da vida, consideradas fundamentais para a conquista do equilíbrio pessoal, em determinado momento, e assim detectar a área de alavanca que devemos priorizar através do sistema de autoavaliação denominado roda da vida.

São muitas as possibilidades de crescimento e de amadurecimento no período de transição. No entanto é fundamental o agir, na busca de novas oportunidades sem olvidar do sentido do trabalho como fonte de autorealização. Lembremos que para cada um de nós há uma missão ou razão de existir no mundo do trabalho, conectada com o nosso perfil e potencial de contribuição para impulsionar a evolução do mundo ao qual pertencemos como seres universais.